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Por Alex Campos

Garantir um futuro possível, sem abrir mão de aproveitar o presente confortável, é uma das principais dificuldades dos consumidores brasileiros ao administrar as finanças. A conclusão é do Indicador de Bem-Estar Financeiro, mensurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Realizado em todas as capitais, o levantamento mostra que 56% dos brasileiros reconhecem que não conseguem aproveitar a vida da maneira ideal em razão da forma com que administram seu dinheiro. O que mais compromete o bem-estar dos brasileiros é a falta de preparo para lidar com situações ou gastos imprevistos. A maioria (65%) não teria como enfrentar emergências, segundo o indicador. Apenas 12% dos consumidores teriam condições de cobrir uma despesa inesperada, de valor expressivo, utilizando recursos da própria renda ou de uma reserva financeira.

Para alguns consumidores, a situação de aperto é tão evidente que, em cada dez entrevistados, 28% (três pessoas) dizem apenas "sobreviver" com o dinheiro que ganham mensalmente, ao passo que 38% (4 pessoas) conseguem desfrutar de forma satisfatória da renda que possuem. Esse comportamento acontece porque ter dinheiro sobrando no fim do mês é um dos maiores desafios na vida dos brasileiros. Em cada dez entrevistados, 62% (seis) disseram que "nunca" ou "raramente" veem o dinheiro sobrar no fim do mês, ao passo que 28% conseguem, somente às vezes, ter dinheiro sobrando. Os que sempre conseguem ter sobras formam apenas 9% da amostra.

Pagar as contas e ainda ter dinheiro para outras finalidades é uma forma de prover segurança e estabilidade, bem como viver sem sustos, além de servir de meio para a realização de planos de consumo, que são naturais entre as pessoas, independentemente da renda. "Para sobrar salário, antes de tudo é preciso controlar os gastos e cortar despesas desnecessárias", lembra o educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.

SONHOS E REALIZAÇÕES PESSOAIS
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Um sentimento compartilhado entre muitos consumidores é o de impotência diante das finanças. Mais de um terço (34%) dos entrevistados relataram a sensação de que suas vidas são controladas pela sua situação financeira, e não o contrário. Outros 38% admitiram que às vezes se enquadram nessa situação, ao passo que 29% não se veem dessa forma. "Um das dificuldades da educação financeira é fazer as pessoas usarem o dinheiro como aliado na conquista de sonhos e realizações pessoais, e não como fonte de preocupação ou dor de cabeça. Mas, para isso, é preciso traçar metas, planejamento e muita disciplina", alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
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QUANTO MAIS CEDO, MELHOR
Outra constatação é que, quando o assunto é futuro, também há muito o que melhorar. Apenas 16% afirmam estar comprometidos em garantir uma situação financeira segura, indicador que cai para 11% entre os mais jovens. Já os brasileiros que não estão assegurando o seu futuro correspondem a 56%. "Esse é um assunto que, com as discussões sobre a reforma previdenciária, ganha ainda mais importância e deveria chamar a atenção, inclusive, dos mais jovens, pois quanto mais cedo começa o preparo para o futuro, mais se consegue diluir o esforço mensal de recursos a serem guardados", orienta José Vignoli.
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A MÁ NOTÍCIA E A BOA NOTÍCIA
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Minha opinião (exceto para os casos em que os consumidores estão desempregados): A má notícia os números mostram é que lidar com o dinheiro ainda é um desafio imenso para a maioria absoluta dos brasileiros. A boa notícia minhas colunas mostram é que dívidas ou endividamentos não têm vida própria, vontade própria ou iniciativa própria. Ninguém pega um financiamento, empréstimo ou crédito como quem pega um resfriado. As despesas, as contas ou os gastos não entram no nosso bolso e não invadem nossa casa sem ser "convidados". O presente confortável ou o futuro possível é aquele que a gente pode pagar. O limite da nossa responsabilidade não deve ultrapassar o limite do nosso orçamento.
Bom Domingo e Boa Sorte!
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