Empire State Building, um dos prédios mais famosos de Nova York, ficou verde na Semana do Clima de NY - VIVIANE FAVER/AGÊNCIA ODIA
Empire State Building, um dos prédios mais famosos de Nova York, ficou verde na Semana do Clima de NYVIVIANE FAVER/AGÊNCIA ODIA
Por VIVIANE FAVER

O clima foi destaque em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Logo na abertura o Climate Group iluminou de verde ícones na cidade de NY: Empire State Building, One World Trade Center e o Madison Square Garden, em comemoração à 10ª Climate Week NYC, organizado pelo grupo. Diversas autoridades participaram da abertura do evento sobre o clima, que vai até o dia 30, no TheTimesCenter, em Manhattan. Entre elas, o governador da Califórnia Edmund G. Brown Jr., a secretária-executiva das Nações Unidas, Patricia Espinosa; o presidente do Peru, Martín Vizcarra; a premiê da Nova Zelândia, Hon Jacinda Arder; e a presidente da República das Ilhas Marshall, Hilda C. Heine.

Vale destacar que o Peru foi o primeiro país sul-americano a consagrar na lei suas metas para alcançar o Acordo de Paris. E as iniciativas em prol do planeta não param aí. O anúncio veio do governador da Califórnia, Brown Jr., o estado tem a meta de neutralizar o carbono até 2045, mas admite que muitos desafios estão pela frente: “Se quisermos alcançar o objetivo do Acordo de Paris e da Cúpula Global de Ação Climática em São Francisco, teremos que intensificar as operações.”

Brown Jr. chamou atenção para a necessidade de mudança no estilo de vida, inclusive na destinação de recursos, para renovar a economia. “Precisamos de investir em tecnologia. Alguns ativistas não gostam de grandes empresas, mas precisamos do dinheiro delas, para que invistam em inovações e melhorias. Precisamos de bilhões de dólares de investimentos de muitas partes do mundo, por exemplo da China, dos EUA e outros. Infelizmente por aqui temos uma barreira com o governo federal e o presidente Trump. Sem contar que essa transformação não tem o apoio de muitas pessoas poderosas, e isso, é definitivamente uma luta difícil”, desabafa.

NY REDUZ USO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

A Semana do Clima NYC tem o apoio da Nações Unidas e do prefeito de Nova York, Bill de Blasio. “Estamos honrados em mais uma vez receber o Climate Group e sediar a Climate Week NYC pelo 10º ano”, disse De Blasio. “Aqui em Nova York, estamos tomando medidas corajosas sobre o clima. Através da nossa inovadora estratégia OneNYC e do nosso plano de 1,5° C (que trata da redução da temperatura), estamos comprometidos a atingir os objetivos mais elevados do acordo climático de Paris”, conta o prefeito.

“Estamos nos desviando dos combustíveis fósseis, exigindo que nossos maiores edifícios reduzam suas emissões e invistam em veículos elétricos. Por meio de investimentos em resiliência e sustentabilidade, estamos construindo uma cidade mais justa para todos”, finaliza. O discurso de Blasio foi reforçado pela vice-governadora de Nova York, Kathy Hochul, que declarou que o Estado de NY está comprometido em corrigir os erros do passado.

E da Nova Zelândia veio um aporte de US$ 300 milhões em quatro para o compromisso global de financiamento climático. Durante a abertura, a primeira-ministra Jacinda Ardern, declarou que a Nova Zelândia aumentará seu compromisso global de financiamento. O dinheiro extra virá do orçamento de Assistência ao Desenvolvimento Internacional da Nova Zelândia, que aumentou em quase 30% (US$ 714 milhões) este ano para apoiar o “Pacific Reset” – uma estratégia do governo para aumentar o apoio e coordenação com parceiros na região.

“Essa alocação de recursos se concentrará em ações práticas que ajudarão os países do Pacífico a se adaptarem às mudanças climáticas, como por exemplo: fornecer apoio para adaptação costeira em Tokelau para reduzir os riscos de inundação costeira; e continuando nossos esforços para fortalecer a segurança hídrica em todo o Pacífico, com base nas iniciativas atuais, como as de Kiribati, onde estamos trabalhando para fornecer sistemas comunitários de coleta de água da chuva e estamos investindo na dessalinização”, pontua a premiê.

Ela continuou: “A Nova Zelândia está totalmente comprometida com o Acordo de Paris e irá tomar medidas urgentes para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima. Temos a responsabilidade de cuidar do meio ambiente em que vivemos, mas o desafio de a mudança climática exige que olhemos para além de nossas fronteiras domésticas e, no caso da Nova Zelândia, em direção ao Pacífico.”

O foco desse apoio financeiro está na criação de novas áreas de crescimento e oportunidades para as comunidades do Pacífico. “Queremos apoiar nossos vizinhos do Pacífico para fazer a transição para uma economia de baixo carbono sem prejudicar sua base econômica existente.”

Helen Clarkson, CEO do Climate Group, se animou com o discurso de Jacinda Ardern. “É encorajador ver a primeira-ministra anunciando tanto a ação climática em casa quanto a ação climática no exterior. À medida que os países avançam para reduzir as emissões, é importante não deixar os outros para trás. Precisamos garantir uma transição justa e justa para uma economia limpa que beneficie a todos nós. ”

E da presidente Hilda C. Heine, da República das Ilhas Marshall, veio um plano histórico para atingir as emissões líquidas até 2050, tornando-se o décimo país e a primeira ilha a apresentar um longo a longo prazo da descarbonização da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

O plano, chamado de “Tile Til Eo” Estratégia Climática, que significa “Iluminando o Caminho” em Marshallese, ajudará o país a atingir sua meta de redução em 2020, ou seja, cinco anos antes do previsto. O que tornará as Ilhas Marshall a primeira nação a confirmar que aumentará sua meta para a próxima etapa das principais negociações internacionais sobre o clima.

"Fazer a transição para emissões líquidas zero faz sentido para a nossa economia global e para o nosso meio ambiente, bem como para o nosso pessoal e o nosso planeta. Se quisermos manter os aumentos de temperatura dentro do limite de 1,5 ° C que acordamos em Paris, todos os países devem aumentar a ambição de suas metas existentes até 2020 e traçar um caminho de longo prazo para emissões líquidas zero até 2050", diz. 


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