Por Luiz Fernando Santos Reis

Rio - Muito temos falado nesta coluna sobre a infraestrutura de nosso estado e sobre como é lamentável que, além de deficiente, ela ainda sofre com a péssima qualidade de manutenção. Isso afeta a qualidade de vida. No entanto, é importante analisar também que não é só a falta de planejamento e de recursos, mas também de que forma a população contribui para o mau estado de conservação de nossa infraestrutura.

Quando falamos do sistema de drenagem das águas pluviais, o quadro é triste: as ruas são lixeiras. Nas sarjetas, encontramos de tudo um pouco: latas, garrafas plásticas, copos de papel, sacos plásticos. Coincidindo com a falta de poda das árvores e a deficiente ação das empresas de limpeza urbana, está criado o cenário perfeito para bueiros entupidos e ruas inundadas.

As margens dos rios/canais da cidade tornaram-se, por motivos óbvios, locais ideais para ocupação desordenada, com construção de casebres que os usam como redes de esgoto e lixeiras. Nos lagos ou lagoas, é usual vermos a fauna e a flora destruída pelo uso indevido. Lá encontramos colchões, sofás e muito mais.

O tão falado alto índice de acidentes nas rodovias ou ruas é resultado do péssimo estado de conservação do pavimento e da sinalização, mas também é culpa do usuário que não respeita as boas regras. O uso do acostamento como pista e o desrespeito aos limites de velocidade à sinalização colocam a sua vida e a de terceiros em risco

Os sistemas de abastecimento de energia elétrica e de água estão sujeitos a furtos (“gatos”). No caso da energia elétrica podem provocar catástrofes. Já nos sistemas de abastecimento da água, além do alto índice de perda podem poluir a água para consumo.

As construções de habitações populares feitas nas encostas, por falta de opção de moradia digna em áreas disponibilizadas pelas autoridades públicas, colocam em risco as vidas dos próprios moradores, e são fatores que aceleram o desmatamento provocando deslizamentos que ameaçam centenas de vida.

Vivemos uma incoerência: a infraestrutura é deficiente e mal usada e o usuário, por sua vez, não a trata adequadamente. Como resolver esse imbróglio?

A Educação e a Saúde conjugadas com fiscalização severa são as bases da solução dessa equação. Temos que investir pesado nelas. Na semana passada, ouvimos o secretário de Educação informar que, em 2019, 20 mil alunos de Nível Médio ficarão fora das salas de aula, ao mesmo tempo em que só temos notícias desabonadoras sobre os sistemas de Saúde. E a fiscalização, por onde anda? Como iremos progredir e gerar melhores condições de vida para população se os mais importantes pilares não apresentam solidez?

*Presidente executivo da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj)

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