Bolsonaro aceita mexer em pontos da Reforma da Previdência

Presidente sinaliza reduzir de 62 para 60 anos a idade que mulher irá se aposentar, mexer na pensão por morte e no BPC

Por O Dia

presidente bolsonaro no café da manhã com jornalistas
presidente bolsonaro no café da manhã com jornalistas -

Rio - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sinalizou nesta quinta-feira que pode alterar três pontos da PEC 6, que trata da Reforma da Previdência, enviada semana passada ao Congresso Nacional. Um deles é baixar de 62 anos, como foi proposto inicialmente pelo governo, para 60 anos a exigência da idade mínima para mulheres conseguirem se aposentar. O segundo recuo indicado pelo presidente diz respeito às regras de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. E a terceira possibilidade de alteração na proposta original é em relação às pensões por morte. Segundo Bolsonaro, o percentual do benefício poderia subir de 60% para 70%.

"Eu acho que dá para cortar um pouco de gordura e chegar a um bom termo. Muita coisa vai ser atenuada aí (na PEC), mas não vai desfigurar a alma da proposta", admitiu Bolsonaro.

Sobre o benefício para idosos carentes, com a proposta do governo defendida pela equipe chefiada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ganharia um salário mínimo (R$ 998) apenas os segurados com mais de 70 anos de idade, com uma variação de R$ 400 para quem tem de 60 a 70 anos. Hoje, quem tem 65 anos e não possui renda pode requerer o pagamento. O presidente Bolsonaro admitiu que pode haver alguma revisão sobre o BPC.

Há espaço para negociar

As declarações sobre a possibilidade de recuar nas propostas foram dadas durante um café da manhã do presidente com jornalistas, no Palácio do Planalto. Mais tarde, a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), confirmou a iniciativa de haver modificações para que ocorram negociações no Congresso. Ela disse ter se reunido com a equipe econômica logo após o presidente ter falado sobre o assunto com os jornalistas.

"O que (o presidente) está fazendo é mandar recado, dizer que está disposto a negociar", ressaltou a líder.

Mesmo se dizendo com disposição para negociar com o Congresso, Bolsonaro afirmou que a não abre mão da essência do projeto. O presidente salientou que sem a Reforma da Previdência poderá haver consequências negativas para o país, como alta do dólar, queda da Bolsa de Valores, suspensão de pagamento a servidores e enfraquecimento do governo.

Joice Hasselmann confirmou que o governo negocia emendas e cargos para viabilizar a aprovação da PEC, o que considerou um movimento "saudável", parte do processo político. A PEC 06 só deve começar a tramitar após o Carnaval, com a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevista para o dia 12 de março.

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