Presidente da Câmara, Rodrigo Maia - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara, Rodrigo MaiaCleia Viana/Câmara dos Deputados
Por MARTHA IMENES
Rio - Os próximos dias serão decisivos para a Reforma da Previdência. Isso porque acordos entre partidos de centro e oposição devem garantir a aprovação do texto da reforma na comissão especial ainda esta semana. O que ainda é incerto é a reinclusão dos estados e municípios na proposta. Hoje o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que costuram os acordos, terão reuniões com governadores para tratar do assunto. A informação foi divulgada pelo presidente da Câmara em sua conta no Twitter.
Maia conta que o presidente do Senado também está articulando os acordos e que a pauta também está sendo discutida com a equipe econômica. "A pauta já está combinada, não vai tirar nenhuma receita do governo federal, mas sim tentar construir um apoio a municípios e estados", disse Maia no podcast. "Muitos estados estão com problemas e a primeira solução é a Previdência, então a gente quer a participação dos governadores", acrescentou o deputado.
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Maia tentou, sem sucesso, costurar um acordo com as legendas que apoiam a medida para que nenhuma delas apresente destaques ao texto de Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão. Isso evitaria a desidratação da proposta e, principalmente, atrasos na conclusão da votação no colegiado. O principal impasse nesse ponto parte do PSL, que quer afrouxar as regras para aposentadoria dos servidores da segurança pública nos estados e municípios.
Outros partidos, como o PSDB, pressionam por mudanças na regra de cálculo e podem pleitear alterações na questão das pensões, mas estão dispostos a seguir a orientação de Maia. Já o PSB, partido que se coloca na oposição, deve manter um destaque que pede revisão do fim do repasse dos recursos do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) ao BNDES.
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Apesar de as lideranças darem como certa a leitura do voto complementar de Samuel Moreira hoje, o evento ainda não foi registrado no site da Câmara. O presidente da Câmara tem afirmado que, mesmo diante das dificuldades, ele quer manter o calendário e aprovar a reforma no plenário da Câmara, antes do recesso que começa dia 18 de julho.

Porta-voz descarta saída de Lorenzoni
O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não pretende demitir o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Nos primeiros seis meses de governo, três ministros já foram demitidos. O primeiro foi Gustavo Bebianno, que comandava a Secretaria-Geral da Presidência, o segundo, Ricardo Vélez Rodrígues, no Ministério da Educação. A última exoneração foi a de Carlos Alberto dos Santos Cruz, que chefiava a Secretaria de Governo.
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Lorenzoni vem sendo alvo de "fritura" no governo desde que perdeu o comando da articulação política e a supervisão da Subchefia para Assuntos Jurídicos. O futuro do ministro é incerto. Bolsonaro transferiu a articulação política da Casa Civil para a Secretaria de Governo há 12 dias. Agora, o responsável pela negociação do Palácio do Planalto com o Congresso será o general Luiz Eduardo Ramos, que assumirá a Secretaria de Governo no lugar de Santos Cruz.
A Casa Civil também perdeu a Secretaria para Assuntos Jurídicos, que faz a análise de decretos e projetos de lei, além do comando da Imprensa Nacional. Oficialmente, o governo Bolsonaro defende Lorenzoni e ressalta que, apesar da desidratação de sua pasta, ele ficou com o comando do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), que concentra as concessões de infraestrutura do governo e planos de desestatizações.