Signo, raciocínio lógico, perguntas aparentemente sem ligação com o trabalho podem ser feitas na entrevista - Arte: Kiko
Signo, raciocínio lógico, perguntas aparentemente sem ligação com o trabalho podem ser feitas na entrevistaArte: Kiko
Por MARTHA IMENES
Rio - O tema da reportagem de hoje da série Semana do Emprego que O DIA tem feito para para dar uma mãozinha ao candidato vai tratar da hora da entrevista. Passada toda a fase de procura de emprego, entrega de currículo, em alguns casos testes de aptidão, chega a hora de passar pelo recrutador e perguntas nada convencionais aparecem, como signo e ascendente, que bicho se identifica, e até testes de raciocínio (que seria) lógico. E agora? Nada de pânico orientam especialistas.
"O candidato deve agir como em qualquer modelo tradicional de seleção, sendo autêntico, verdadeiro e explorando seus diferenciais, experiências, valores e os motivos que aquela vaga e empresa despertam seu interesse. O selecionador precisa avaliar se, tecnicamente, essas ferramentas utilizadas vão poder, realmente, oferecer subsídios assertivos para avaliar se o candidato é o melhor perfil para aquela vaga", orienta Leyla Nascimento, presidente da Federação Mundial de RH e executiva do grupo Capacitare.
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O signo foi peça chave para que a jovem Sarah Carvalho, de 32 anos, moradora do Recreio, fosse contratada. "Participei de um processo seletivo com muitas perguntas esquisitas. Mas a que mais me chamou atenção foi quando perguntaram meu signo e ascendente. Aparentemente a dona da agência não contratava pessoas que tinham determinados signos. Eu passei no processo seletivo. Mas quem era leonino não entrava na empresa", diz Sarah, que hoje é empresária.
O mesmo aconteceu com a atriz Sorys Vellozo, de 46 anos, do Maracanã. "Em uma entrevista para trainee me perguntaram com qual animal me identificava e o meu signo", conta a atriz, que passou no processo seletivo mas não foi chamada.
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É bom estar preparado para enfrentar não só perguntas inusitadas mas também passar por outros testes. "Algumas ferramentas diferenciadas de seleção, além da entrevista, têm girado em torno de jogos online ou presenciais, atividades de trabalho em equipe lúdicas (como as que usam os espaços como os do Escape 60) e seleção otimizada - com todas as etapas acontecendo num único dia, para que o candidato já saia com todos os testes e avaliações realizados e com o resultado final em si, evitando ficar dias aguardando por um feedback ou tendo que ir à várias etapas, em dias diferentes, para a mesma seleção", explica Leyla Nascimento.

Quantas moedas são necessárias para ter o tamanho do Cristo?
O raciocínio lógico foi o teste pelo qual o jovem administrador Lohan Xavier , 28, de Campo Grande, teve que passar. A reportagem "pediu ajuda aos universitários" porque ficou brabo de identificar a resposta! "Em um processo seletivo perguntaram quantas moedas de R$ 1 eram necessárias para ter o tamanho do Cristo Redentor", conta Lohan, que não passou no processo seletivo.
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Para o economista do Ibmec e da Fundação D. Cabral, professor Gilberto Braga, a pergunta dá margem a duas respostas. "No visual, se você estiver no nível do mar e olhar para o Cristo e segurar a moeda de R$1 nos dedos e ir aproximando da vista como se fosse um tapa olho, a resposta seria uma", diz o professor. Mas pode ser usado também o raciocínio de concurso e pegar o tamanho da moeda de R$ 1 (2,4 cm) e a altura do Cristo Redentor (38 metros) e fazer a conta.
"Sendo quatro moedas equivalentes a 10cm, um metro dá 400. Então é só multiplicar esse total por 38 metros, que é o tamanho do Cristo. Dá umas 15.200 moedas aproximadamente", avalia Gilberto Braga. E brinca: "Acertei?".
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"Nos processos seletivos de hoje é comum encontrarmos perguntas de raciocínio lógico envolvendo assuntos mais próximos à realidade do novo milênio. Principalmente se os candidatos tiverem entre 20 e 30 anos que é o caso do jovem Lohan. Isto acontece porque essa geração é mais 'antenada' e muito mais próxima às novidades da era digital", explica Rita Carvalho, especialista em Desenvolvimento Humano.