Previdência Social - Divulgação
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Por MARTHA IMENES
Rio - O combate às fraudes na concessão de benefícios ganhou dois fortes aliados: Detran-RJ e INSS assinaram ontem Acordo de Cooperação Técnica para brecar a ação de falsários, conforme O DIA antecipou em 6 de julho. Durante cerimônia no INSS no Rio, o presidente do instituto, Renato Vieira, e o do departamento de trânsito, Luiz Carlos das Neves, assinaram o acordo que viabilizará o cruzamento de dados da identificação civil. Serão verificados benefícios concedidos e os que estão em processo de análise.
O Detran vai dispor do banco de dados, com 25 milhões de informações biográficas e biométricas da população do estado. O trabalho conjunto permitirá identificar fraudes mais rapidamente. Mentor do projeto, o gerente da agência da Praça da Bandeira, Rafael Godois Teixeira, conta que teve a ideia de cruzar os dados quando, há cinco anos, detectou fraude em concessões no posto.
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De lá pra cá, o servidor explicou que buscou o Instituto Félix Pacheco (IFP) e em seguida o Detran para que juntos pudessem fazer o cruzamento de informações para verificar se os documentos entregues no posto do INSS eram verdadeiros. "Foi um trabalho longo, que demandou muita cooperação de todos os envolvidos e a nova direção do órgão apostou no combate à fraude", disse. "Com a MP 871 (de combate à fraude) o projeto ganhou mais apoio e será piloto na gerência Rio, que tem 22 agências", acrescenta.
O projeto será expandido a todo estado já no segundo semestre e a expectativa é de que outras unidades da Federação também adotem a medida.  Teixeira informou que somente com o cruzamento de informações do IFP foi possível identificar, e prender, 23 pessoas que tentavam dar entrada em benefícios na agência da Praça da Bandeira.
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A parceria permitirá ainda que os servidores façam consultas não somente pelo nome ou data de nascimento do segurado, mas também pelo nome dos pais ou captura das digitais ou nome social. "Será um duro golpe nas fraudes e o Rio é pioneiro nesse combate", comemora Rafael, que é servidor público há 14 anos.
Burocracia emperra o atendimento
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O DIA tem recebido várias denúncias de segurados, que amargam longa espera na concessão do benefício, e de servidores, que questionam o tratamento que a Superintendência Sudeste tem dado ao atendimento no estado.
"O Rio foi relegado a último plano. Até os contratos de manutenção do instituto saíram do Rio e estão em Minas. E isso dificulta que qualquer agência possa tomar medidas mais rápidas para resolver qualquer problema na unidade", disse um servidor que pediu para não se identificar.
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E o resultado da dificuldade na manutenção foi flagrada pela TV Globo. Após encarar mais de 60 quilômetros entre Santa Cruz, na Zona Oeste, ao Centro do Rio, o cadeirante Jorge Crim, 62 anos, precisou enfrentar um novo problema para tentar fazer perícia médica. Por conta de um elevador quebrado, ele foi obrigado a subir, sentado, as escadas da agência na Avenida Marechal Floriano.
De acordo com a reportagem, Crim chegou ao posto e foi avisado que o elevador não estava funcionando. O professor então foi aconselhado a remarcar a consulta. Ele já tinha enfrentado o mesmo problema há seis meses, quando precisou reagendar a perícia devido ao mesmo elevador quebrado. Sem saída, ontem subiu os degraus se arrastando pelos degraus da escada.
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O INSS informou que as perícias médicas prestadas nas agências são feitas por peritos federais que não são vinculados ao instituto. O órgão alegou que não tem acesso à forma de agendamento para os exames nas unidades. O INSS acrescentou que "o reparo do equipamento foi solicitado e será concluído o mais breve possível".