Excesso de trabalho, estresse elevado

Mudanças previstas na Medida Provisória 905 aumentam a carga de trabalho de comerciários. Confederação entrou com ação no STF contestando pontos da MP

Por MARTHA IMENES

STRESS
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Os trabalhadores têm uma difícil missão pela frente: conciliar as atividades aos domingos e feriados, sem restrições, com as rotinas do dia a dia, além de enfrentar longos períodos no transporte e afazeres domésticos, por exemplo. Especialistas advertem que a sobrecarga de trabalho, autorizada pela Medida Provisória 905, que criou o programa Verde Amarelo, pode levar ao aumento do nível de estresse e predispor as pessoas a doenças. Os principais afetados com essa medida são os bancários, que teriam que trabalhar aos sábados, e comerciários, que inclusive questionam na Justiça as novas regras. O DIA pegou dicas para ajudar o leitor a lidar com o estresse diante dessa sobrecarga de trabalho.

De acordo com a Previdência Social, atualmente, o estresse no ambiente de trabalho é considerado o terceiro motivo que mais provoca afastamento por mais de 15  dias. No mundo todo, 30% dos trabalhadores ocupados sofrem com transtornos mentais e comportamentais, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em maio, a Síndrome de Burnout foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como resultado de estresse crônico no trabalho.

Segundo  Tatiane Paschoal, doutora em psicologia social, do trabalho e das organizações pela Universidade de Brasília (UnB), o Burnout é resultado da sobrecarga e de condições ruins de trabalho. "Quando o estresse vira rotineiro e elevado a pessoa se sente exausta e não encontra mais significado no trabalho", explica.

Fugir do estresse muitas vezes não é possível, mas o trabalhador pode se preparar para não sentir seus efeitos. "Ao acordar, alongue-se. Prepare os músculos e tendões para enfrentar a longa jornada", orienta Gizeli Porto, fisioterapeuta especialista em acupuntura e coaching.

 

Terapeuta dá dicas de prática 'zen' em casa

Evite discussões, se sentiu que começou a se alterar, busque conversar em um outro momento ou após as refeições, onde o nível de prazer e saciedade está mais alto no organismo, favorecendo a boas soluções.

Busque criar metas dentro da casa, alternando os dias para não sobrecarregar o corpo. Leia livros e assista filmes positivos para elevar os pensamentos e estimular o corpo a produzir sensação de bem-estar.

"Ao chegar em casa, com o corpo cansado, procure se alimentar e deitar por 1h para restaurar a circulação do corpo. Isso diminui inchaços e dores nas pernas, além de melhorar a circulação corporal e a rigidez do corpo. Somente depois, faça as tarefas", orienta a terapeuta Gizeli Porto.

 

Medida afeta comerciários e bancários

O trabalho aos domingos e feriados sem restrições no comércio já havia sido rejeitado no Senado, mas o tema voltou na MP 905. E isso fez com que a a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) ajuizasse uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6.267) no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de suspensão de dispositivos da MP. Segundo a confederação, ao editar a medida provisória que altera mais uma vez a legislação trabalhista, o governo inseriu uma matéria rejeitada pelo Senado, o que é vedado pela Constituição.

A entidade sindical sustenta ainda que a liberação para o trabalho aos domingos e feriados no comércio pressupõe a autorização em convenção coletiva da categoria. Para a confederação, não há justificativa para a alteração, que pode obrigar os empregados do setor a trabalhar três domingos por mês e folgar apenas um, o que para a CNTC, seria um retrocesso social. Após negociação entre representantes dos bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) regras de trabalho dos funcionários continuam como estão: jornada de seis horas diárias de segunda a sextafeira. Valores e regras da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) continuam negociados com os sindicatos da categoria.

Como prevê a atual convenção coletiva do bancários, o trabalho aos sábados somente será permitido se houver negociação com sindicatos.

Confira outras mudanças que constam na MP

Lançada em 11 de novembro, a Medida Provisória 905/2019 altera pontos da legislação trabalhista e cria o Contrato de Trabalho Verde Amarelo, que dá incentivos a empresas para contratar jovens entre 18 e 29 anos, sem experiência na carteira, pelo prazo determinado de dois anos. Para bancar a iniciativa, o governo anunciou que irá taxar o seguro-desemprego. A estimativa oficial é de 1,8 milhão de vagas de emprego em um prazo de três anos.

Entre as principais condições criadas para incentivar as contratações na modalidade estão: isenção das alíquotas do Sistema S, do salário-educação e da contribuição patronal de 20%  para o FGTS. As mudanças geram um corte de até 34% dos impostos pagos sobre a folha.

A MP também prevê redução de 8% para 2% do valor do salário na contribuição do empregado para o Fundo do Tempo de Serviço (FGTS) e da multa de 40% para 20% - podendo ser resgatado também em casos de demissão por justa causa.

Outra iniciativa é a antecipação de pagamentos, como férias, 13º salário e saldo do FGTS.

 

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