Pelo menos um terço dos estabelecimentos do setor deverão fechar as portas definitivamente caso não haja uma contrapartida do governo federal - Thomaz Silva / Agência Brasil
Pelo menos um terço dos estabelecimentos do setor deverão fechar as portas definitivamente caso não haja uma contrapartida do governo federalThomaz Silva / Agência Brasil
Por O Dia
Rio - Os efeitos da pandemia do coronavírus poderão ser devastadores não só na economia como também na cultura histórico-gastronômica do Rio de Janeiro caso o governo federal não efetive o socorro ao setor de comércio e indústria. De acordo com o presidente do SindRio (Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro), Fernando Blower, pelo menos um terço dos estabelecimentos do setor deverão fechar as portas definitivamente caso não haja uma contrapartida do governo Bolsonaro.

“Se esta ajuda não vier, podemos esquecer bares e restaurantes como conhecemos até então. Pelo menos um terço dessas empresas não voltará a reabrir. E este número ainda pode aumentar muito dependendo do tempo que a crise se estender. E eu estou falando de marcas queridas, que fazem parte da vida do carioca, da nossa cultura, onde levamos nossos filhos, íamos com nossos pais. Bares e restaurantes que fazem parte da memória cultural da cidade. E isso tem impacto no turismo, em tudo. Por isso, precisa ser olhado com muito carinho”, defende Blower.

A declaração do empresário foi feita numa live no Instagram do Presidente da Comissão de Indústria e Comércio da Câmara Municipal, vereador Rafael Aloísio Freitas, que fez coro com as palavras do dirigente.

“O único ente federativo capaz de efetivar esta ajuda é o governo federal. Vai ser preciso intervir para equilibrar este jogo. Até então está havendo uma dificuldade muito grande na operacionalização das linhas de crédito. Não estão chegando até a ponta, ao micro e pequeno empresário” diz Rafael Aloísio Freitas.

O presidente do SindRio disse ainda que o governo brasileiro poderia e deveria se espelhar nos exemplos dos EUA, sempre tão elogiados pelo presidente Jair Bolsonaro. E lamenta que isso ainda não esteja sendo cogitado.

“Nossa economia está sendo conduzida por uma lógica liberal que não faz sentido neste momento. Os EUA são extremamente liberais e fazem o oposto, injetando dinheiro a fundo perdido de forma agressiva em bares e restaurantes. Aqui é empréstimo que ninguém sabe se no futuro vai ter como pagar. Pensar em fundo perdido neste momento não é uma loucura. Pelo contrário. É fazer com que o tecido social não se destrua completamente”, avaliou.

O setor de bares e restaurantes gera, somente na cidade do Rio de Janeiro, 110 mil empregos diretos e 500 mil indiretos, com 10 mil estabelecimentos que são responsáveis por R$ 9 bilhões do PIB do município.

“A gente vai gastar menos se investir agora e socorrer o setor. O que é do nosso alcance, em nível municipal, estamos fazendo. Taxa de licenciamento sanitário, cujo vencimento era foi ontem (30 de abril), conseguimos estender o pagamento para o fim de junho. Estamos trabalhando para isentar o pagamento das TUAPs (Taxas de Uso de Área Pública) de um trimestre. Se as áreas públicas não estão sendo usadas, os bares e restaurantes não têm que pagar por isso. E, por último, o IPTU, que só falta o prefeito assinar o projeto já aprovado na Câmara, que concede 20% de desconto ou a possibilidade de pagar as próximas parcelas somente a partir de agosto”, completou Rafael Aloísio Freitas.