O anúncio do megapacote do governo, que seria feito na terça-feira junto com o programa Casa Verde e Amarela, foi adiado. O motivo? Queda de braço entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes sobre o valor do benefício que será pago no Renda Brasil, carro chefe do programa Pró-Brasil, que vai juntar medidas que já estão em discussão no governo e no Congresso e colocar o "selo Bolsonaro" como se fosse novidade. Inclusive a volta da CPMF, que terá um outro nome, e o Renda Brasil, que seguirá os mesmos moldes do Bolsa Família, criado no governo Lula.
Esse "novo" programa social vai atender 20 milhões de famílias, 6 milhões a mais que o atual. O valor que causa atrito entre Bolsonaro e Guedes: o ministro defende R$ 247 - R$ 57 a mais do que é pago hoje (R$190) - mas o presidente quer R$ 300. E, segundo senador Major Olímpio (PSL-SP), os R$ 300 devem vingar. "O presidente quer usar como mote que pagou mais que o Bolsa Família do PT e que trouxe mais 6 milhões de pessoas para o programa", diz o senador.
Para dar conta da despesa anual superior a R$ 50 bilhões do Renda Brasil - lembrando que o Bolsa Família custa R$ 30 bilhões por ano -, a equipe de Paulo Guedes sugeriu acabar, por exemplo, com o abono salarial do PIS-Pasep. E neste ponto surge um novo embate: Bolsonaro é contra a retirada dos recursos de outros programas e suspendeu o anúncio do Renda Brasil. "A proposta como apareceu para mim não será enviada ao parlamento. Não posso tirar de pobre para dar a paupérrimos", disse. E para custear o programa, ganha força a nova CPMF.
A afirmação do presidente foi criticada pela cientista política e professora da Faculdade de Ciências Sociais da Unirio, Clarisse Gurgel. Segundo ela, Bolsonaro está usando os programas sociais como moeda de troca visando as eleições de 2022. "Às vésperas da disputa, ele instrumentaliza a miséria. Isso nada mais é do que clientelismo institucional".
Retomada de obras
O governo também deve anunciar no Pró-Brasil ações na área das contas públicas, para viabilizar a execução de obras. Seriam unidas três medidas de ajuste nas contas públicas, que compõem o Pacto Federativo, em uma única nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), com modificações para permitir ao governo acionar, já em 2021, os mecanismos de contenção de gastos.
Pelas propostas ficariam proibidos reajustes, criação de cargos, ajustes em carreiras, contratações e realização de concurso público.
Devem ser anunciadas ainda as privatizações do Porto de Santos, dos Correios e da PPSA, que é a estatal responsável pela parte do governo nos contratos do pré-sal.
Desoneração da folha
Entre as medidas a serem anunciadas também está a desoneração da folha de pagamentos das empresas para a faixa salarial de até um salário mínimo (R$ 1.045). A desoneração tem sido cobrada pelo senador para dar fôlego ao setor de serviços.
Em entrevista ao jornal O DIA, o senador chegou a afirmar que as medidas, que deveriam vir no bojo da Reforma Tributária, estariam sendo barganhadas pelo ministro da Economia Paulo Guedes com a "velhidade" da nova CPMF, que terá outro nome. Segundo o senador, Guedes estaria dizendo a Bolsonaro: "Me dá a CPMF que e eu te dou o Renda Brasil".
Sem a 'marca vermelha'
As críticas do então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, aos programas sociais de governos petistas ficaram para trás. Vitrine do governo Dilma Rousseff, o Minha Casa Minha Vida foi rebatizado de Casa Verde Amarela. E o Bolsa Família, criado pelo governo Lula em 2004, passará a ser chamado de Renda Brasil. Na avaliação de cientistas políticos, Bolsonaro está rebatizando os programas sociais para tirar a "marca vermelha" das gestões anteriores.
Cabe relembrar que quando era deputado federal, Bolsonaro em discurso na Câmara, afirmou que o programa (Bolsa Família) levaria o Brasil a uma "ditadura do proletariado", caso fosse mantido. "Devemos discutir aqui a questão do Bolsa Família. Devemos colocar um fim, uma transição para o Bolsa Família, porque, cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem Bolsa Família, tornam-se eleitores de cabresto do PT", disse na ocasião.
Eleito, e com a popularidade restrita a 30%, Bolsonaro se viu obrigado a voltar atrás. Para dar cara nova ao que já existe, rebatiza os programas sociais, faz um ajuste aqui outro ali, para garantir apoio dessa parcela da população visando, nada mais, nada menos que a reeleição em 2022.
Para o sociólogo e cientista político Paulo Baía, Bolsonaro "sequestrou" as pautas do PT e PDT. "Renda mínima permanente, juros subsidiados para financiamento de imóveis populares, crédito diferenciado para empreendedores individuais, micro, pequenos e médios negócios. O subsídio às folhas de pagamento de grandes empresas em troca de estabilidade dos empregos, são exemplos disso".
"A campanha de 2022 já começou, o presidente se apropriou de quase todos os discursos do PT e demais partidos de oposição. Deixou com a oposição a pauta da moral, costumes e identitária, que os faz minorias junto ao eleitor, como quer Bolsonaro", finaliza.
Esse "novo" programa social vai atender 20 milhões de famílias, 6 milhões a mais que o atual. O valor que causa atrito entre Bolsonaro e Guedes: o ministro defende R$ 247 - R$ 57 a mais do que é pago hoje (R$190) - mas o presidente quer R$ 300. E, segundo senador Major Olímpio (PSL-SP), os R$ 300 devem vingar. "O presidente quer usar como mote que pagou mais que o Bolsa Família do PT e que trouxe mais 6 milhões de pessoas para o programa", diz o senador.
Para dar conta da despesa anual superior a R$ 50 bilhões do Renda Brasil - lembrando que o Bolsa Família custa R$ 30 bilhões por ano -, a equipe de Paulo Guedes sugeriu acabar, por exemplo, com o abono salarial do PIS-Pasep. E neste ponto surge um novo embate: Bolsonaro é contra a retirada dos recursos de outros programas e suspendeu o anúncio do Renda Brasil. "A proposta como apareceu para mim não será enviada ao parlamento. Não posso tirar de pobre para dar a paupérrimos", disse. E para custear o programa, ganha força a nova CPMF.
A afirmação do presidente foi criticada pela cientista política e professora da Faculdade de Ciências Sociais da Unirio, Clarisse Gurgel. Segundo ela, Bolsonaro está usando os programas sociais como moeda de troca visando as eleições de 2022. "Às vésperas da disputa, ele instrumentaliza a miséria. Isso nada mais é do que clientelismo institucional".
Retomada de obras
O governo também deve anunciar no Pró-Brasil ações na área das contas públicas, para viabilizar a execução de obras. Seriam unidas três medidas de ajuste nas contas públicas, que compõem o Pacto Federativo, em uma única nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), com modificações para permitir ao governo acionar, já em 2021, os mecanismos de contenção de gastos.
Pelas propostas ficariam proibidos reajustes, criação de cargos, ajustes em carreiras, contratações e realização de concurso público.
Devem ser anunciadas ainda as privatizações do Porto de Santos, dos Correios e da PPSA, que é a estatal responsável pela parte do governo nos contratos do pré-sal.
Desoneração da folha
Entre as medidas a serem anunciadas também está a desoneração da folha de pagamentos das empresas para a faixa salarial de até um salário mínimo (R$ 1.045). A desoneração tem sido cobrada pelo senador para dar fôlego ao setor de serviços.
Em entrevista ao jornal O DIA, o senador chegou a afirmar que as medidas, que deveriam vir no bojo da Reforma Tributária, estariam sendo barganhadas pelo ministro da Economia Paulo Guedes com a "velhidade" da nova CPMF, que terá outro nome. Segundo o senador, Guedes estaria dizendo a Bolsonaro: "Me dá a CPMF que e eu te dou o Renda Brasil".
Sem a 'marca vermelha'
As críticas do então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, aos programas sociais de governos petistas ficaram para trás. Vitrine do governo Dilma Rousseff, o Minha Casa Minha Vida foi rebatizado de Casa Verde Amarela. E o Bolsa Família, criado pelo governo Lula em 2004, passará a ser chamado de Renda Brasil. Na avaliação de cientistas políticos, Bolsonaro está rebatizando os programas sociais para tirar a "marca vermelha" das gestões anteriores.
Cabe relembrar que quando era deputado federal, Bolsonaro em discurso na Câmara, afirmou que o programa (Bolsa Família) levaria o Brasil a uma "ditadura do proletariado", caso fosse mantido. "Devemos discutir aqui a questão do Bolsa Família. Devemos colocar um fim, uma transição para o Bolsa Família, porque, cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem Bolsa Família, tornam-se eleitores de cabresto do PT", disse na ocasião.
Eleito, e com a popularidade restrita a 30%, Bolsonaro se viu obrigado a voltar atrás. Para dar cara nova ao que já existe, rebatiza os programas sociais, faz um ajuste aqui outro ali, para garantir apoio dessa parcela da população visando, nada mais, nada menos que a reeleição em 2022.
Para o sociólogo e cientista político Paulo Baía, Bolsonaro "sequestrou" as pautas do PT e PDT. "Renda mínima permanente, juros subsidiados para financiamento de imóveis populares, crédito diferenciado para empreendedores individuais, micro, pequenos e médios negócios. O subsídio às folhas de pagamento de grandes empresas em troca de estabilidade dos empregos, são exemplos disso".
"A campanha de 2022 já começou, o presidente se apropriou de quase todos os discursos do PT e demais partidos de oposição. Deixou com a oposição a pauta da moral, costumes e identitária, que os faz minorias junto ao eleitor, como quer Bolsonaro", finaliza.
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