Debaixo do sol escaldante e cansado de tanto ir e vir à Caixa Econômica Federal em Bonsucesso, Gilson Adelino Soares, 45 anos, morador da Vila dos Pinheiros, na Maré, senta na calçada na frente do banco na Rua Cardoso de Moraes, em Bonsucesso, e lamenta: "Não aguento mais vir ao banco, cada hora é uma coisa. No computador mostra que o auxílio emergencial está depositado, mas não consigo movimentar porque a senha do aplicativo não funciona. Venho aqui (na Caixa), mexem no telefone e nada se resolve. Meus remédios estão acabando e não tenho de onde tirar dinheiro".
Desempregado e carregando uma sacola com a medicação que utiliza, ele conta que recebeu apenas uma das cinco parcelas do benefício que deveria "acudir" a população mais prejudicada pela crise provocada pela pandemia de coronavírus. Os R$ 300? Ele nem sabe se vai receber. "Não consigo nem os R$ 600..." De acordo com a nova norma, o auxílio emergencial será pago somente até dezembro, passado esse prazo, nada feito.
Desempregado e carregando uma sacola com a medicação que utiliza, ele conta que recebeu apenas uma das cinco parcelas do benefício que deveria "acudir" a população mais prejudicada pela crise provocada pela pandemia de coronavírus. Os R$ 300? Ele nem sabe se vai receber. "Não consigo nem os R$ 600..." De acordo com a nova norma, o auxílio emergencial será pago somente até dezembro, passado esse prazo, nada feito.
Indignada, Maria Aparecida dos Santos, 37, moradora da comunidade do Mandela, em Bonsucesso, esperava do lado de fora do banco a atualização do aplicativo para tentar movimentar os recursos do auxílio. Esta era sua quarta ida à agência da Caixa. "Fiquei 1h30 dentro do banco de novo para desinstalar e instalar o aplicativo. E mais uma vez fui orientada a voltar pra casa e esperar, mas vou ficar aqui esperando dar o tempo (1h) para a senha atualizar e se não resolver, vou entrar de novo na fila", reclama Aparecida que em vídeo fez o seu desabafo: "Meu aluguel está atrasado há dois meses. Fizeram um auxílio 'emergencial' e eu não sei que emergencial é esse! A gente está aqui porque precisa".
Outro que amargava a espera na fila do banco, José Lúcio Nascimento, 45, do Mandela, queria saber o motivo de o aplicativo mostrar a mensagem de que ele está empregado se, quando fez o cadastro, ele já estava desempregado e não recebe seguro desemprego. "Vou tentar ligar para o número que peguei na agência para ver o que houve", diz o desempregado, que não recebeu nenhuma parcela do auxílio.
"Recebi as parcelas do auxílio no banco, o aplicativo nunca funcionou", conta Gleice esteves da Silva, 43, da Piedade, que estava há quase 1h na fila da Caixa do Méier. "Vim várias vezes tentar liberar o acesso e fazer senha e nada", reclama. Nascida em março, Gleice só vai poder sacar o benefício no final de setembro. "Queria saber por que criaram um aplicativo que ao invés de ajudar, atrapalha", questiona.
Em outro bairro, na Lapa, Cláudia Silva, 54, foi outra pessoa a não conseguir movimentar os recursos via aplicativo, somente indo ao banco. "Tentei por várias vezes usar o Caixa Tem, vim ao banco um monte de vezes, até que desisti e até tirei o aplicativo do meu telefone. Ele não serve pra nada, só para ocupar memória", diz.
Autônoma, Sônia Moreira Ramos, 55, de Vigário Geral, estava pela quarta vez na Caixa da Rua do Riachuelo, na Lapa, para tentar "passar de fase". "No Caixa Tem quando digito o meu CPF e clico em 'não sou robô' o aplicativo fica girando, girando e não passa adiante", explica. Das cinco parcelas que o Ministério da Cidadania liberou Sônia só conseguiu receber duas. "Tenho problema de coração e tomo remédio todos os dias. Por causa desse problema minha pressão não desce, vivo nervosa", conta a trabalhadora, que assim como os demais estava debaixo do sol na fila do banco.
"Olhei meu saldo de manhã no aplicativo Caixa Tem e o benefício foi depositado, agora fui tentar pagar uma conta e o dinheiro não estava mais lá", diz o autônomo Henrique Senna, 46, morador do Centro, que estava na fila para saber o que foi feito do dinheiro. "Além de ser um valor baixo ainda é problemático para receber", lamenta.
Senador aponta problema. Caixa nega
Essas são algumas das histórias de pessoas que têm enfrentado dificuldades com o aplicativo Caixa Tem criado pela Caixa para facilitar o pagamento do auxílio emergencial. Procurado reiteradas vezes pelo jornal O DIA o banco diz que o aplicativo está em pleno funcionamento, mas não foi isso que constatamos mais uma vez. As dificuldades têm nomes, sobrenomes, são trabalhadores informais, autônomos, desempregados, microempreendedores e mães chefes de família que viram sua fonte de renda desaparecer por conta da covid-19.
Tantas queixas sem resposta fizeram com que o senador Major Olímpio (PSL-SP) questionasse a Caixa sobre os motivos de tantos trabalhadores que fazem jus ao benefício amargarem horas e horas na fila à espera de uma solução. Em ofício enviado no ultimo dia 2, o senador pontua os problemas do Caixa Tem e afirma que, ao contrário do que a instituição informa, o aplicativo não tem atendido toda a população.
"Apesar das reiteradas falhas objeto de reclamações a Caixa Econômica tem se posicionado, dizendo que o aplicativo está em seu normal funcionamento, mas isso não corresponde à verdade trazida pela população que está necessitando de acesso a esses recursos", escreveu o senador.
"É válido e fundamental ressaltar, que nesse momento de crise que estamos vivendo em razão da pandemia, o auxílio emergencial tem sido para milhões de brasileiros a única fonte de sustento familiar, uma vez a impossibilidade de trabalho com o isolamento necessário para controle da disseminação do vírus", continua no ofício.
E solicita: "Por isso, requeiro a Vossa Excelência a imediata solução dessa demanda, uma vez que o acesso a esse recurso é questão de dignidade para a população mais carente, que é ainda mais violentamente afetada pela crise gerada, e não pode ter atraso no acesso ao auxílio por ser medida necessária para sua subsistência e de sua família".
"Apesar das reiteradas falhas objeto de reclamações a Caixa Econômica tem se posicionado, dizendo que o aplicativo está em seu normal funcionamento, mas isso não corresponde à verdade trazida pela população que está necessitando de acesso a esses recursos", escreveu o senador.
"É válido e fundamental ressaltar, que nesse momento de crise que estamos vivendo em razão da pandemia, o auxílio emergencial tem sido para milhões de brasileiros a única fonte de sustento familiar, uma vez a impossibilidade de trabalho com o isolamento necessário para controle da disseminação do vírus", continua no ofício.
E solicita: "Por isso, requeiro a Vossa Excelência a imediata solução dessa demanda, uma vez que o acesso a esse recurso é questão de dignidade para a população mais carente, que é ainda mais violentamente afetada pela crise gerada, e não pode ter atraso no acesso ao auxílio por ser medida necessária para sua subsistência e de sua família".
Após uma longa explicação sobre o aplicativo e seu posicionamento no ambiente bancário, a Caixa informou que "a solução encontra-se bastante estável, rápida e na maior parte do tempo o acesso é imediato sem a necessidade de espera virtual, utilizada somente em momentos de grande concentração de acessos (pico)."
E acrescentou que "quando alguma suspeita ou inconsistência é identificada, em último caso, o cidadão precisa comparecer a uma unidade da Caixa para realizar a identificação e atualização cadastral, de forma a regularizar o seu acesso e manter a sua segurança e do seu benefício".
A Caixa não respondeu, entretanto, porque os beneficiários mesmo comparecendo ao banco e comprovando sua identidade e fazendo atualização cadastral, o aplicativo continua dando erro e os cidadãos precisam retornar ao banco inúmeras vezes.
Para o senador Major Olímpio, a resposta do banco foi protocolar. "Se eles escamoteiam assim numa resposta oficial a um questionamento oficial de um senador da Comissão de Assuntos Econômicos imagina o que não tripudiam sobre os milhões de pessoas que não podem e não têm como cobrar! É vergonhoso!". E finaliza: "Nada disso (que a Caixa respondeu) corresponde à verdade sofrida das pessoas nas filas".
E acrescentou que "quando alguma suspeita ou inconsistência é identificada, em último caso, o cidadão precisa comparecer a uma unidade da Caixa para realizar a identificação e atualização cadastral, de forma a regularizar o seu acesso e manter a sua segurança e do seu benefício".
A Caixa não respondeu, entretanto, porque os beneficiários mesmo comparecendo ao banco e comprovando sua identidade e fazendo atualização cadastral, o aplicativo continua dando erro e os cidadãos precisam retornar ao banco inúmeras vezes.
Para o senador Major Olímpio, a resposta do banco foi protocolar. "Se eles escamoteiam assim numa resposta oficial a um questionamento oficial de um senador da Comissão de Assuntos Econômicos imagina o que não tripudiam sobre os milhões de pessoas que não podem e não têm como cobrar! É vergonhoso!". E finaliza: "Nada disso (que a Caixa respondeu) corresponde à verdade sofrida das pessoas nas filas".
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