Edifício-sede do Banco Central - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Edifício-sede do Banco CentralMarcello Casal Jr/Agência Brasil
Por O Dia
Brasília - Após a segunda reunião seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter, por unanimidade, a taxa Selic, conhecida também como taxa básica de juros, em 2,00% ao ano. A Selic segue no menor piso da série histórica, iniciada em junho de 1996. O mercado já aguardava a manutenção da taxa neste percentual. Embora a taxa tenha permanecido no mesmo patamar, a entidade ressaltou os riscos que podem ocorrer no país. 
Para o Copom, no cenário externo, a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração, em parte devida à ressurgência da pandemia em algumas das principais economias. "Há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da Covid-19. Contudo, a moderação na volatilidade dos ativos financeiros segue resultando em um ambiente relativamente favorável para economias emergentes", diz o BC no comunicado. 
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Na avaliação do Copom, houve uma inflação acima do esperado, contribuída pelo alta nos preços dos alimentos e de bens industriais, consequência da depreciação da moeda real, da elevação de preço das commodities e dos programas de transferência de renda. "Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que esse choque é temporário, mas monitora sua evolução com atenção", afirmam o BC.
O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. O nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, principalmente concentrada no setor de serviços. Esse risco pode se intensificar caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.
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Por outro lado, o prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.
Selic
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A Selic é uma das taxas do Banco Central para o cumprimento da meta de inflação. Quando a inflação está alta ou mostra que estará acima da meta, o Copom eleva a Selic. Nesse caminho, os juros cobrados pelos bancos tendem a subir, aumentando o crédito e diminuindo o consumo em razão da redução do dinheiro em circulação na economia. A redução da Selic também afeta aplicações financeiras como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa.