Cresce demanda por profissional cuidador de idosos no mercado de trabalho

Entre 2007 e 2017, a quantidade de cuidadores teve aumento de quase 550% no país

Por Marina Cardoso

CUIDADORA
CUIDADORA -
Rio - Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, uma profissão desponta no mercado de trabalho: a de cuidador de idosos. Segundo o antigo Ministério do Trabalho e Emprego, hoje Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), entre 2007 e 2017, a ocupação passou de 5.263 para 34.051 profissionais empregados em todo o país — um aumento de quase 550%. E os números não devem parar de crescer, já que, segundo o IBGE, a projeção as pessoas com mais de 60 anos cheguem a 43 milhões em 2031. Além disso, em 21 de maio o Senado aprovou projeto de lei que regulamenta a profissão de cuidador. Para exercer a atividade, é preciso ter qualificação e estar prontos para atender essa demanda. Especialistas explicam os requisitos necessário atuar neste segmento.
“Devido ao crescimento da população idosa, a gente tem observado uma procura por profissionais, um aquecimento dessa área. É uma oportunidade que se abre no mercado de trabalho”, explica Patrícia Gomes, coordenadora pedagógica do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac).
Mas, segundo especialistas, o profissional que pretende se profissionalizar como cuidador de idosos deve entender quais são competências e obrigações para atuar na área. “Precisa estar consciente das responsabilidades, cuidados com a higiene, bem-estar e saúde do paciente. Além disso, da necessidade se formalizar”, explica Patrícia.
Para Manoel Silva, especialista de Saúde do Senac-RJ, o cuidador deve ser o elo entre a família e o paciente. “É super importante que tenha habilidades de convívio, pois ele vai ser a conexão entre o idoso e a família. Será o acompanhante do paciente, fazendo atividades de lazer e tarefas rotineiras, seja em domicílio, asilos ou em hospitais”, explica Silva.
Verônica Fonseca, de 47 anos, se especializou depois de já ter ingressado no mercado. “Comecei a trabalhar informalmente, com serviços que pintavam de amigos que me indicavam. Mas depois de um período percebi a urgência em me qualificar, por isso resolvi procurar um curso. A partir da formação, que estou finalizando, terei novas oportunidades e um crescimento profissional”, afirma Verônica.
Já para a estudante Camila Vital, de 32 anos, a busca pela qualificação se tornou um desejo após perceber a alta demanda de profissionais na área. “Moro em Petrópolis, cidade com crescimento grande da população idosa, e estava notando a procura por cuidadores. Por isso, resolvi arriscar e mudar totalmente a minha área profissional. Já estou há quatro meses trabalhando em uma clínica geriátrica”, explica.
Camila afirma que qualificação foi fundamental para entender as necessidades dos pacientes e saber o que compete ao profissional da área. “Foi super importante para entender a dinâmica, proporcionar atividades com eles e estimulá-los para que continuem tendo a sua autonomia”, comentou a cuidadora.
Regulamentação
Para especialistas, com o projeto de Lei aprovado pelo Senado, que regulamenta a profissão de cuidador de idosos, a atividade deve abrir ainda mais oportunidades de trabalho nos próximos anos. A proposta abrange cuidador de crianças e pessoas com deficiência ou doenças raras.
“Acredito na abertura de campo para mais profissionais ingressarem no mercado. Sem falar que irá formar profissionais mais qualificados e com maior entendimento da responsabilidade da sua ocupação”, afirma Patrícia.
Especialista do Senac-RJ, Manoel Silva afirma que a regulamentação tende a estabelecer requisitos que não são tão claros na hora da contratação. “É importante a profissionalização da área, pois fica definido as obrigações dos profissionais”, diz.
Em relação aos requisitos citados pelo especialista, o texto prevê profissionais com Ensino Fundamental completo e curso de qualificação na área (com carga horária de, ao menos, 160 horas), além de idade mínima de 18 anos, bons antecedentes criminais, e atestados de aptidão física e mental.
“No projeto, fica claro que o cuidador não pode aplicar medicação que não seja por via oral e com orientação por prescrição médica e procedimento de alta complexidade”, finaliza Silva.

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