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Cachaça de qualidade garantida

Lei obriga restaurantes a incluir quatro rótulos de destilado do Rio no cardápio

Por leandro.eiro

Rio - Produto tipicamente brasileiro, a cachaça conta com leis estaduais para fortalecer o segmento e ajudar pequenos produtores. Há dois meses, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou um projeto obrigando bares e restaurantes que vendem destilados, como vodka e uísque, a ter no cardápio pelo menos quatro rótulos produzidos no estado. E, a partir de 2018, entra em vigor uma lei federal incluindo os alambiques no simples nacional, regime tributário que deve reduzir em 15% os impostos pagos pelos alambiques.

A partir de 2018%2C entra em vigor a lei federal incluindo os alambiques no simples nacionalDivulgação

Com isso, a perspectiva é que produtores ilegais possam se formalizar. A Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça do estado do Rio (Apacerj) estima que existam mais de 100 produtores informais, que vão ter a oportunidade de se legalizar, reforçando o setor.

Outras iniciativas de fortalecimento do destilado no estado também estão sendo colocadas em prática. A própria entidade elaborou um projeto em parceria com a Secretaria de Estado de Turismo, Sebrae e sistema Firjan, para qualificar funcionários de 55 estabelecimentos comerciais do Rio. O ‘Embaixada da Cachaça’ oferece formação teórica sobre a bebida, dicas de harmonização com pratos e preparo de drinks.

O Rio está em segundo lugar entre os estados que mais exportam o destilado, atrás apenas de São Paulo. Segundo a associação, as cachaças fluminenses representam 50% dos selos de certificação dados pelo Inmetro. Os rótulos também estão conquistando destaque em concursos internacionais. Apesar do esforço da iniciativa privada e do poder público para fortalecer o setor, a lei estadual que obriga restaurantes do Rio a oferecer pelo menos quatro cachaças locais divide opiniões.

Rio está em segundo lugar entre os estados que mais exportam o destiladoDivulgação

Mas a eficácia da lei estadual que obriga a inclusão de quatro cachaças do Rio no cardápio ainda divide opiniões. Kátia Espírito Santo, presidente da Apacerj, ainda teme uma reação negativa dos donos de estabelecimentos. “O sucesso dessa lei vai depender da forma como os empresários vão avaliar essa determinação. Brinco sempre que se a lei é um limão, os restaurantes vão precisar fazer uma caipirinha”, argumenta.

Tito Moraes, proprietário da distribuidora Tonel e Pinga, lançou uma cachaça própria, a Tiziu, no começo do mês. Num primeiro momento, a bebida vai ser vendida numa rede de supermercados de Petrópolis, na Região Serrana, e em um restaurante em Duque de Caxias. Embora veja aspectos positivos na lei estadual, ele acredita que os produtores precisam se mobilizar para pegar carona no projeto. “Pode ser uma forma de incentivar os pequenos produtores. Mas é muito fácil cumprir a lei. Os estabelecimentos só precisam gastar R$ 100 para comprar quatro garrafas. É preciso ter mobilização maior das próprias marcas na divulgação da qualidade do produto para esses estabelecimentos”, sugere.

Estabelecimento especializado em cachaças artesanais

Proprietária da Noo Cachaçaria, aberta há dois anos na Praça da Bandeira, Vanessa Marzano não é diretamente atingida pela lei. Mas defende uma campanha informativa sobre a cachaça de qualidade, para derrubar o estigma negativo. “A lei foi feita para ajudar os produtores. As pessoas bebem muita vodka, muito uísque. E agora estão conhecendo mais a cachaça artesanal, de alta qualidade. É um mercado com muito potencial de crescimento”, diz.

Ela diz, inclusive, que precisou colocar rótulos de cerveja na fachada do bar para atrair clientes. “Eu tirei o nome ‘cachaçaria’ da frente do bar e coloquei rótulos de cerveja para atrair clientes. Servimos só bebidas com cachaça, como sangrias, drinques, caipirinhas. Mas é importante, também, informar ao cliente sobre a bebida. Tem gente que quer virar o copo. Mas a cachaça artesanal, envelhecida no barril, precisa ser degustada, com um copo de água. Não quero ninguém bêbado. Quero que a pessoa deguste a cachaça”, explica Vanessa, que conta com uma equipe treinada para vender a bebida e informar os clientes sobre o destilado.

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