Luiz Fernando Santos Reis: Que cidade é essa?

Poderíamos nos alongar nesta análise, no entanto o que gostaríamos de chamar atenção é que a maior parte dos problemas aqui relatados dependem muito mais de gestão que de recursos

Por O Dia

Muito lixo na Lapa após mais um dia de folia
Muito lixo na Lapa após mais um dia de folia -

Senhor prefeito conhecemos bem a situação em que recebeu, em 2017, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Suas colocações sobre o déficit encontrado procedem. Só com o nosso setor, empresas que constroem, mantém e conservam a infraestrutura da cidade a dívida foi de mais de R$ 1 bilhão. Conhecemos e acompanhamos as dificuldades pelas quais a sua gestão vem atravessando. No entanto, é inadmissível conviver com o estado em que a cidade sem encontra, sem levantar a voz para pedir socorro.

Muitos dos problemas com os quais estamos convivendo são mais de gestão do que de recursos. A cidade está abandonada, as ruas esburacadas, trafegar por elas é uma corrida de obstáculos. Também não é muito diferente de caminhar pelas calçadas, que se transformaram em mercados a céu aberto, vendendo aos gritos, os mais diversos produtos de origem não confiável, concorrendo com os lojistas estabelecidos que pagam IPTU e todos os demais impostos e serviços. As calçadas hoje, sem manutenção são verdadeiras armadilhas, considerando o péssimo estado em que estão.

As ruas, em qualquer bairro da cidade, além de permanentemente sujas e maltratadas, se transformaram em dormitórios e mictórios, exalando um cheiro insuportável. Dá dó ver turistas caminhando pelo Centro Histórico do Rio entre caixotes/casa de moradores de rua e camelôs.

Nossas praças, temos algumas belíssimas com lindos e valiosos monumentos, estão imundas e maltratadas e literalmente entregues aos ratos e as baratas. Ainda se fala que o turismo será uma das alavancas da retomada econômica do estado.

O trânsito é outro ponto que merece destaque. A disputa por espaço entre pedestres que atravessam fora das faixas a qualquer momento, ciclistas que andam pela contramão, ou, hoje no Centro da cidade pelas pistas do VLT, motociclistas em verdadeiro rali entre os carros colocando em risco não só suas vidas, mas também a dos pedestres e motoristas de carros particulares, táxis e ônibus, para muitos dos quais não existe sinal, faixa, limite de velocidade e respeito ao direito do cidadão.

As vias de grande fluxo como Av. Brasil, Linhas Vermelha e Amarela, são obstáculos que precisam ser vencidos no dia a dia dos usuários. Os pontos de drogas e crack ao longo de algumas delas geram para os usuários riscos nos deslocamentos, que não são admissíveis na segunda maior cidade do País.

Poderíamos nos alongar nesta análise, no entanto o que gostaríamos de chamar atenção é que a maior parte dos problemas aqui relatados dependem muito mais de gestão que de recursos. Uma presença permanente e atuante da autoridade coibiria essas práticas que estão deteriorando a imagem e a vida na tão linda Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Luiz Fernando Santos Reis é presidente da Associação de Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj)

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