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Por MARTHA IMENES
A falta de infraestrutura nas ruas de polos industriais da cidade é uma das principais reclamações de empresas localizadas nos distritos industriais de Santa Cruz, que O DIA vem mostrando a precariedade da região desde agosto, Campo Grande, Paciência e Palmares, todos na Zona Oeste. É comum encontrar ruas esburacadas, sem iluminação, sem calçadas adequadas, e sem abrigos para esperar o ônibus, que também "tomaram chá de sumiço".

A Avenida Brasil, principal via de acesso a esses polos na Zona Oeste, padece com engarrafamentos e buracos. Por conta disso, escoar a produção e produtos dessas regiões - que deveria ser uma tarefa relativamente fácil -, tem se mostrado um desafio constante. Para se ter uma ideia, a região abriga 49 empresas. Sendo Campo Grande com o maior número (22), seguida de Santa Cruz, com 16; Palmares tem sete e Paciência, quatro; segundo informações da Companhia Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), responsável por implantar os distritos. A sua manutenção é, constitucionalmente, feita pelas prefeituras dos municípios.

Paliativo
No polo de Santa Cruz, por exemplo, cada vez que chove é uma "emoção". A chuva cria, inclusive, verdadeiros lagos. É possível ver pássaros se banhando na água suja que fica acumulada.
Em uma das visitas que a reportagem de O DIA fez ao local, máquinas da Prefeitura do Rio surgiram, mas desapareceram na semana seguinte. Os buracos, no entanto, permaneceram.

Após muita cobrança e inúmeras denúncias, a prefeitura começou a recapear a via principal no último dia 6. Mas o problema ainda não será resolvido. Segundo o secretário de Infraestrutura Sebastião Bruno, durante reunião com representantes das indústrias na Associação de Empresas do Distrito Industrial (Aedin), esta é uma medida paliativa. A Aedin chamou os candidatos à Prefeitura do Rio para conhecer a região e ouvir as reivindicações das indústrias que ali estão instaladas.

Atualmente é possível ver máquinas na Av. Átila Temporal. Mas, ao invés de asfalto, o que se vê são britas e nenhum avanço. "Eles (representantes da prefeitura) deram prazo de 20 dias, a obra começou em 6 de outubro, e pelo visto não vai terminar nem tão cedo", lamenta um trabalhador do polo.
É importante destacar que as intervenções nos distritos devem abranger, além do pavimento asfáltico, recuperação da rede de drenagem, saneamento, iluminação e sinalização das rodovias.

Um distrito, muitos problemas
Mais de 15 mil empregos diretos e 2,5 mil terceirizados, 14 grandes indústrias, 550 ônibus para transporte de funcionários diariamente, 800 caminhões em trânsito diário e cerca de 2 mil veículos de passeio. Some a isso R$ 260 milhões anuais desembolsados em impostos (estadual e municipal). Estes são alguns dos números do Distrito Industrial de Santa Cruz.

No polo, que deveria ter uma boa contrapartida dos entes públicos, falta iluminação adequada, calçamento e, principalmente, asfalto, as ruas têm verdadeiras crateras. Um risco para quem precisa transitar no local.
É comum ver caminhões quebrados, ainda com as cargas que deveriam ser escoadas da região, carros de passeio com pneus e suspensão avariados pelo caminho, trabalhadores com rostos e roupas cobertos de poeira amargando a longa espera do coletivo, que sumiu do distrito.

Distritos carecem de infraestrutura
Os desafios para quem vai administrar a cidade passam não só por Saúde e Educação, mas também pela revitalização dos quatro distritos industriais da capital, que geram empregos e exportam produtos, fortalecendo a Economia do estado. Diante desse quadro, o jornal O DIA perguntou aos 14 candidatos à Prefeitura do Rio: existe algum projeto para os distritos industriais? Quais são eles? O eleitor pode ver as respostas e avaliar se as propostas contemplam as necessidades de sua região.

Todos os candidatos que responderam ao questionamento veem a região como propulsora da economia e estão, segundo eles mesmos, cientes das necessidades locais.

A reivindicação por melhoria na região dos distritos industriais da capital, que abrigam 49 empresas e indústrias, é antiga. Segundo Paulo Bachur, diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga (Sindicarga) e empresário do ramo de transporte que atende empresas no distrito de Santa Cruz há mais de 20 anos, o descaso dos governos é gritante.

"A nossa briga por um olhar especial a essa importante fonte de renda e trabalho do nosso estado é antiga e vem se agravando nos últimos 4 anos", diz Bachur.

Cabe lembrar que os distritos foram criados na década de 1970 e, desde então, não passaram por obras de infraestrutura.

"Trabalho com logística há mais de 30 anos e, na minha visão, o Distrito Industrial de Santa Cruz é o mais estratégico de todo estado pela sua localização para recebimento dos insumos e distribuição de seus produtos acabados por todo Brasil, podendo utilizar todos os modais para o seu transporte", avalia. E complementa: "O que vimos nos últimos anos foram várias empresas deixando de investir no distrito pela sua péssima reputação na conservação e acesso às indústrias".

Procurados, os candidatos Cyro Garcia (PSTU) e Henrique Simonard (PCO) não enviaram as respostas até o fechamento da edição.

O que dizem os candidatos
"Vamos recuperar toda essa área: em uma ponta da Av. Brasil temos o Porto do Rio e, na outra, o de Itaguaí"
BENEDITA DA SILVA (PT)

"Em parceria com a Codin vamos revitalizá-los, cuidando da sinalização, iluminação e do transporte"
CLARISSA GAROTINHO (PROS)

"Minha gestão fará o ajuste das contas que for necessário para superar questões fundamentais pro Rio"
EDUARDO BANDEIRA DE MELLO (Rede)

"Os programas de revitalização da Av. Brasil vão impactar diretamente estes distritos industriais"
EDUARDO PAES (DEM)

"A prefeitura precisa garantir a infraestrutura necessária para as áreas dos polos industriais, fazendo o que é sua obrigação"
FRED LUZ (Novo)

"Nossa missão à frente da prefeitura é promover bem-estar social com desenvolvimento econômico sustentável"
GLÓRIA HELOIZA (PSC)

"Eu vejo a recuperação da cidade passando pela recuperação da Avenida Brasil, nossa artéria mais importante"
LUIZ LIMA (PSL)

"Um exemplo claro das nossas ações são os trabalhos de terraplanagem e de recapeamento do asfalto ao longo da Av. Átila Temporal"
MARCELO CRIVELLA (REP)

"Um dos projetos mais importantes do nosso plano de ação na área de desenvolvimento beneficia diretamente a região"
MARTHA ROCHA (PDT)

"Temos que sinalizar ao mundo que o Rio vai voltar a ser um bom lugar para se investir arrumando a casa"
PAULO MESSINA (MDB)

"Vamos utilizar a capacidade de compra e investimento da prefeitura para incentivar o surgimento e a manutenção de empresas"
RENATA SOUZA (PSOL)

"Temos o projeto das Zonas de Atividades Concentradas para onde levaremos empresas e indústrias para ativar a Economia"
SUÊD HAIDAR (PMB)