Atos foram lindos, mas 'Ele Não' acirrou polarização com Bolsonaro, diz Ciro

'Eu percebi só depois que quando demos a ideia de 'ele não' acabamos trazendo uma polarização que não ajuda nossa causa', disse o pedetista

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Ciro Gomes disse contar com a militância da internet que, segundo ele, pode levá-lo ao segundo turno
Ciro Gomes disse contar com a militância da internet que, segundo ele, pode levá-lo ao segundo turno -

São Paulo - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, afirmou no começo da tarde desta quarta-feira que os atos de mulheres contra Jair Bolsonaro (PSL) foram "lindos, mas tiveram um problema de marketing". "O 'Ele não' acirrou a polarização", afirmou. "Nós erramos no marketing. Eu digo nós, não as mulheres. Estamos dando a ele o centro da referência do debate. Não tem 'Ele não' na urna."

"O ato das mulheres foi a coisa mais linda que aconteceu. A política tem coisas que a gente só vê depois. Eu percebi só depois que quando demos a ideia de 'ele não' acabamos trazendo uma polarização que não ajuda nossa causa", disse. "Agora é hora de dizer sim. O erro foi de posicionamento de marketing. Não tem ele não na urna. Tem 12, 13, 18. Assumam o sim para o seu se não for para mim."

Ciro também disse contar com a militância da internet que, segundo ele, pode levá-lo ao segundo turno. "É hora de inflamar a militância", comentou, antes de ato com a juventude pedetista.

Em sua fala à militância, Ciro criticou ainda o PT, que, segundo ele, coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "o maior estadista do país". "Pensa ele ser maior que o Getúlio Vargas? Que tudo que o Juscelino (Kubitschek) fez? O Lula é importante, mas não é maior que eles", disse Ciro.

Ciro diz que aceitaria apoio de Alckmin e Marina no primeiro turno

O candidato do PDT à Presidência disse que aceitaria o apoio de outros rivais na disputa para tentar chegar ao segundo turno, como Marina Silva, da Rede, e Geraldo Alckmin, do PSDB. Ele ressaltou, no entanto, que seria uma "indelicadeza" partir dele este movimento.

"Eu não gosto de oportunismo. Eu estou na política porque gosto da inteligência do povo", disse Ciro em São Paulo. "Não posso cometer a indelicadeza de pedir a meus adversários que abram mão de suas candidaturas."

O pedetista disse também que pode incorporar pautas de Marina e de Alckmin em sua campanha. "A Marina é uma pessoa que trabalhou para o Brasil a vida inteira. Do Alckmin, posso adotar algumas coisas. O IVA (Imposto sobre Valor Agregado), por exemplo, é uma proposta minha . Se eu for procurado aceito o apoio deles."

Ciro voltou a criticar a polarização entre os candidatos do PT, Fernando Haddad, e do PSL, Jair Bolsonaro. Em sua avaliação, "o país está sendo destruído pela política" e é preciso que a campanha retorne a uma discussão programática.

"O PT criou o Bolsonaro e o Bolsonaro criou o PT", disse Ciro. "O meu pedido é a todos os indecisos, que tendo uma preferência admitam mudar de voto."

Ciro ainda descartou abrir mão de alguns direitos trabalhistas para diminuir o desemprego. "Nenhum direito (trabalhista) a menos", afirmou. "Precisamos achar um caminho inteligente estudando as boas práticas internacionais, como a China e Alemanha."

No final da entrevista, o candidato instou Bolsonaro a comparecer no debate da Globo, dizendo que "atestado médico falso é crime".

Ciro diz que aceitaria apoio de Alckmin e Marina ainda no primeiro turno