Cândida Augusta Araújo Zin,de 96 anos, fez questão de exercer o direito do voto - Gustavo Ribeiro/ Agência O Dia
Cândida Augusta Araújo Zin,de 96 anos, fez questão de exercer o direito do votoGustavo Ribeiro/ Agência O Dia
Por GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Além das filas enfrentadas neste primeiro turno de eleição, quem tem dificuldade de locomoção precisou superar outros obstáculos para exercer seu direito. Na universidade Univeritas, no Flamengo, os quatro elevadores ficaram com defeito nesta tarde. Um grupo de idosos e deficientes ficaram aglomerados na frente do elevador esperando o problema ser resolvido.

Pessoas com dificuldade de acessibilidade, idosos e grávidas precisam subir até quatro lances de escada. Os que não conseguem subir, ficam sem poder votar.

A médica Cândida Augusta Araújo Zin, de 96 anos,  ficou nervosa ao perceber que poderia ser impedida de votar nos candidatos dela. Ligia Araújo Zin, de 29, é médica e neta de dona Cândida. Ela procurou a reportagem do DIA emocionada. "Ela estudou todos os candidatos, fez a colinha dela, assistiu aos debates e tentou convencer as pessoas a votarem nos candidatos dela. É uma tristeza ver que ela não vai conseguir exercer seu direito", lamentou.

Senhora de 96 anos espera conserto de elevador para votar - Gustavo Ribeiro/ Agência O Dia

"Minha avó tem poucas coisas que ainda a movem na vida, a política é uma delas. Ela verdadeiramente é politizada. Vai votar num candidato que só ela lá de casa vai votar. Até tentei convencê-la de escolher o meu, mas não consegui", acrescentou.

Cândida conseguiu votar após duas horas de espera.

Assista o vídeo:

A família contou que chegou a tentar ligar para a ouvidoria do Tribunal Regional Eeleitoral (TRE), mas ninguém atende.

Fiscais do TRE no local de votação disseram à família que ela só poderia votar se descessem com uma urna, o que não foi viável.

A professora aposentada Anna Maria, de 83 anos, precisou subir até o quarto andar de escada. Ela tem problemas nos dois joelhos e se locomove com auxílio de uma bengala. Para subir as escadas, precisou segurar firme nos corrimãos enquanto o filho segurava a bengala para ela.

"Eu sempre acreditei na democracia e com 83 anos enquanto puder, venho lutar. Tenho um joelho biônico e outro que não funciona bem, mas meu filho veio comigo e eu subi degrau por degrau. O voto das mulheres não foi dado quando elas nasceram, foi conquistado com muita gente apanhando da Polícia na rua, principalmente nos anos 30 em São Paulo. Nasci em 1935 e ouvi minha mãe dizer isso. Eu tenho que votar e dar exemplo pra quem não quer ter a bondade de chegar na urna e dar o seu voto."

Eleitores conseguem votar, após conserto de elevador - Gustavo Ribeiro/ Agência O Dia

Muitos eleitores reclamam que não conseguiram consultar o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do TRE para consultar o local de votação ou o título de eleitor para justificar ausência.

Além disso, os eleitores reclamam da falta de organização de filas e falta de informação por parte dos fiscais do TRE.

Na universidade Univeritas, no Flamengo, os eleitores levam entre uma e duas horas para votar.

O morador do Flamengo André Miranda, de 48 anos, reclama da desorganização. "Essa é a eleição mais desorganizada que já vi. Houve mudança nas seções e zonas eleitorais e as pessoas não foram informadas, além dos problemas de organização, filas enormes e falta de acessibilidade que fazem as pessoas desistirem de votar. Vejo uma clara dificuldade imposta de acesso às urnas, porque abstenção facilita a eleição de candidatos que formam curral eleitoral.

 

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