Editoria de Arte O DIA - O DIA
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Por CÁSSIO BRUNO

RIO - Os chefões do partido estão presos por corrupção na Operação Lava Jato. Os filhos desses políticos foram derrotados nas urnas. O número de deputados da legenda será reduzido na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e na Câmara Federal a partir do ano que vem. O atual governador deixará o cargo com rejeição nas alturas. Em meio ao cenário de caos, o MDB (ex-PMDB) do Rio põe em xeque o seu projeto de poder.

"É um ciclo que se esgotou e de difícil recuperação a curto prazo. O MDB deixou de ser uma força política no estado. Foram vários mandatos e o desgaste com a Lava Jato foi grande", avalia Felipe Borba, cientista político da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio).

Para o acadêmico, a sobrevivência política do partido dependerá da postura a ser adotada aos novos governos estadual e federal.

"Como se organizará? No momento, não vejo uma salvação. As investigações da Lava Jato não terminaram. Mais gente pode ir presa. Os políticos da legenda perderam o foro privilegiado".

Nas eleições deste ano, com o presidente Michel Temer impopular e com denúncias, o MDB foi engolido pelo PSL do presidenciável Jair Bolsonaro na Alerj. Encolheu de 15, em 2014, para cinco deputados estaduais. O PSL elegeu 13. No Congresso, a bancada federal de peemedebistas também sofreu o golpe: passou de oito para três parlamentares.

O desempenho pífio do MDB fluminense nem de logo se parece com outros tempos. A hegemonia começou em 2006 quando Sérgio Cabral fora eleito governador, no segundo turno, com 41,4% dos votos, derrotando a juíza aposentada Denise Frossard (PPS). À época, Cabral tinha o apoio da família Garotinho. Rosinha Matheus, então governadora, e o marido Anthony Garotinho, ex-governador, ingressaram no MDB três anos antes. O casal foi varrido por Cabral da aliança após sua chegada ao poder.

Dois anos depois, Eduardo Paes passou a secretário de Turismo, Esporte e Lazer. Candidato à Prefeitura do Rio, ganhou de Fernando Gabeira (PV). Atualmente não está mais no partido.

Na crista da onda e com milhões de reais de empreiteiras na campanha, Cabral se reelegeu no primeiro turno com 66% dos votos, em 2010. As UPPs eram o sucesso da vez. O governador tinha apoio do então presidente Lula, que, naquele ano, bateu recorde de popularidade e elegeu Dilma Rousseff. O rolo compressor se repetiu na Alerj.

'Enverga, mas não quebra'

O MDB usava a mesma fórmula para manter o reinado: atrair o maior número de partidos aliados e massacrar eleitoralmente os adversários. Foi o que aconteceu, em 2012, com Paes, que se reelegeu no primeiro turno numa aliança com 20 legendas. Em 2014, o vice de Cabral, Luiz Fernando Pezão, foi o sucessor do projeto do MDB.

Com a Lava Jato, as estruturas do MDB ruíram e levaram à cadeia Cabral, Jorge Picciani, Eduardo Cunha, Paulo Melo e outros. Em entrevista ao DIA, Pezão minimizou o atual momento: "Faz parte do processo. A população quer o novo. Temos que reestruturá-lo, com novos nomes. O MDB enverga, mas não quebra", disse.

Eleito deputado estadual e membro da executiva estadual do MDB, Max Lemos faz autocrítica: "Precisamos de um programa para o estado e não de projeto de um governador", diz ele atribuindo o fracasso da sigla à corrupção e ao "fenômeno Bolsonaro".

Em nota, o presidente regional do MDB, Leonardo Picciani, informou apenas que aguardará o fim do segundo turno para o partido "se reunir e definir como atuará a partir do ano que vem".

Procurados pelo DIA, Marco Antônio Cabral e Danielle Cunha não retornaram as ligações.

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