Paes e Witzel participaram de debate durante campanha no ano passado - João Miguel Júnior / TV Globo
Paes e Witzel participaram de debate durante campanha no ano passadoJoão Miguel Júnior / TV Globo
Por CÁSSIO BRUNO

Rio - Os candidatos ao governo do Rio Wilson Witzel e Eduardo Paes disputam hoje a preferência dos 12,4 milhões de eleitores aptos a votar em 92 municípios. Em jogo, ao suceder Luiz Fernando Pezão, o vencedor terá a missão de trabalhar para resolver problemas bem conhecidos da população, como a crise financeira do estado e a violência.

"O acordo de recuperação fiscal que o atual governo fez com a União deu uma trégua para uma situação caótica. Os dois candidatos já declararam querer renegociar. O novo governador terá mais poder de barganha que Pezão", avalia Ricardo Ismael, cientista político da PUC-RJ.

O regime de recuperação foi assinado em julho do ano passado. O objetivo foi permitir que o governo federal socorresse estados em situação de calamidade fiscal.

"O Rio precisa retomar a atividade econômica. Se não houver dinheiro, não será possível melhorar outras áreas, como a da saúde", afirma Ismael.

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Estado do Rio é a maior da Região Sudeste: 15% maior que a média nacional de 13,1%. O número, referente ao primeiro trimestre deste ano, foi divulgado em maio.

Intervenção federal

Para o cientista político, outra questão que o governador eleito precisará priorizar nos primeiros seis meses de gestão é a Segurança, que ficará sob intervenção federal só até o fim de dezembro.

Apesar da preocupação, dados divulgados este mês pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam uma redução no número de homicídios: 380 mortes foram registradas em setembro contra 458 assassinatos no mesmo período no ano passado. Houve queda também nos roubos de rua e de cargas.

"Tudo leva a crer que quem vencer a eleição pedirá a cooperação das Forças Armadas para combater a violência", ressalta Ismael.

Desde o início do segundo turno, Wilson Witzel mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto. Mas a diferença para Eduardo Paes, que era de 20 pontos percentuais nos votos válidos, caiu para pouco mais da metade até a última sexta-feira. Confira abaixo um resumo das campanhas.

EDUARDO PAES (DEM)
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Eduardo Paes, de 48 anos, começou a carreira política na década de 1990, pelas mãos do então padrinho Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, atual vereador e derrotado na última eleição para o Senado. Antes de se filiar ao DEM, Paes passou por outros cinco partidos, entre eles o MDB. É bacharel em Direito. Foi subprefeito na gestão Maia, vereador, deputado federal e secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer de Sérgio Cabral. Foi eleito prefeito em 2008.
Eduardo Paes liderou as pesquisas de intenção de votos durante toda a campanha até o primeiro turno quando foi surpreendido pela alta votação do adversário Wilson Witzel, que não foi prevista nas pesquisas anteriores.
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Com o apoio de 11 partidos na coligação, Paes precisou deixar a cômoda posição de favorito de lado e teve de dar uma guinada na estratégia: se antes usava o programa eleitoral, debates e entrevistas para apresentar propostas, o ex-prefeito foi obrigado a atacar Witzel para tentar desconstruir a imagem do ex-juiz. Foi o fim da postura 'paz e amor'.
Para o segundo turno, Eduardo Paes se apresentou como o candidato mais experiente e com maior capacidade para administrar o estado e tirar o governo da crise.
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Ao mesmo tempo, Paes passou a campanha acusando Witzel de ter ligação com o advogado Luiz Carlos Azenha, homem que tentou ajudar na fuga do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ex-chefe do tráfico na favela da Rocinha, na Zona Sul, e com Pastor Everaldo, presidente do PSC e também citado na Lava-Jato.
"Ele (Witzel) dizia até pouco tempo atrás que tinha sido só professor do Azenha, a gente descobre várias fotos dele com o Azenha em momentos de intimidade, tomando um chopinho", disse Eduardo Paes em um debate na TV.
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AUXÍLIO-MORADIA
Paes centrou fogo ainda no fato de Witzel ter deixado uma vara criminal no Espírito Santo após ter recebido ameaças de morte e de receber auxílio-moradia como juiz mesmo sendo proprietário de um imóvel.
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O ex-prefeito do Rio diz que a prioridade do governo, caso eleito, será organizar as finanças do estado e melhorar a segurança.
"Ninguém consegue conduzir nada sem as finanças em ordem. E a segurança, que garante o direito de ir e vir das pessoas, também é muito básica. São duas questões que precisam ser atacadas de imediato", afirmou Paes ao DIA em 23 de setembro.
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O candidato do DEM declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 325,6 mil em bens. Segundo colocado no primeiro turno, Paes obteve 1.494.831 votos totalizados (19,56% dos votos válidos).
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Wilson Witzel (PSC)
Eduardo Paes (à esquerda) e Wilson Witzel em debate no ano passado
Eduardo Paes (à esquerda) e Wilson Witzel em debate no ano passado João Miguel Júnior/TV Globo
Wilson Witzel, de 50 anos, tem no currículo passagens pela Marinha, Defensoria Pública e pelo Instituto de Previdência do Município do Rio (Previ-Rio). Durante 17 anos, foi juiz federal e participou de casos como o escândalo do propinoduto. Deixou a magistratura em março. É professor e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio e do Espírito Santo. Natural de Jundiaí (SP), vive no Rio desde a juventude. Até a divulgação das pesquisas de intenção de votos na véspera do primeiro turno, Witzel era um improvável candidato capaz de alcançar voos mais altos nesta eleição para o governo do Rio. Desde o início da campanha, o ex-juiz aparecia apenas entre os últimos colocados na briga para comandar o Palácio Guanabara.
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Witzel declarou voto em Jair Bolsonaro (PSL) e ganhou a simpatia dos eleitores do presidenciável. De um desconhecido, o ex-magistrado se apresentou como um político não profissional e viu a popularidade disparar ao aproximar a sua imagem na de Bolsonaro. Com a estratégia, Witzel atropelou os adversários mesmo após o ex-capitão do Exército ter declarado neutralidade na eleição estadual.
Wilson Witzel adotou o discurso da família Bolsonaro. Como prioridade, caso eleito, pretende combater a corrupção e a criminalidade. Promete realizar uma força-tarefa contra as milícias e o narcotráfico. O ex-juiz defendeu ainda o 'abate' de traficantes armados com fuzil em confrontos com a política. Ele chamou a atenção quando ameaçou dar voz de prisão a Paes nos debates caso o adversário cometesse crime de injúria.
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"No meu governo, faremos o uso da força e vamos abater quem estiver de fuzil nas comunidades, mas com operações pensadas, elaboradas", disse ele em entrevista ao DIA no último dia 3.
OPERAÇÃO LAVA-JATO
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No segundo turno, Wilson Witzel explorou no programa eleitoral, nos debates e nas entrevistas a maior fragilidade de Eduardo Paes: a relação próxima do ex-prefeito com aliados e lideranças do MDB condenadas e presas na Operação Lava-Jato. Entre elas, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-presidente da Alerj Jorge Picciani e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, além do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva.
"Você comeu na mesa do Cabral, empregou filhos do Picciani, conhece bem a rotina dessas famílias", declarou Witzel durante um debate na televisão.
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O candidato do PSC declarou à Justiça Eleitoral ter apenas uma casa no valor de R$ 400 mil. Witzel obteve 3.154.771 votos totalizados (41,28% dos votos válidos) no primeiro turno.
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