Jair Bolsonaro (PSL) tirou fotos ao lado de funcionários de um hospital. A informação (inverídica) era de que o candidato entrou caminhando no local após ser esfaqueado na barriga
 - reprodução
Jair Bolsonaro (PSL) tirou fotos ao lado de funcionários de um hospital. A informação (inverídica) era de que o candidato entrou caminhando no local após ser esfaqueado na barriga reprodução
Por CÁSSIO BRUNO

Rio - A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, resumiu a dificuldade de se combater um problema que marcou as eleições este ano. "Se tiverem a solução para que se evitem ou se coíbam as fake news, por favor, nos apresentem. Nós ainda não descobrimos o milagre", declarou à imprensa na semana passada.

As notícias falsas inundaram as redes sociais. O aplicativo de mensagens WhatsApp foi o principal meio de divulgação de informações mentirosas ao longo do primeiro e segundo turnos. O fenômeno polarizou a disputa presidencial, acirrou os ânimos dos eleitores e radicalizou o debate.

Pesquisa do Datafolha revelou que 47% dos 9.173 entrevistados, em 341 municípios, acreditam em notícias recebidas pelo WhatsApp. Outros 53% desses eleitores disseram não acreditar. O Datafolha questionou se eles receberam mensagens falando mal dos presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Segundo o instituto, 65% declararam ter conta no aplicativo. E desse grupo, 44% afirmaram que tiveram acesso a conteúdos contra Bolsonaro e, 47%, contra Haddad no último mês. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo.

Já o Ibope quis saber sobre críticas e ataques a Bolsonaro e Haddad pelo WhatsApp. O instituto perguntou se os eleitores receberam esse tipo de material na semana anterior ao primeiro turno. Dos 3.010 entrevistados, 18% contaram que o conteúdo era contra Haddad. Outros 18%, contra Bolsonaro. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S.Paulo.

"A decisão sobre em quem votar é influenciada por vários fatores: família, amigos, igreja. Neste ano foi pelo que se lia no celular. Ainda é cedo para dizer que as notícias falsas foram decisivas no estabelecimento do voto ou na mudança de posição. Mas não há dúvida de que perturbaram o debate político", avalia Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa, empresa especializada em checagem de notícias.

Para Cristina, a apuração das informações é fundamental. "O que vemos são dois 'países' que parecem não se conhecer. O da esquerda e o da direita. Em comum, eles têm o fato de que muitas vezes preferem ignorar os fatos para abraçar aquilo em que acreditam, desejam e gostam. O trabalho do checador de fatos é buscar a reaproximação desses dois Brasis. Porque o Brasil de verdade é o que está bem no meio. Pertinho dos dados e dos fatos".

O Boatos.org, site também especializado na checagem de informações, selecionou as fake news mais impactantes dessas eleições. A lista foi escolhida por um grupo de jornalistas profissionais das empresas Aos Fatos, E-Farsas e Comprova, além da Agência Lupa e do Boatos.org.

Entre as fake news compartilhadas, está a de que Bolsonaro foi filmado andando no corredor de um hospital após ser esfaqueado. Uma foto do candidato ao lado de médicas circulou nas redes sociais. Na verdade, a imagem era de uma visita dele a uma unidade de saúde anterior ao atentado. Outra mentira referente ao ex-capitão foi de que o ataque teria sido forjado porque não havia manchas de sangue.

Vice na chapa de Haddad, Manuela DÁvila também foi vítima. Em uma foto montada, a ex-deputada aparecia com uma camisa com os falsos dizeres 'Jesus é travesti'. Também apareceu nas redes sociais a falsa notícia de que Haddad e Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência derrotado, confiscariam a poupança dos brasileiros se fossem eleitos.

"O impacto das notícias falsas foram preponderantes na eleição, principalmente na formação de opinião dos eleitores uma vez que algumas campanhas foram desconstruídas e outras exaltadas com base em informações falsas. O próprio debate público, não só por parte dos eleitores, como também pelos candidatos, se deu em algumas ocasiões com base em informações incorretas", ressalta Edgard Matsuki, editor do Boatos.org. Segundo ele, a população pode identificar as fake news por meio de características no conteúdo das mensagens, como caráter alarmante, conteúdo vago, erros de português e pedido para compartilhamento.

Você pode gostar
Comentários