O governador eleito Wilson Witzel conversa com eleitores na Central do Brasil - Luciano Belford / Agência O Dia
O governador eleito Wilson Witzel conversa com eleitores na Central do BrasilLuciano Belford / Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Pouco mais de 12 horas após ser eleito como o novo governador do Rio, Wilson Wiltzel (PSC) esteve na Central do Brasil para agradecer os votos que ganhou no segundo turno. Assim como fez no primeiro turno, o ex-juiz federal atrasou em mais de uma hora e quando chegou ao local ficou o tempo todo cercado apenas por assessores e seguranças.

O governador eleito embarcou no metrô da Saens Peña e seguiu com a mulher até a Central do Brasil. Lá, ele tomou um café e falou com populares.

Por coincidência, enquanto ele caminhava na região, perto dali, no Morro do Pinto e da Providência, no Santo Cristo, a Polícia Militar fazia uma operação, na qual um suspeito já havia morrido. A Segurança Pública é a principal bandeira do novo político.

Na Central, o novo governador disse que o trabalho de transição começa na próxima quarta-feira. Ele aceitou o espaço, no Palácio Guanabara, oferecido pelo governador Luiz Fernando Pezão (MDB).

"Aceitei o convite do governador porque precisamos de espaço. Nossa campanha é pobre, temos dificuldades e vamos ocupar o espaço que ele cedeu."

Witzel venceu Eduardo Paes, do DEM. Com 100% dos votos apurados, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o ex-juiz federal teve 4.675.355 (59,87%) dos votos válidos, e Paes, 3.134.400 votos (40,13%). Votos brancos (3,68%) e nulos (13,38%) somaram 1.606.953 votos. Houve ainda 2.984.852 abstenções (24,07%). Somados brancos, nulos e abstenções, o número chega a 4.591.805 votos – mais votos que Eduardo Paes e cerca de 100 mil votos a menos que Wilson Witzel.

O vice-governador eleito Cláudio Castro (PSC) disse que o Rio viveu oito anos de problemas e que a partir de agora Witzel vai “cortar na própria carne, pois há muita gordura a se cortar”.

“Vamos enxugar dentro da responsabilidade e a nossa palavra chave é austeridade. Vamos cortar encargos, cargos e vamos rever todos os contratos e convênios o mais rápido possível ”, disse Castro.

A base contribuitiva deverá ser aumentada no próximo governo, é o que diz Castro. Além disso, prédios que hoje são alugados pelo governo estadual deverão serem devolvidos para seus donos.

“Vamos trabalhar nos prédios públicos”, disse.

Perguntado sobre a lei de recuperação fiscal, Cláudio foi enfático: “É muito ruim para o estado e vamos conversar com o presidente eleito para que haja uma mudança urgente”, salientou.

O governador eleito Wilson Witzel conversar com eleitores na Central do Brasil - Luciano Belford / Agência O Dia

Pós eleição

"Nós precisamos gerar emprego. Segurança e saúde são prioridades. No entanto, emprego não depende só de mim. Precisamos convencer empresário, fundo de investimentos, e temos que mostrar que aqui é viável e temos condições. E o resto vamos fazer normalmente", declarou Witzel. 

Fragmentação da direita e esquerda

"Sou o governador eleito e governarei para todos. Sobre a esquerda, temos pontos de divergência e convergência. Vamos ver os pontos que é convergente para o Rio e vamos apoiar para avançar. A maioria governa, a minoria expõem suas ideias. Quem governa é a maioria, e ela precisa ser respeitada", comentou.

Investimentos

"Queremos trazer empresas para o Rio. Fazer um polo turístico no Rio. Até 2020 queremos mais de 4 milhões de turistas no Rio", afirmou o governador eleito. 

Secretarias

"A gente não olha o passado político, mas sim o currículo para que falas do passado não possam comprometer as nossas linhas. A minha preocupação foi ter primeiro alguém para a Previdência, e isso eu já defini. Será o Sérgio Aureliano o novo secretário. Agora vamos em busca de alguém para ocupar as secretarias de Fazenda e Planejamento", comentou. 

Recuperação fiscal

"Vou esperar uma agenda com o presidente Jair Bolsonaro para a gente sentar e conversar. Eu proponho um novo modelo que o Brasil poderá absolver muito mais que os estados. Vou sentar com a equipe econômica do governo federal para que estabeleçamos uma nova meta a ser seguida", disse.

Indagado sobre a informação divulgada pelo colunista Paulo Cappelli, na coluna "Informe do Dia", de que o governador eleito terá receita prevista de R$ 71,157 bilhões, enquanto a despesa fixa (ou seja, aquela certa de se ter que arcar, desconsiderando-se possíveis imprevistos) é de R$ 79,160 bilhões e que o governador eleito já entraria com um déficit estimado de R$ 8,003 bilhões, Witzel riu da informação e disse:

“Vamos arrumar dinheiro”. Perguntado de onde, retrucou: “Você vai ver”.

“Eu ainda não falei com o Bolsonaro”, perguntado se havia ligado ou recebido alguma ligação ou mensagem do Presidente da República eleito neste domingo. Durante a campanha, Bolsonaro ficou neutro na disputa pelo pleito estadual — não apoiando nem Witzel nem Paes. Inclusive, a Justiça proibiu que o ex-juiz federal usasse a imagem de Flavio Bolsonaro em sua campanha. No último dia permitido na TV, para campanha eleitoral, Witzel desobedeceu a decisão da Justiça e usou a imagem do filho de Bolsonaro.

Edson Rosa, 49 anos, ativista que segurava a placa de Marielle - Luciano Belford / Agência O Dia

Seguranças de Witzel tentar tomar placa de ativista

Durante a fala de Witzel aos jornalistas, o aposentado Edson Rosa, de 49 anos, que segurava uma placa da vereadora Marielle Franco (Psol) assassinada, em março, ao lado do motorista Anderson Gomes, foi agarrado por seguranças do governador que tentaram evitar a manifestação.

“Eles me cercaram e queriam retirar (a placa) de mim. É simbólico porque tem um vídeo dele comemorando a retirada dessa placa”, disse o homem.

No debate da TV Bandeirantes, o próprio Witzel empurrou Edson, que segurava a mesma placa e estava na porta da emissora, em Botafogo. O momento do empurrão foi flagrado pelo fotógrafo do "Jornal do Brasil" Bruno Kaiuca.

Você pode gostar