Paulo Guedes - Reprodução Internet
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Por ESTADÃO CONTEÚDO

São Paulo - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), Fernando Pimentel, afirmou nesta terça-feira, que é "equivocada" a decisão da equipe do governo de Jair Bolsonaro (PSL) de acabar com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), a partir de uma fusão com a Fazenda e o Planejamento, num futuro Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes.

"A indústria está se renovando no mundo inteiro, é uma nova era de transformação, com a indústria 4.0. Um ministério para o setor é necessário, para discutir políticas", disse Pimentel. "Não vejo o Brasil dando certo sem uma indústria relevante. Colocar a indústria como secretaria ou algo assim é diminuir sua importância. É uma decisão equivocada", acrescentou.

Para o presidente da Abit, a fusão de ministérios não é mera formalidade, pois afeta, sim, a qualidade das políticas, pela concentração de poder em torno de um ministro, diminuindo a possibilidade de contraponto em questões conflitantes. "Quando começa a empacotar demais, por questões de domínio da agenda, o contraponto perde força, porque uma área vai passar a responder à outra. É preciso ter o mesmo nível hierárquico", disse.

Para Pimentel, a indústria precisa de um ministro que viva o setor, que o conheça profundamente. "Como será com o ministro da Economia? Ele vai cuidar de todos o assuntos, ele vai ser o batedor de martelo em todas as questões? E o comércio exterior, que tem negociações experientes para acordos internacionais?", questionou.

Guedes: 'Vamos salvar a indústria apesar dos industriais brasileiros'

O economista Paulo Guedes, provável titular do superministério da Economia, disse nesta terça-feira, que o ministério da Indústria e Comércio se transformou em "trincheira da primeira guerra mundial" na defesa de protecionismos. Segundo ele, o governo de Jair Bolsonaro vai "salvar a indústria brasileira apesar dos industriais brasileiros".

"O Brasil está em um processo de desindustrialização acelerada há mais de 30 anos. Eles (MIDC) estão lá com arame farpado, lama, buraco, defendendo protecionismo, subsídio, coisas que prejudicam a indústria, ao invés de lutar por redução de impostos, simplificação e uma integração competitiva à indústria internacional", afirmou.

Segundo Guedes, a proposta do superministério não é fazer uma abertura abrupta da economia, que "mataria a indústria". Ele propõe retomar o crescimento da indústria garantindo juros baixos, eliminando a complexidade burocrática e reduzindo impostos.

"O maior símbolo de que os impostos são excessivos é que quem tem lobby consegue desoneração e quem não tem vai para o Refis (programa de refinanciamento de impostos). Se os impostos fossem mais baixos, não precisaria de nada disso", disse. "A razão de o MIDC estar próximo da Economia é justamente ter uma única orientação sobre tudo isso", completou.

Guedes afirmou que a distribuição de cargos ainda não chegou nas estatais. Perguntado se o grupo já havia discutido uma proposta para o programa de subsídio do diesel, que acaba em 31 de dezembro, ele disse que "chegou a pensar em alguma coisa", mas não discutiu com o presidente eleito, Jair Bolsonaro. Ele não quis detalhar a proposta.

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