Candidata à Prefeitura do Rio pelo PT, Benedita da Silva, na Vila Cruzeiro - Wagner da Silva
Candidata à Prefeitura do Rio pelo PT, Benedita da Silva, na Vila CruzeiroWagner da Silva
Por O Dia
A candidata à Prefeitura do Rio pelo PT, Benedita da Silva, esteve, nesta sexta-feira, pelas ladeiras da comunidade da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte, e afirmou que as favelas cariocas irão lhe colocar no segundo turno das eleições municipais.

“Em muitos lugares eu tenho vivido emoção muito grande, mas aqui minha emoção aumentou. E por que, minha gente? Porque a gente é raiz, a gente é chão, sabe, conhece, é diferente. A gente sabe que está pisando em um chão sagrado de batalha de muita gente, sacrifício de muita gente para botar sua casa em pé, sua comida na mesa, para dar duro, pra botar seus filhos na escola e para ver a vida melhorar”, discursou Benedita no morro.

Ela apontou o desemprego, especialmente de jovens e mulheres, como o maior problema da cidade.

Moeda Carioca e o Banco Popular

A candidata explicou em detalhes seu programa complementar de renda básica chamado Moeda Carioca. De acordo com Benedita, será uma ajuda de R$ 100 mensais, que só podem ser gastos na própria comunidade, fortalecendo o comércio e os empregos locais. O programa inclui a criação de um banco popular para fazer empréstimos a juro zero para pequenos empreendedores.

“Vai emprestar pra você, que tem uma moto e precisa modernizá-la, terá um empréstimo sem burocracia. Pra você, que precisa abrir sua confecção, quer empregar mais alguém, pegar mais encomenda, vai poder usar essa moeda”, exemplificou.

No alto do morro, ela agradeceu a recepção e disse que espera o voto “dos cariocas que mais precisam de atenção do poder público” para vencer as eleições. “A favela vai tirar o Crivella e me levar ao segundo turno”, afirmou.

“Foi pensando nas nossas comunidades que eu me atrevi, aos 78 anos, a ser candidata a prefeita do Rio de Janeiro. Estou na vida pública há 40 anos e quero dedicar a vocês o que resta da minha energia, fazendo com que a gente volte a ser feliz, a ter emprego, saúde e que as mulheres possam colocar seus filhos na creche e a nossa juventude possa ter os seus sonhos”, discursou.

Investimento na cultura e na juventude

Benedita também garantiu que vai pressionar a Cedae, que é estadual, para subir o morro e sanear as partes mais pobres da cidade, além de turbinar a economia desses locais a partir do empreendedorismo cultural dos jovens.

“A gente fala para a comunidade inteira, independente da religião de cada um, que a gente quer investir na cultura. Cada um na sua, vamos investir na cultura para que os talentos da comunidade possam também produzir, seja da dança, da música, da artes plástica, nós estaremos junto com vocês“. 

Parceria para dobrar população no Centro

Antes da passeata na Vila Cruzeiro, Benedita visitou a feira livre no Grajaú e liderou uma caminhada pela Avenida Rio Branco, da Candelária ao Largo da Carioca.

A candidata afirmou que vai buscar parceria com o Estado e a União para “povoar o Centro”. Benedita também disse que quer criar condições para a conversão de vários imóveis comerciais em residenciais, além do uso de imóveis que estão fechados ou abandonados. Na estimativa do coordenador do programa de governo, Jorge Bittar, é possível dobrar essa população em menos de 10 anos se houver uma política pública estratégica da prefeitura neste sentido.

Por fim, a candidata ressaltou a importância de melhorar a iluminação, a segurança, o ordenamento do comércio ambulante e o acolhimento de pessoas em situação de rua.

“É muito importante revitalizar e abrigar a população de rua. Eu vou conversar com o governo do Estado e com a União, pois há muitos prédios públicos, para aumentar o numero de residências que pode ser A, B ou C, para classes alta, média e baixa. Temos que melhorar a iluminação, pois o Centro fica muito às escuras. A gente quer atividades culturais, abertura de teatros e museus, que precisam ser reformados, as catedrais, que aqui tem muitas”, afirmou.
Neste sábado, véspera da votação, Benedita volta às favelas, dessa vez na Maré, para agradecer o entusiasmo e o calor humano com que foi recebida nas áreas pobres durante todo o primeiro turno.