Urnas para votação - FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR
Urnas para votaçãoFABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Rio - Neste domingo, 22 mil policiais militares e 8 mil policiais civis da cidade trabalharão para tentar coibir a influência de criminosos durante o dia de votação. Além deles, os braços fluminenses da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal também estarão nas ruas. Ao contrário das eleições anteriores, não haverá apoio das Forças Armadas.
"Teremos viaturas em áreas de milícia, especialmente Zona Oeste, Baixada Fluminense e na região de Rocha Miranda, na Zona Norte. No interior também teremos foco em algumas áreas de milícia, sempre trabalhando com o que já temos de investigação", apontou Alan Turnovsky, secretário da Polícia Civil.
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Em entrevista coletiva neste sábado, as autoridades fluminenses afirmaram que vão marcar presença em todos os locais de votação do estado. Um dos grandes problemas do Rio em dia de eleição é a atuação de milicianos e traficantes no entorno das unidades. Pelos registros do Disque-Denúncia, houve 438 reclamações, na eleição de 2018, de que milicianos exerciam pressão num raio de 200 metros desses locais. O Comando Vermelho, maior facção do tráfico no Rio, foi responsável pela maioria - 423 denúncias.
Mortes em operação
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Em operações mais bélicas, no mês passado, a Polícia Civil matou 17 homens ligados ao "Bonde do Ecko", a maior milícia do Estado atualmente - uma continuação da Liga da Justiça. A corporação afirma que as mortes só se deram após os criminosos começarem a atirar. A suspeita é de que esse grupo estava ligado a recentes assassinatos de políticos na Baixada Fluminense, um fenômeno cada vez mais presente no Rio.
A milícia também mantém o hábito de financiar e apoiar candidatos em seus redutos. Com um trabalho de mapeamento mais complexo de ser feito, o Ministério Público Eleitoral pode, no futuro, pedir a impugnação dessas candidaturas, se comprovado que se beneficiaram de meios criminosos de fazer campanha.
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"Algum candidato que tenha se beneficiado do abuso, de ameaça, de eventual fechamento de comunidades. Esse tipo de levantamento demora um pouco mais a ser feito", apontou a procuradora regional eleitoral do Rio, Silvana Batini.
Para o presidente do TRE, a ausência das Forças Armadas no estado neste ano é um passo importante para mostrar que as forças locais têm capacidade de dar conta da segurança no dia da eleição. "É preciso romper um pouco com essa ideia de que em toda eleição é preciso buscar esse apoio as Forças Armadas. O Rio tem seus problemas e as instituições daqui têm que resolvê-los", disse Cláudio Brandão.
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