Clube Militar vê 'fio de esperança' no PSB

General Bandeira explica que não apoia Marina Silva por paixão, mas pela chance de ‘tirar o PT do poder’

Por bferreira

Rio - A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, ganhou um inesperado apoio do Clube Militar nos últimos dias. Em texto intitulado “Um fio de esperança”, o general da reserva Clovis Bandeira, conselheiro da diretoria, expressa o posicionamento do clube conhecido por sua polêmica atuação política.

“A maioria dos nossos associados seriam eleitores do Aécio, mas a se acreditar nas pesquisas teremos um segundo turno entre a Dilma (PT) e Marina. Então ficaríamos com a Marina. Não é paixão por ela, que também foi criada no PT, mas parece que agora está mais afastada e é a única opção que nos resta”, contou o general.

Questionado sobre o que torna o apoio à candidata do PSB decisivo, Bandeira é incisivo. “O motivo principal é tirar o PT do poder. Acreditamos que o PT já fez muito mal para o Brasil e ainda tem muito mal a fazer e como lhe disse qualquer candidato que vá para o segundo turno contra o PT terá maioria dos votos entre os nossos associados”, explicou.

O militar analisa que Marina Silva está se beneficiando do processo iniciado no ano passado com as manifestações de rua. “Acho que ela captou toda a insatisfação dos eleitores contra os políticos tradicionais. O eleitor vê nela uma novidade, como se dizia nas ruas para mudar o que está aí, como nas manifestações de junho do ano passado”, observou o general.

Ao analisar Marina, Bandeira definiu que considera a ambientalista uma “incógnita” na administração pública, já que ela nunca exerceu nenhum cargo no Executivo, fora do Ministério do Meio Ambiente. “Depende muito de quem vier trabalhar com ela. Marina também não tem grande base de apoio, mas as bases aparecerão após a vitória. Não acredito que isso seja um impeditivo. Ela é uma boa candidata, mas não sei se seria boa governante”, afirmou.

Como em 2010, a instituição voltou a promover palestras para os associados dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica. Mas apenas Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) foram convidados. Aécio informou que não dispõe de data disponível. Já a socialista ainda não respondeu ao convite.

O general disse que a recepção dos associados ao texto de apoio à Marina publicado no site do clube foi positiva. O clube é conhecido pelo seu apoio ao golpe militar em 1964 e também por ser o principal centro de resistência dos militares na oposição à Comissão Nacional da Verdade e contra a revisão da Lei de Anistia.

Procurada, Marina Silva não quis comentar a declaração de apoio dos militares.

‘Incorporou desejo vago de mudanças’

No texto em que defendeu o apoio a Marina Silva, Bandeira escreveu que “a nova candidata incorporou o desejo vago de mudanças que levou o povo às ruas em junho do ano passado. Que tipo de mudança, isso já é outro problema”.

Ao lembrar das manifestações, ele diz que a população quer acabar com a “corruptocracia lulopetista”. “A desilusão popular procura o novo. As mudanças podem ser para melhor ou para pior, desde que interrompam a malfadada corruptocracia instalada no poder pelo lulopetismo”, disse.

Ele ainda a classifica como uma “figura messiânica”, de declarações vagas e promessas “esquerdistas” ou difíceis de realizar. Mesmo assim, arremata o apoio defendendo que “como está, não pode continuar”. Para ele, “é um fio de esperança, mas parece que as pessoas a ele se agarram com fé, apostando no futuro para esquecer o presente”.

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