Tiros são ouvidos na Rocinha durante corpo a corpo de Lindberg Farias

Moradores criticam ação da PM durante operações policiais na favela da Zona Sul. Trânsito tem retenções naquela região

Por tiago.frederico

Rio - Um momento de distúrbio se tornou o foco das atenções durante a caminhada do candidato Lindberg Farias (PT) na Rocinha no fim da manhã deste sábado. Tiros foram disparados na comunidade enquanto a comitiva do petista passava pela Estrada da Gávea. A Rocinha conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), política de segurança considerada um dos principais trunfos da campanha do atual governo.

Moradores que passavam pelo local se aproximaram de Lindberg e fizeram queixas sobre as ações da Polícia Militar. "Isso sempre acontece aqui. Eles (policiais) falam para todo mundo que entram na comunidade e são recebidos a tiros. Mas a verdade é que ninguém atira neles. Eles é que chegam atirando. Eu não aguento mais isso. Meu filho é mototaxista e eu sempre fico morrendo de preocupação, nunca sei se ele vai voltar para casa vivo", protestou Vera Lúcia Martins, de 65 anos, todos vividos na Rocinha.

Vera Lúcia Martins reclamou com o presidenciável Lindberg Farias (PT)Fabio Gonçalves / Agência O Dia

No mês passado, também foram ouvidos disparos momentos antes da chegada do governador - e candidato à reeleição - Luiz Fernando Pezão (PMDB) à comunidade. O confronto era resquício de uma operação da Polícia Civil que buscava integrantes da alta cúpula do tráfico de drogas nesta região.

"Eu tenho dito uma coisa desde o começo, eu acho que está faltando mais responsabilidade deste governo porque o momento é de consolidar o projeto. Houve falta de planejamento no período pré-eleitoral. Começaram a prometer uma expansão, ao meu ver, desorganizada. Estão expandindo sem planejamento. O fundamental é reforçar, consolidar essas UPPs que estão sob ataque", opinou Lindberg, antes de relembrar a morte do comandante da unidade Nova Brasília, Uanderson Manoel da Silva.

Lindberg Farias (PT) concorre ao Governo do Estado do RioDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O paraibano comentou ainda o processo da Procuradoria Regional Eleitoral que o acusa de abuso de poder político e econômico em um evento organizado pelo PCdoB em 26 de junho. "Esse denúncia é um absurdo completo. O evento era uma convenção do partido, pelo amor de Deus. Abuso de poder econômico é a gráfica que fecharam do candidato Pezão, no Méier. Aquilo sim, é uma prática de caixa 2. Essa denúncia aí não vai pra frente", afirmou.

Tumulto no trânsito

O ato começou às 10h com concentração na Rua 1, localizada na parte alta da Rocinha. A comitiva de Lindberg desceu as vielas da comunidade e o candidato aproveitou para distribuir muitos beijos, abraços e apertos de mão. Seguido de perto pela mãe Ana Maria Farias, ele cumprimentou comerciantes e posou para muitas fotos.

Já na Estrada da Gávea, o carro de som do candidato repetia uma promessa de campanha insistentemente: "Lindberg vai acabar com a vistoria obrigatória de carros e motos no Detran". Principalmente, quando o trânsito estava repleto de mototaxistas. Muitos motoristas reclamavam da confusão causada devido à presença da comitiva.

Lindberg se posicionou como o candidato da mudança e criticou novamente seus principais adversários. "A opção do Garotinho é um retrocesso terrível. E o Pezão é a continuidade desse governo Cabral, que é um governo que muito fraco. O povo do Rio de Janeiro clama por mudança", disse.

LEIA: Polícia encerra operação na Rocinha antes da chegada de Pezão

No último mês, pouco antes da chegada do governador Luiz Fernando Pezão à Rocinha, a Polícia Civil encerrou as buscas por integrante da alta cúpula do tráfico que resiste na região. Na época, o candidato tinha comício de campanha agendado na comunidade. A operação tinha começado na madrugada e, por volta das 6h30, houve intensa troca de tiros entre os agentes e bandidos, na Rua 2, que assustou moradores da comunidade.

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