'Sem segurança não tem desenvolvimento econômico', diz Pezão

Em debate promovido pela Fecomércio, governador defende redução da carga tributária

Por thiago.antunes

Rio - Mais autonomia para estados e municípios, redução da carga tributária, mas sobretudo investimento na segurança. Esses foram os principais tópicos defendidos pelo governador e candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão (PMDB) durante a segunda edição dos Encontros do Comércio com Candidatos, promovido pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ), em parceria com o Senac RJ, e apoio do DIA.

“Sem segurança não tem desenvolvimento econômico. Não entra o professor para dar aula na comunidade, o médico para atender, o carro da entrega ou o carro do comércio”, sustentou Pezão. Ao falar da necessidade de uma reforma tributária no país, o governador disse que essa é uma das grandes dificuldades para os empreendedores.

O governador bem-humorado brincou com a quantidade de perguntas. “Poxa são só 10%3F Tinha que ser 15”Ernesto Carriço / Agência O Dia

Aliado da presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, ele também fez dois acenos ao presidenciável tucano Aécio Neves (PSDB). “É um pacto que temos que discutir. O Brasil agora em novembro, dezembro, com o novo presidente ou a nova presidenta tem que discutir redução da carga tributária, pacto federativo. São as discussões que a gente tem que fazer no país”, afirmou Pezão.

Pouco depois o peemedebista falou sobre como faria para equilibrar as finanças do estado reduzindo a cobrança de impostos e novamente citou os tucanos. “Acredito que o país vai ter que discutir diversas questões que não tem mais tempo a perder. Falo permanentemente com o ministro Pedro Malan, com a presidenta Dilma, com o ministro Mantega. A primeira coisa que a gente tem que discutir é o pacto federativo”, disse Pezão, em referência ao ex-ministro da Fazenda do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso.

A mudança ocorre um dia depois da divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto do segundo turno presidencial. Aécio Neves e Dilma Rousseff estão empatados, embora ele apareça com 51% enquanto ela teria 49% das intenções. Desde o início da campanha, parte do PMDB do Rio está rebelada em relação à coligação nacional que apoia a petista. É a primeira vez, porém, que o governador faz menção direta aos tucanos.

Para Pezão, a discussão da reforma tributária e de uma nova distribuição de competências entre o governo federal, estados e municípios é necessária para equilibrar finanças e auxiliar na melhoria dos investimentos em saúde, educação e segurança. “A cidade é cercada de rodovias federais. Não podemos ter um carro da PM fazendo patrulhamento”, observou.

Segundo o governador, a dívida é outro tema urgente já que o Rio vai pagar R$ 8 bilhões de juros da dívida este ano. O assunto — igualmente problemático em outros estados — gerou até uma crítica à aliada. “Cansei de falar para a presidenta Dilma: ‘presidenta, pega esse fundo, com o que a gente está pagando, e faz um fundo de desenvolvimento e infraestrutura”, afirmou. Na sequência, completou: “Mas ninguém tem coragem de mexer. Essa é a discussão que a gente tem que fazer”, criticou. Questionado sobre o apoio a Dilma, Pezão, no entanto, disse que nada mudou.

Candidato à reeleição%2C o governador defendeu o debate sobre o aumento da autonomia administrativa Ernesto Carriço / Agência O Dia

Ao lembrar de sua trajetória, Pezão disse que foi gerente de armazém, auxiliar de contabilidade no subúrbio e que teve que abandonar os estudos na Universidade Federal Rural, quando ainda morava em Barra do Piraí, porque a família não conseguia custear as passagens até a instituição. A mudança fez com que ele estudasse à noite e trabalhasse durante o dia. “Por ter visto e sofrido, sei o que o empresário passa para empreender”, afirmou.

O governador também ressaltou sua gestão na prefeitura de Barra do Piraí e confessou que, ao chegar ao Palácio Guanabara como vice de Sérgio Cabral, se surpreendeu com uma situação que desconhecia. “Cheguei aqui e descobri um mundo cão. Um mundo que eu nem sabia que existia. A gente via a violência na televisão, as guerras e eu fui lá para dentro. Em fevereiro de 2007, fui para dentro do Alemão, Manguinhos e Rocinha. Ali, fui entender a violência”, confessou.

Ele aproveitou o tema para criticar o adversário Marcelo Crivella (PRB) e a valorização dos Cieps criados pelo ex-governador Leonel Brizola. Pezão disse que no início do governo só tinha “Ciep abandonado”. “Se acreditássemos naquela época no projeto do Darcy Ribeiro, do Crivella, onde as crianças ficavam o dia inteiro ali comendo, com cinco refeições, praticando esporte, nadando com animadores culturais, não estávamos prendendo tanto bandido agora”, alfinetou Pezão.

O governador demonstrou bom humor, apesar do cansaço e brincou com a quantidade de perguntas. “Poxa são só 10? Tinha que ser 15”, afirmou, em referência ao número de seu partido, arrancando risos da plateia.

Depois de confirmar presença, o candidato Marcelo Crivella (PRB) cancelou sua participação no encontro promovido pela Fecomércio do Rio de Janeiro, com o apoio do Senac e do jornal O DIA

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia