Por rafael.arantes

Rio - Tanto no caso da violência dos torcedores quanto na lambança do tapetão que marcaram tristemente o fim do ano, seria, já com considerável atraso, o momento oportuno para se tentar ordenar e normatizar a rotina do futebol brasileiro. No caso dos torcedores, já se percebe a maior preocupação de enquadrá-los e de puni-los. Falta muito ainda e não se sabe se os já identificados ficarão presos o tempo justo para pagar pelos seus delitos, mas, de qualquer forma, se está fazendo muito mais do que nos episódios anteriores.

Ainda bem que não houve mortes em Joinville e seria bom que as coisas mudassem antes que tudo se tumultue de uma forma incontrolável. Resta esperar a atitude dos dirigentes de clubes em relação às organizadas. No tapetão, importantes juristas, dentro e fora do esporte, repetem o óbvio: é fundamental montar um sistema de comunicação que chegue rapidamente aos interessados e até aos delegados dos jogos, o que inviabilizaria a possibilidade da escalação de um jogador irregular. Assim, só em casos excepcionalíssimos, o tapetão se sobreporia ao campo.

Torcedores de Vasco e Atlético-PR brigaram na Arena Joinville Carlos Moraes / Agência O Dia

SEM FORÇA

A Portuguesa diz que vai basear a sua defesa no Estatuto do Torcedor, além da questão da publicação no BID. Mas não deve ter êxito porque a turma do Pleno também é legalista e não costuma discordar radicalmente da primeira instância. Além disso, lembrar o Estatuto a essa altura da guerra é hipocrisia porque nenhum clube ou entidade o respeita integralmente e os abusos são frequentes. Se o estatuto valesse, talvez nem houvesse os casos de violência e de tapetão.

ESPIONAGEM

Os dirigentes do Flamengo ficaram irritados com a espionagem eletrônica e deram uma de Dilma na ONU, botando a boca no trombone. Mas o caso de André Santos não chega a ser tão grave e, no mérito, o que se entende é simples: houve divisão de opiniões, um comando frouxo e o clube ficou a um passo de cair para a Segundona por um capricho.Além disso, há um reconhecimento do erro que praticamente impede a mudança de postura do STJD.

A MUDANÇA

Eduardo Hungaro pensa bem ao preparar uma mudança tática no Botafogo, ou, pelo menos, uma variação importante que seria a volta do 4-4-2. O time ficou refém de um plano só, que dependia de melhor material humano e ressentia-se de força ofensiva. É bom que Hungaro não se limite a repetir a fórmula de Oswaldo de Oliveira e mostre uma cara nova no Botafogo. Mas ele vai precisar de laranjas boas para fazer o seu suco e o clube, até agora, parece pensar pequeno.

O IMPEACHMENT

É difícil imaginar que a situação crítica de Roberto no Vasco chegue ao impeachment, mas pode provocar desdobramentos imprevisíveis. A pressão é grande para a prestação de contas, a confirmação de investimentos e a reestruturação do futebol. A Segundona é um fato consumado e a volta de Rodrigo Caetano pode ser uma boa pelo seu conhecimento do clube, mas, como se viu no Flu, ele não faz milagres. A administração Roberto corre alto risco de se tornar dramática.

RIBÉRY FOI ÓTIMO MAS FICOU DIFÍCIL

Há uma pressão muito grande de vários setores na Europa para que a Bola de Ouro da Fifa caia no colo de Ribéry, do Bayern de Munique, que, de fato, cumpriu excelente temporada. Mas não tanto quanto o português Cristiano Ronaldo que, há anos, fica à sombra de Messi. Agora é hora de o francês ter paciência e esperar, porque Cristiano merece o prêmio pelo passado e pelo presente.

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