'Por onde anda?' O folclórico Jair Pereira

Jair Pereira revela que irá lançar uma biografia e possui o desejo de voltar ao mundo do futebol

Por bernardo.argento

Rio - O torcedor poderá ganhar em breve uma bela biografia. Aos 67 anos, o cigano Jair Pereira está disposto a revelar os bastidores de uma carreira marcada por conquistas como jogador e treinador. Foram mais de 30 clubes de Norte a Sul do Brasil, entre eles Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Fluminense e Cruzeiro, além da Seleção de juniores e do Atlético de Madrid. Uma trajetória registrada em álbuns com fotos e recortes, que retratam mais de meio século do mundo da bola.

O último capítulo está longe de ser escrito. Apesar de há dois anos ser um caça-talentos de luxo da empresa Premier Sports, o desejo de Jair é voltar a trabalhar nas quatro linhas

“Estou nessa vida desde os 17 anos. Aí, me perguntam: ‘Depois de tanto tempo, você ainda que ser treinador?’. Hoje, gostaria de ser gerente de futebol, diretor-técnico, porém, se surgir um projeto para cuidar da base ou do profissional de um grande clube, eu pego. Mas, se for para capinar, para ver se vai classificar, aí não. Já passou, né.”

Jair Pereira ao lado da neta e da esposaCarlo Wrede / Agência O Dia

Enquanto não surge o projeto ideal, Jair busca patrocínio para lançar suas memórias: “Quero escrever o livro da minha vida. Falar dos títulos, dos clubes e de todos os ensinamentos que aprendi. Vai dar uma grande história.”

Desde 2009, quando comandou o Itumbiara-GO, seu último clube, o técnico mantem a rotina que fez dele um estudioso do futebol. Assiste a mais de 20 jogos por semana, estuda táticas, diverte-se simulando substituições e ainda troca informações com os amigos Paulo Autuori, Sérgio Cosme e Renato Trindade, todos técnicos. Em pauta, a preocupação com os rumos do futebol brasileiro.

“Está faltando alegria. A maior preocupação dos técnicos é não perder o emprego.Ninguém joga para ganhar”, critica Jair, campeão mundial de juniores em 1983 e bicampeão sul-americano, em 1985, quando revelou craques que da base do tetra, em 1994. “Tinha Romário, Bebeto, Dunga e outros. Fomos campeões com dois pontas abertos e indo para cima.

Hoje a gente não vê nem tabela. Pior, temos poucos atacantes. A solução é a base, mas para isso tem que ter técnicos que valorizem a garotada”, ressalta Jair.

ABORRECIDO COM OSTRACISMO

Mesmo tendo dirigido alguns dos maiores clubes do futebol brasileiro — Flamengo, Vasco, Corinthians, Fluminense, Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro e Botafogo, para citar alguns — e conquistado dezenas de títulos, a carreira de Jair Pereira entrou em declínio no fim dos anos 90.


“É sacanagem ganhar tudo o que ganhei e ficar parado. Como é que pode. Só se for por não me preocupar em fazer social, em ligar para as pessoas. Nunca fui puxa-saco”, desabafa.
Apesar do longo período desempregado, Jair não se dobra. “Sempre achei que a gente tem que vencer pela própria capacidade. Continuo o meu trabalho baseado na honestidade e na amizade”, destaca.

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