Por fabio.klotz

São Paulo - Demorou, mas a Portuguesa enfim cumpriu com o que havia prometido. Após ser rebaixada para a Série B depois de um embate no STJD, a Lusa entrou com uma ação na Justiça Comum (43ª Vara Cível de São Paulo) contra a CBF e reivindica uma vaga na Série A do Campeonato Brasileiro. Em conversa com O DIA, o vice-jurídico Orlando de Barros explicou a expectativa do clube com a investida judicial e não descartou uma paralisação no torneio caso a situação não tenha uma decisão oficial até a estreia do Campeonato, no dia 18 de abril.

Após polêmica e passagem pelo Paysandu, Héverton se aposentouDivulgação

"Entramos com a proposta na 43ª Vara e estamos aguardando um posicionamento do juiz. Espero que a Portuguesa esteja na Série A. Torço para que haja uma decisão em breve e que tudo seja definido antes do Campeonato, mas sabemos que, caso contrário, o torneio pode ser paralisado", disse Orlando que, no momento, ainda não cogita uma possível ausência da Lusa na primeira rodada da Série B.

"Não pensamos nessa possibilidade de entrar ou não em campo na primeira rodada. É algo que vamos ver mais para a frente", acrescentou.

Se muitos já pensavam que a Portuguesa havia esquecido o tão polêmico rebaixamento, o dirigente garante que o fato nunca foi deixado de lado. Segundo Orlando, o que adiou a decisão da Lusa em entrar na Justiça Comum foi uma série de conversas entre dirigentes do próprio clube e entidades responsáveis.

"A Portuguesa nunca aceitou a Série B. Eu mesmo nunca disse que o clube nem sequer jogaria o torneio. Desde o primeiro minuto afirmei que deveríamos ir ao judiciário. O que ocorreu foi que houve uma série de movimentos no sentido de conversas para tentar um melhor caminho. Como não tivemos acordos, vamos ao que interessa", afirmou.

Dirigente fala sobre aposentadoria de Héverton

Outra situação que surpreendeu o futebol nacional foi o anúncio de aposentadoria feito pelo meia Héverton, pivô do rebaixamento da Portuguesa. Após sua escalação irregular na última rodada do Brasileiro, o jogador afirmou no início desta semana que não irá mais voltar aos gramados. A decisão do atleta de 28 anos não era esperada pelo clube.

"Foi uma decisão pessoal dele. O que me chama a atenção é que é uma pessoa muito nova para se aposentar. Ou ele está financeiramente realizado ou tem alguma outra atividade profissional tão boa como o futebol já definida. Se pudesse eu também gostaria de estar aposentado, mas tenho de trabalhar muito antes disso", alfinetou Orlando.

Portuguesa foi punida pelo STJD após escalação irregular de Héverton%2C mas segue em busca da recuperação dos pontosAndré Mourão / Agência O Dia

A estreia da Portuguesa na Série B do Campeonato Brasileiro está marcada para as 19h30 do dia 18 de abril, contra o Joinville, fora de casa. A expectativa de uma solução imediata pode firmar ou não a presença da equipe no torneio.

Relembre o caso

Flamengo e Portuguesa foram denunciados e julgados pela escalação de André Santos e Héverton, respectivamente, na última rodada do Brasileiro. Em primeira instância, o STJD puniu os dois clubes com a perda de quatro pontos (três pela irregularidade e um pelo resultado dos jogos - o Fla empatou com o Cruzeiro e Lusa empatou com o Grêmio). Os clubes recorreram da decisão e levaram o caso para o Pleno do órgão. A decisão novamente foi desfavorável. A punição foi mantida, o que confirmou o rebaixamento do clube paulista e a salvação do Fluminense.

No caso da Lusa, Héverton deveria cumprir dois jogos de suspensão. Porém, cumpriu apenas um e foi relacionado para a última partida. Ele atuou por 17 minutos contra o Grêmio. A Lusa se defendeu com o argumento de que o duelo não influenciava o rumo do Brasileiro e que o BID da suspensão (site que monitora a situação dos atletas) mostrava que o meia estava liberado para jogar. A defesa não teve sucesso.

No episódio de André Santos, o lateral-esquerdo foi expulso na final da Copa do Brasil e deveria cumprir a suspensão na competição subsequente, o Brasileiro, mas entrou em campo contra o Cruzeiro. O Flamengo apostou na tese de conflito de resoluções nos códigos desportivos e até instruções da Fifa, mas não conseguiu convencer o STJD e foi punido.

O caso não parou por aí. Torcedores entraram na Justiça e conseguiram liminares a favor da Portuguesa. Uma delas, por exemplo, obrigava a CBF a manter a Lusa na Série A. A entidade, então, passou a atuar nos bastidores e conseguiu derrubar as liminares. A CBF, inclusive, publicou a tabela da Série A sem a Portuguesa.

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