Por bernardo.argento
Edinho é o Ronaldinho do Irã Divulgação

Irã - Basileiros jogam em todos os lugares do mundo. Até no Irã, onde Edinho atua há cinco anos no Mes Kerman. Conhecido como Ronaldinho, por causa das longas madeixas que cultivava, parecidas com a do craque do Atlético-MG, o meia está em fase final de naturalização — corre contra o tempo para legalizar os documentos a tempo de entrar na lista final do técnico Carlos Queiroz e disputar a Copa do Mundo no Brasil:

“A proposta de naturalização partiu deles. Acredito que a pedido do Queiroz. Tive só um contato com ele pessoalmente. Mas a questão já esteve mais quente e agora deu uma esfriada. Não é só ter o passaporte, falta assinar o processo. Não sei se vai dar tempo, pois faltam menos de 45 dias. Está em cima”, desabafou.

Ex-jogador de Atlético-PR e Vasco, Edinho se diz feliz e completamente adaptado ao Irã, mas admite que sua mulher, Flávia, ainda não está adaptada aos costumes do país, mesmo após cinco anos vivendo lá:

“Ela sofre muito. Tem que andar toda tapada (de burca) e é muito quente. Ela também não se adaptou à alimentação e preciso trazer comida do Brasil. Aqui os temperos são muito fortes”, explica Edinho, que também jogou dois anos no Catar e está confiante em uma boa campanha do Irã no Mundial. “Acho que passa da primeira fase. O Teymourian, que é meia, foi o destaque nas Eliminatórias.”

No Grupo F, os iranianos vão ter pela frente Argentina, Bósnia e Nigéria. Mesmo sonhando com a nova cidadania, Edinho não esquece da maior rivalidade brasileira. “Se eu for convocado, quero pegar a Argentina. Afinal, sou brasileiro e vai ter aquela briga maior por causa da rivalidade. Não quero perder para eles”, avisa.

Começo por DVD

A ida de Edinho ao mundo árabe começa em Portugal. Um amigo estava indo jogar por lá e recebeu um pedido bastante inusitado do jogado de 31 anos.

“Fui para lá através de um amigo que jogou comigo em Portugal. Dei meu DVD para ele, um empresário entregou ao clube que entrou em contato comigo. Já são 7 anos na Ásia, cinco no Irã e dois no Catar”.

Feliz no Irã e com possibilidade de jogar sua primeira Copa do Mundo, Edinho fez um planejamento de carreira para permanecer no país, porém alguns convites pode fazer com que mude de ideia.

“Pensar eu voltar, eu não penso. Quero ficar por aqui uns quatro anos, mas tenho propostas para voltar ao Brasil. As ofertas foram de Palmeiras e Sport Recife”, conta Edinho que responde muitas perguntas dos iranianos sobre o Brasil.

“Eles perguntam muito do carnaval. Chama a atenção deles por causa das mulheres e homens muito despidos. Para eles é um absurdo, mas provoca curiosidade”, encerra.

Recordar é viver

Domingo nem sempre foi sinônimo de futebol. Em 1966, a Inglaterra, inventora do velho esporte bretão, ganhou o direito de receber a Copa do Mundo depois da desistência da Alemanha. A Fifa via com bons olhos a terra de Elizabeth II, já que contava com estádios grandes (apesar de muito antigos) e excelente infraestrutura.

O único problema para a entidade foi elaborar a tabela de jogos. Por imposição da Football Association (a federação inglesa de futebol), não poderia haver a realização de jogos aos domingos. Superstição? Nada disso.

Nação de maioria anglicana, a Inglaterra não marcava jogos aos domingos, em respeito à religião. Até hoje, esta foi a única Copa a não ter jogos aos domingos. A final, entre Inglaterra e Alemanha (que terminou com a vitória dos anfitriões por 4 a 2), foi disputada no dia 30 de julho, um sábado. No dia seguinte, nada de festa. Nem parecia que o país havia conquistado um Mundial.

A resistência dos dirigentes ingleses em não adotar os domingos no calendário futebolístico só caiu em janeiro de 1974, quando o público nos estádios começou a cair drasticamente por dois motivos distintos: a violência entre hooligans e a grave crise de energia, que proibia a realização de jogos à noite.

Colaborou: Flávio Almeida

Você pode gostar