Tudo certo mas nada garantido

Planejamento da Seleção para a Copa do Mundo tem sido bastante coerente

Por pedro.logato

Rio - Raras vezes, nos preparativos da Seleção, tudo parece tanto no lugar certos, com poucos problemas e sempre contornados com correção.Felipão usa na medida exata o paternalismo diante do grupo permitindo a convivência com familiares e compreensivo com as preocupações pessoais de cada um, como no breve nascimento do filho de Oscar - e trata também de exigir, logo de saída, dedicação máxima nos treinos. Quer escalar o time titular no último amistoso antes da Copa e podem acreditar que vai cobrar muito.

O time é ótimo, tem bons reservas nas posições-chave, os jogadores se mostram relaxados e tranquilos e a torcida parece disposta a só pressionar se ficar irritada. A princípio, boa vontade e adesão. Enfim, parece que só um tsunami pode perturbar. Mas Copa é Copa e há adversários respeitáveis como Argentina, Espanha e Alemanha. Quando tudo parecer sob controle, aí é que mora o perigo. A notícia boa é que a atitudede Felipão é de alerta, capaz até de contornar um iceberg, sem a empáfia do comandante do Titanic.

Planejamento de Felipão tem sido coerenteDivulgação

O GRANDE RESERVA

A princípio, Bernard era considerado o reserva com melhores possibilidades de promoção e ele ainda é preservado como um belo trunfo. Mas a ótima fase de Willian, a disposição com que chegou à Seleção, o desânimo de Oscar, tudo parece indicar que ele será a primeira grande opção para uma mudança tática na Seleção. O seu estilo veloz e de maior participação ofensiva dá mais força ao ataque, mas só será possível uma avaliação definitiva quando Paulinho voltar.

NEYMARPENDÊNCIA

Poderia ser ‘dependência’ aí acima mas a palavra pendência também cabe,se encaixa no espaço e contempla os dois significados.Estaria a Seleção na dependência do futebol de Neymar? Se ele faltasse por algum motivo, seria o fim, um problema grave ou tudo seria contornado como aconteceu com Pelé em 62, bem substituído por Amarildo? São apenas especulações, mas seria confortável que Felipão tivesse um suculento plano B. A sua estrela, no entanto, ajuda muito.

UM ALÍVIO PARCIAL

Para o Vasco, a vitória sobre o Boa Esporte significou um alívio para um momento de tensão em que outro resultado negativo poderia agravar a crise. Mesmo que a situação de Adilson Batista continue obscura, pelo menos na época da Copa haverá tempo suficiente para uma reciclagem. Mas a atuação ainda foi muito ruim, a vitória saiu no sufoco e o futebol apresentado está longe de garantir a volta para a Série A. Assim como o Fla,o Vasco tem muito trabalho pela frente.

BOM DIAGNÓSTICO

Vágner Mancini tem se revelado não apenas um bom treinador mas faz um diagnóstico perfeito do Botafogo ao dizer que o time, sem reforços, não tem a menor chance de disputar os primeiros lugares no Brasileiro - e que houve um planejamento errado esse ano colocando-se quantidade acima da qualidade. É uma crítica perfeita aos que programaram a temporada alvinegra e não precisa ser gênio para chegar a essa conclusão.Mas precisa de bom senso e sinceridade.

A COPA NÃO MERECE PERDER OS GRANDES CRAQUES

Ribéry balançou para a Copa, Cristiano Ronaldo pode vir sem as suas melhores condições, a Itália perdeu Montolivo e o México, Montes. Há até desconfiança sobre a atual fase de Messi que não vem no seu máximo há algum tempo. Tudo isso pode até facilitar a missão do Brasil, mas é capaz de empobrecer a Copa. Será bem melhor que o campeão seja celebrado sem ressalvas.

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