Uma decisão sob a sombra de Neymar

Sem maior craque, Brasil encara o principal desafio na Copa

Por pedro.logato

Rio - Neymar não estará em campo e o futebol só perde com isso porque ele seria uma das raras estrelas em ação. Até mesmo os adversários se lamentam. Ainda assim, Neymar estará presente e, como disse Zagallo, a sua alma estará em campo. Não é possível prever se isso será suficiente para o Brasil se superar a ponto de eliminar o forte adversário. Garra por garra, os alemães não costumam perder, ainda mais em decisões.

Se Willian entrar e tiver fôlego e entrosamento para exercer bem uma dupla função — marcar e atacar —, estaremos bem servidos. Um meio-campo reforçado com mais um volante e Oscar adiantado seria até mais adequado, mas Felipão vai decidir lá com os seus botões. Como acontece muito nesta Copa, quem abrir a contagem levará boa vantagem porque a marcação ficaria implacável por qualquer das duas seleções. Löw deve manter o meio-campo com Schweinsteiger, Khedira, Özil e Kroos. A dúvida é saber quem estará ao lado de Müller no ataque — Mário Götze, Podolski ou Klose, que está à procura do seu recorde absoluto. Há muito tempo não havia tanto suspense e tensão por um jogo de futebol.

Willian é uma opção mais ofensiva para o BrasilReuters

NOVO SÍMBOLO

Em outros tempos, seria inimaginável que um jogador de defesa aparecesse, não apenas como o fator decisivo, mas como o craque de uma seleção brasileira. Eis que sem Neymar, e com um deserto de talentos, o Brasil se reflete no seu zagueirão. Os outros semifinalistas estão lá, otimistas, com Messi, Müller e Robben, superídolos. O futebol-arte, ao perder a sua joia, se escora em David Luiz. Ainda bem que ele tem múltiplas qualidades, a começar pela figura humana.

SEM NOÇÃO

Só mesmo a falta de comando ou uma direção sem o mínimo bom senso para pensar em solicitar à Fifa a anulação da suspensão automática do zagueiro Thiago Silva. Mesmo se fosse um erro do árbitro, abriria um precedente capaz de causar um caos generalizado no futebol. Pior é que, no caso, foi um acerto absoluto porque Thiago Silva, em um curto-circuito, obstruiu o goleiro — o cartão é uma obrigação automática. O protesto da CBF de José Maria Marin foi ridículo.

RIGOR ALEMÃO

quando existe para o bem, sem ideologias fanáticas ou obsessões, o rigor alemão é fantástico, o mesmo que levou o país destruído na Segunda Guerra a se levantar em menos de uma década e se transformar na maior potência da Europa. A nova Alemanha é musical, leve, liberal e produz e exporta moda e comportamento. Berlim tem hoje uma vida noturna incomparável. O futebol é um reflexo disso. E essa ótima seleção é resultado de rigor, trabalho e criatividade.

UMA TENDÊNCIA?

Pelos poucos e desinteressantes treinos até agora, tudo indica que Felipão vai devolver Daniel Alves à lateral direita pela sua maior capacidade ofensiva, tentando explorar o flanco esquerdo da defesa alemã. Com isso, cresce a possibilidade de que o time fique mesmo com três volantes. Mas Willian também pode entrar porque é um jogador completo e versátil. São especulações que podem ou não fazer sentido porque, com Felipão, não existe a relação natural de causa e efeito.

UM DUELO SENSACIONAL DE GRANDES CRAQUES

Holanda e Argentina se defrontam na semifinal em condições semelhantes porque não chegaram ao auge e dão a impressão de que podem render muito mais. A Holanda teve um momento mágico na goleada histórica sobre a Espanha, no grande gol de Van Persie e na atuação fantástica de Robben. A Argentina dependeu dos gols pontuais de Messi. Será um duelo eletrizante de talentos.

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