Por victor.abreu

São Paulo - Depois do fiasco brasileiro na Copa do Mundo, o ex-jogador Leonardo era tido como um dos favoritos, da Imprensa e dos torcedores, para assumir um cargo de gerência na CBF. Com a vaga de treinador retornando para o capitão do tetra Dunga, e o emprego de Coordenador de Seleções indo para o ex-agente Gilmar Rinaldi, o meia, que era uma das grandes esperanças de renovação no futebol nacional, acabou ficando fora dos planos de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

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Leonardo participou, na última segunda-feira, do programa 'Bem Amigos' do SporTV, ele analisou a situação do futebol brasileiro e o papel de atuação da CBF, junto aos clubes, que deve ser remodelado para que o Brasil fortaleça o seus campeonatos.

Leonardo pediu mudanças no futebol brasileiroEfe

"Sem clubes não tem nada, não tem formação, seleção e campeonato que possa ser reconhecido. Os clubes hoje estão completamente enfraquecidos, e com isso o jogador tem menos respeito", comentou.

Criado nas categorias de base do Flamengo, Leonardo comparou o comportamento dos jovens atletas de hoje em dia, com o seu início na Gávea. Para ele, a 'magia' de jogar em um grande clube brasileiro está sendo perdida.

"Me lembro de entrar na Gávea e fazer o sinal da cruz. Hoje você entra na Gávea e 25 meninos que jogam no clube pedem para sair de lá. A Gávea era um templo, hoje não é mais. Hoje é uma passagem e eles pedem para sair de lá, e de qualquer outro clube do Brasil", indagou.

Sobre o potencial de mudanças no futebol, o ex-atleta acredita que a CBF precisa de uma nova estrutura corporativa para pensar em evoluir, e ainda criticou o atual modelo de gestão e a lentidão da entidade.

"Tem que ter várias pessoas que acordem todo dia - uma instituição ou agência - e pense no campeonato. O campeonato é o produto que vai ser vendido, então vai ter gestor e gente que entende de gerenciamento e futebol, que pense todo o tempo no campeonato. A CBF é uma controladora e reguladora do que os clubes fazem, mas ela não é uma promotora do campeonato, não consegue promover porque não é nem organizada para isso", cobrou.

"Nós vivemos numa estrutura hoje que tem 100 anos, nas mesmas regras e equilíbrios. São associações sem fins lucrativos que tentam usar o futebol como meio social, instituição matriarca de todas as outras federações. Essa estrutura engessa uma série de outras coisas, e leva a um posicionamento muito político e não esportivo. Fundamentalmente, quase todas as decisões importantes do futebol são tomadas por um aspecto político, o esportivo acaba sendo secundário", disse Leonardo.

Com experiência como treinador no Milan e na Inter de Milão, Leonardo ainda exerceu a função de diretor esportivo do Paris Saint-Germain. Habituado com os bastidores do futebol, ele analisa alguns formas para que os clubes não acumulem dívidas, e lamenta que o dinheiro estrangeiro entre com dificuldade no futebol brasileiro.

"As receitas de um clube são: estádio, bilheteria, ingresso, marketing, televisão e venda de jogador. Venda de jogador no Brasil é muito alta, então para ficar circulando você não faz time e fica com menos qualidade. Na Europa os recursos são os mesmos, mas as grandes fortunas do mundo corporativo estão no futebol".

"Existe um investimento além do que são as receitas normais do futebol. Hoje um xeque árabe acorda e diz 'quero botar dinheiro no Flamengo' e não pode. Não pode injetar uma riqueza internacional e nem nacional no clube", concluiu.

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