Márcio Guedes: Seleção ainda longe de empolgar

Brasil não teve uma boa atuação no amistoso contra a Colômbia

Por bernardo.argento

Rio - O amistoso da noite de sexta-feira provocou, na verdade, uma tremenda indiferença do torcedor, ainda ressentido pela goleada na Copa. E quem não viu não perdeu quase nada. Basta assistir à cobrança perfeita de falta de Neymar no fim do jogo, porque o resto foi o resto. Até mesmo antes da cobrança, veria que o fraco árbitro canadense inventou a falta porque a bola bateu no braço do colombiano e não houve intenção. Mas a Seleção foi um pouco melhor no jogo. Teve mais volume, apesar da falta de criatividade e do talento escasso.

E dominou na fase final porque as alterações deram maior dinamismo e a Colômbia tinha um homem a menos. Foi um jogo muito violento, desleal em vários momentos, com uma torcida vibrante que merecia coisa melhor. Para o Brasil e para Dunga, importante o recomeço com vitória, mas as conclusões foram poucas. Uma, já conhecida: o nosso único craque é Neymar. Seria bom ver, com mais tempo e atenção, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho e até mesmo Tardelli, que foi discreto. Mas a safra não anima muito.

Papai na área

Todos gostam de ver e ouvir Joel Santana, seja falando em português ou em ‘inglês’, porque é engraçado nas duas línguas. Joel dá a impressão de que tudo pode ser leve e com um toque de comédia, embora perca a calma quando sofre críticas. É um técnico que não costuma ser chamado de ‘professor’, o que é vantagem. O tipo de treinador considerado ultrapassado que pode levantar um time em crise, suavizar o ambiente e acordar muita gente. Pelo menos por um tempo.

Boa chance

Em tese, o jogo de hoje no Maracanã é boa chance para o Fluminense sacudir a poeira dos recentes fracassos e continuar a sua razoável trajetória no Brasileiro, pelo menos lutando por vaga na Libertadores. O Cruzeiro vem com desfalques importantes, mas tem ótimo elenco e não será presa fácil. O Flu sofre também com ausências, como as de Carlinhos e Sobis. Pode vencer se tiver garra, a torcida apoiar e Conca voltar a mostrar o seu grande futebol. Aí, ele desequilibra.

Só problemas

O Botafogo é um time predestinado ao sofrimento, a azares e a glórias máximas e eventuais. Agora mesmo, em séria crise, após vitória espetacular, enfrenta adversários difíceis, jogando fora, como hoje no Horto, ou em campo neutro para faturar uns trocados. Pior, não conta com o seu maior trunfo, Jefferson, não terá Edilson, e o substituto Lucas bateu as asas. Daniel marcou um golaço no Santos, mas sofreu séria lesão e ficará fora por meses. O clube depende do humor dos deuses.

Bom caminho

Quem preferiu assistir na noite de sexta-feira ao vôlei em vez do futebol não se arrependeu. O Brasil ganhou por 3 a 0 da Finlândia, mas o jogo não foi fácil, com sets muito equilibrados. Os finlandeses são versáteis, imprevisíveis e têm muitas variações. O Brasil só ganhou porque tem mais experiência e os nossos saques foram decisivos, principalmente de Lucarelli, que se firma cada vez mais. Ontem, meio sonolento, o time sofreu bastante, mas venceu a Coreia do Sul por 3 sets a 2.

Novos treinadores já deixam as suas maracas

O Brasil parece resistir a uma experiência de mudança radical de treinadores, sejam eles locais ou de fora. A Itália, ao sentir que Cesare Prandelli já se esgotara, colocou Antonio Conte e a sua estreia não poderia ser melhor com ótima vitória sobre os fortes holandeses. A Argentina, mesmo depois do vice na Copa, contratou Tata Martino e surpreendeu a Alemanha com um resultado sensacional de 4 a 2. As duas seleções mostraram um estilo alegre, ofensivo, de acordo com tendência do recente Mundial. Por aqui, parece que marcamos passo com a nova era Dunga.

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