Jaqueline, mulher maravilha

Após o nascimento de Arthur, bicampeã olímpica mostra boa forma e retoma posição na Seleção, desdobrando-se entre as quadras e os cuidados com o filho de oito meses

Por fabio.klotz

Jaqueline paparica o filho Arthur em SaquaremaMaira Coelho

Rio - No coração de mãe, a saudade apertava e batia um receio de que o filho Arthur, de oito meses, não a reconhecesse depois da longa viagem com a Seleção de vôlei para o Japão. Mas, no fim de agosto, Jaqueline recebeu a recompensa que tanto esperava ao voltar para casa com o título do Grand Prix: um enorme sorriso do herdeiro, fruto do seu casamento com o ponteiro Murilo. Aos 30 anos, consagrada como bicampeã olímpica, a musa se desdobra entre os cuidados com o primogênito e o retorno às quadras como titular do time nacional.

Ausente nas viagens no exterior, Arthur virou sensação no centro de treinamento em Saquarema, onde costuma fazer companhia para a mãe. “Quando cheguei da viagem e falei: ‘Filho’, ele veio com aquele sorriso e abrindo os braços. O meu medo era que ele não me reconhecesse”, conta Jaqueline, que embarca nesta segunda-feira para o Mundial da Itália.

A chegada de Arthur, em dezembro de 2013, mudou a vida da bicampeã olímpica.

“Hoje, minha responsabilidade é outra. Sei que, saindo da quadra, tenho um filho para cuidar, tenho que dar atenção para ele e não tenho mais aquele descanso da tarde após o treino. Mas é gratificante. Realizei um sonho não só meu, mas do meu marido. Faz oito meses que a gente tem uma vida nova”, diz.

Bem-humorada, Jaqueline se diverte com a semelhança entre Arthur e Murilo: “Ele é o Murilo da cabeça aos pés. Mas o que importa é que ele vai ser lindo igual ao pai”, brinca.
Ela revela outras características do herdeiro: “É muito sossegado, tranquilo. Puxou o pai porque, se puxasse a mãe, seria agitado. Mas é muito carinhoso, enquanto o Murilo é mais na dele. Sinto que nisso ele puxou um pouco a mim.”

Jaqueline voltou à Seleção e logo reconquistou o posto de titularMaira Coelho

Para driblar a saudade do filho, a tecnologia é uma aliada: “Vejo meu filho 24 horas pelo celular. Lá em casa, coloquei câmeras para ver o que ele está fazendo, se está bem. E ainda conto com o revezamento das nossas mães e a ajuda da minha irmã.”

Jaqueline não se descuida da belezaMaira Coelho

Por conta da gravidez, Jaqueline não disputou a última temporada de clubes e voltou às quadras na Seleção, numa aposta do técnico José Roberto Guimarães: “Não sabia que era tanta a confiança que ele tinha em mim. Por me colocar como titular após um ano parada, vi que realmente ele confia no meu jogo.”

Para voltar em grande estilo, Jaqueline fez atividades físicas até o oitavo mês de gestação. Assim, recuperou rapidamente a boa forma: engordou 11kg na gravidez, mas já perdeu quase 13. Com a Seleção, a missão é conquistar o inédito título mundial, após ter sido prata em 2006 e 2010.

“Foram duas decepções, mas isso só faz a gente crescer. Se chegarmos a uma final, acho que será mais difícil para a outra equipe ganhar da gente”, aposta.

Jaqueline só tira o sorriso ao lembrar que está sem clube. Ela se sentiu prejudicada por receber sete pontos, número máximo no ranking da CBV, mesmo após um ano parada. Com uma pontuação menor, teria mais chances de contratação, já que cada time só pode ter duas atletas de sete pontos.

“Tenho que focar no momento. Se entrar na onda de estar sem clube, não vou fazer nada na Seleção.”

Mesmo que enfrente dificuldades, Jaqueline sonha com a Olimpíada no Rio e com o filho na torcida por ela e Murilo: “Se Deus quiser, ele vai estar lá gritando mamãe e papai.”

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