Por pedro.logato

Rio - O empresário Neville Proa, dono da marca de bebidas que patrocinou o Botafogo neste ano, fez sérias denúncias contra Maurício Assumpção e, segundo ele, “a rodinha lá de dentro”. Não se prova nada só falando e é importante que as partes envolvidas mostrem os seus trunfos. O empresário precisa documentar a sua acusação e Maurício deixar a autoindulgência de lado e tentar convencer a todos que foi apenas um dirigente incompetente — não lesou o clube de coração, já tão fragilizado. O problema é que a declaração de Neville pode colar na medida em que o clube não teve receitas para pagar aos funcionários e nem sequer honrar as obrigações com impostos e regulações trabalhistas. Ele precisa apenas vir a público e dizer o que fez com o dinheiro. O silêncio de Maurício nos últimos meses, quando nem conversava com os mais próximos auxiliares, parece agora ainda mais estranho. Uma pena que o Botafogo tenha sido massacrado através de décadas e sofra um assalto constante em sua história. O Glorioso não merecia isso.

Maurício Assumpção foi alvo de mais denúnciasAndré Mourão

INSEGURANÇA

O assalto às iatistas inglesas no Aterro só teve tanta repercussão pela importância das vítimas no contexto olímpico, porque os cariocas vivem desprotegidos em local belíssimo, mas abandonado desde sempre. Claro que arranha a já desgastada imagem no exterior, mas, quem sabe, não provoque melhora no policiamento? O mais provável é que só durante os Jogos, com tanques em profusão, todos fiquem protegidos. No dia seguinte à Olimpíada, voltaremos ao normal.

ANTICLÍMAX

E, então, tudo mudou na calada da noite com a negativa de Marquinhos Santos em trabalhar no Vasco. Se o problema de saúde na família é mesmo tão grave, tudo se justifica, embora ele tivesse dito sim um dia antes. Perdeu-se boa chance de avaliar o trabalho de um novato em situação complicada, mas o Vasco precisa insistir no mesmo perfil. Claro que está difícil e qualquer escolha será espécie de tiro no escuro. Só que, na fase atual, a situação geral é incerta para quase todo mundo.

MARÉ MANSA

Na contramão de crises, denúncias e ressentimentos, o Flamengo se aproxima do Natal só com notícias boas. Se não veio e provavelmente não virá nenhum craque (onde eles estão?), o problema financeiro ficou mais cuidado e a diretoria anuncia claramente que terá mais de R$ 100 milhões por ano para sustentar o futebol, considerando todas as despesas.Já houve um belo recomeço e, com a enorme força popular, será possível alavancar novos recursos.

O VÔLEI SOFRE!

Em uma fase em que o Ministério Público, a Controladoria Geral da União e congêneres estão vigilantes, a corrupção no Brasil parece acuada, embora não se saiba onde isso tudo vá parar. Depois dos velhos problemas no basquete e no futebol, o vôlei não ficou atrás. Desde o afastamento de Ary Graça, a bola de neve só rolou e de forma avassaladora. A suspensão de patrocínio do Banco do Brasil poderá atrasar muito a nossa caminhada às vésperas de uma Olimpíada.

UM ANO MUITO BOM DENTRO DE CAMPO PARA OS HERMANOS

Ao contrário do Brasil, os argentinos terminam o ano muito bem. O San Lorenzo, com time razoável, ganhou a Libertadores e o River levou a Sul-Americana com qualidade pior, só que organizado e guerreiro. A seleção hermana não chegou a empolgar, mas foi vice-campeã do mundo,não pagou mico e poderia ter levado o título com Di María na final. A organização do futebol portenho é quase tão ruim quanto a nossa, mas, dentro de campo, eles estão melhores, com estrutura mais definida.

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