Porta-bandeira do Brasil, Thiago Pereira busca recordes com motivação da mãe

Nadador de 29 anos, escolhido para carregar a bandeira do Brasil na abertura em Toronto, tem oito chances para cravar três marcas históricas. 'Seria maravilhoso para minha carreira'

Por edsel.britto

Toronto - A missão de Thiago Pereira nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, que já era especial, ganhou mais uma etapa. Inscrito em oito provas, o nadador será também o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura, nesta sexta-feira, no Rogers Centre. Ele chegou ao Canadá na manhã desta quinta e já recebeu na Vila de Atletas o símbolo do país que ostentará. Na conversa com os jornalistas, só tirou a bandeira dos ombros para posar para fotos.

"Não só no ombro, é o que a gente carrega no nosso peito", filosofou o nadador de 29 anos, que disputa o Pan pela quarta vez.

Thiago Pereira será o porta-bandeira do Brasil e vai em buscar de alguns recordes nas piscinasThiago Rocha / iG

Mas carregar a bandeira do país talvez seja a etapa mais tranquila em Toronto. Thiago Pereira nadará oito provas (seis individuais e dois revezamentos) em quatro dias e subir ao pódio, especialmente no ponto mais alto, pode significar ser o detentor de três marcas históricas - ele já é o brasileiro com mais ouros em Jogos Pan-Americanos, com 12. Ele ainda emenda o Mundial de Kazan, na Rússia, após competir no Canadá.

Pereira pode se tornar o atleta que mais medalhas ganhou no Pan: tem 18, e precisa de mais cinco para ultrapassar o ex-ginasta cubano Eric Lopez, com 22. O nadador tem 12 ouros, e busca outros sete em Toronto para superar outro recorde do cubano, que tem 18. Outra meta, a mais acessível, é se tornar o brasileiro que mais vezes subiu ao pódio no evento, superando Gustavo Borges (19).

A primeira missão será no próximo dia 15, nos 200m peito. Até lá, Thiago Pereira já terá seu combustível extra em competições: os gritos de incentivo da mãe Rose, quase uma tradição na natação brasileira.

Confira os trechos da entrevista:

Os recordes de medalhas

Meu grande objetivo no Pan-Americano, assim como as outras competições que eu tive no decorrer da minha carreira, é pensar dia após dia. Foi assim que conquistei todas as minhas medalhas no Rio 2007, em Guadalajara 2011, então fui sempre dia após dia, prova após prova, nunca tentando querer abraçar tudo de uma vez só. Lógico que os recordes são emocionantes, um sonho que espero realizar aqui, seria maravilhoso para minha carreira, para tudo, mas sei da dificuldade que vai ser.

Oito provas em quatro dias x recorde

É um Pan-Americano com dias reduzidos, nos últimos dois tivemos mais dias de competições. Então é um sonho, é difícil, mas é uma competição e tudo pode acontecer. Vamos deixar rolar, ver como vou estar, tenho certeza de que vou estar superbem, bastante confiante, dentro de treino e fora da água. É força total neste Pan e vamos com tudo não só para colocar meu nome dentro da história ainda mais no esporte nacional e internacional, mas caso eu alcance todos esses recordes não é só o Thiago, eu represento o Brasil, então é um atleta brasileiro alcançando isso, então é o nosso país. Vai ser bastante importante para o nosso esporte, para o momento que a gente vive agora, de uma Olimpíada em casa, tudo só vai ajudar a somar para o esporte nacional.

Natação mais curta em Toronto

Dificulta um pouco porque acumula um pouco mais as provas, mas tem um lado bom também, porque no Rio a gente teve semifinal, acabou sendo bem mais longa, bem mais difícil, em Guadalajara a gente teve a altitude, então foi um outro fator, acaba dificultando mais. Agora tem menos dias, mas pelo meu cronograma não está tão tenso assim. O que eu digo de pensar prova a prova é que se eu chegar um dia já pensando no que vou ter depois as coisas já começam a não andar da maneira que gostaria.

Porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura, a nona prova no Pan?

Vão me explicar ainda como vai ser, onde será o ponto de encontro. Não sei se eu levaria como uma prova em si, é um baita de um reconhecimento, fiquei muito feliz, não tem maior honra para um atleta do que poder carregar a bandeira do seu país numa competição de tremenda importância que são os Jogos Pan-Americanos, me senti muito honrado. Na hora em que recebi o convite foi uma baita de uma emoção. Às vezes começam a vir flashes de passagens, como tudo começou, como minha carreira começou, e ter essa oportunidade agora. Tive uma oportunidade de nadar um Pan no Brasil, estou tendo a oportunidade de no ano que vem nadar uma Olimpíada em casa, carregar a bandeira nos Jogos Pan-Americanos... Posso dizer que estou bastante feliz com tudo o que aconteceu na minha carreira, sei que ainda tem muita coisa a acontecer, mas é uma felicidade imensa com tudo o que alcancei até hoje. É motivo de muito orgulho para mim e mais motivação ainda pela frente. Todos os brasileiros que estão acompanhando, todas as mensagens que eu recebi, eu só tenho a agradecer demais, vou dar meu máximo por todos vocês e pelo país nesses Jogos.

Referência do esporte nacional

Em 2003 (Pan de Santo Domingo) era um pouco ao contrário, na época tinha o Gustavo (Borges) e o Xuxa (Fernando Scherer) e era o meu primeiro Pan. Agora eu acho que começo a me sentir um pouco no lugar que eles estavam para mim em 2003, o que é legal também, motivar novos atletas e evoluir nosso esporte.

O apoio da mãe

Ela não consegue chegar antes porque meu primo se casa no sábado, eu seria padrinho, então ela vai estar lá me substituindo. Ela pega o voo logo depois, no domingo, chegam na segunda ela e minha esposa (Gabriela) para torcer.

Vai ter muito "Vai, Thiago!"

Vários! Em 2003 ela já estava. A gente nadando eliminatória, aí minha mãe ficava louca, gritando. Henrique Barbosa virava para mim e falava: Thiago, fala para sua mãe segurar porque é eliminatória e guardar para a final (risos). Mas não adianta, ela torce até em reprise. Ela vai estar presente, me apoiando mais uma vez.

Duas competições seguidas

Vamos para o Pan e depois tem o Mundial. Vai ser corrido, mas é para isso que a gente treina. Tem um pouco de superação também, foi uma dificuldade que a gente escolheu, emendar uma competição em outra, as distâncias são bem grandes, daqui (Canadá) para a Rússia, fuso horário também, mas se a gente está sonhando em chegar no Rio 2016 e se todos os atletas estão querendo medalha ou buscar uma final, pode ter certeza de que será muito mais difícil do que este Pan e este Mundial. Foi bom para engrenar, é um ano antes, dá para ver até onde a gente pode estar, o que precisa adicionar no treinamento. É um ano para ficar atento aos detalhes para em 2016 vir com tudo.

*Reportagem de Thiago Rocha

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