Fora da final dos 200m, brasileiro critica estrutura para os treinos: 'Desumano'

Aldemir Gomes, que usa a pista da Comissão de Desportos da Aeronáutica após a pista do Célio de Barros se transformar em estacionamento, disse que não teve condições ideais de treino

Por edsel.britto

Toronto - Eliminado nas semifinais dos 200m rasos, nesta quinta-feira, na Universidade de York, o brasileiro Aldemir Gomes ficou tão decepcionado com seu desempenho - sétimo lugar na bateria, com o tempo de 20s65 - que resolveu desabafar. Reclamou da estrutura da Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA), local onde treina no Rio de Janeiro, que considerou inadequada para sua preparação visando aos Jogos Pan-Americanos de Toronto e ao Campeonato Mundial, no fim de agosto, na China.

"Falar da estrutura no Rio é fácil porque não tem. Para o porte humano que o Brasil tem não era para passar por isso, ainda mais sendo sede das Olimpíadas. Se tivesse mais investimento, um jeito de treinar e dormir perto da pista, seria perfeito. Mas vou para onde? Pego trânsito, demoro duas horas para chegar no treino. Difícil treinar com qualidade desse jeito. É desumano", chiou o velocista, de 23 anos. "Tive uma lesão depois do Troféu Brasil (em maio), e tive de fazer fisioterapia por conta própria", completou.

Gomes mora na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e treina a maior parte do tempo no CDA. São 34 quilômetros de distância entre os dois pontos. O local foi escolhido como uma das instalações oficiais de treinamento para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, mas está dependente de uma parceria entre a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e Ministério do Esporte para seguir em funcionamento.

Ele é um dos 28 contemplados do atletismo com suporte das Forças Armadas, por isso pode usar a estrutura do CDA e da Escola de Educação Física do Exército, na Urca, tão distante quanto para Gomes treinar. O atleta começou a correr aos 11 anos, no Célio de Barros, icônica pista do Rio de Janeiro que virou estacionamento após a reforma do Maracanã, e acabou desalojado. Ele, porém, não vê muitas perspectivas de mudança antes do Rio-2016. "É uma mudança grande num espaço pequeno de tempo, é complicado."

O outro representante do Brasil nos 200m rasos do Pan de Toronto, Bruno Lins, também foi eliminado nas semifinais, ao ficar em sexto lugar na sua bateria (20s66). As finais da prova serão nesta sexta.

*Reportagem Thiago Rocha

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