Por pedro.logato

Inglaterra - Apenas quatro dias depois da série de atentados ocorridos em Paris, a seleção francesa foi a campo nesta terça-feira no estádio de Wembley, em Londres, e acabou derrotada pela Inglaterra por 2 a 0, em partida mais marcada por acontecimentos ocorridos fora do que dentro de campo: as homenagens às vítimas da violência da última semana. No último compromisso das duas equipes em 2015, o 'English Team' contou com dois belos gols, de Dele Alli e Wayne Rooney, um em cada tempo, para bater os 'Bleus' e quebrar um jejum de mais de 18 anos. O último triunfo havia sido obtido em 7 de junho de 1997, por 1 a 0, com gol de Alan Shearer, na conquista do título do Torneio da França, competição amistosa que teve ainda a participação de Itália e Brasil.

O duelo foi disputado em um clima de comoção e certa tensão pelos ataques efetuados em Paris, três deles na área externa do Stade de France, onde a seleção francesa derrotou a Alemanha também por 2 a 0. Levando-se em conta todos os atentados, foram 129 mortos e mais de 300 feridos. Antes de a bola rolar em Wembley, o príncipe britânico William entrou em campo acompanhado dos técnicos das duas equipes, Didier Deschamps e Roy Hodgson. Os três carregaram flores com as cores da bandeira da França. Além do Duque de Cambridge, também assistiu ao jogo no local o primeiro-ministro David Cameron, assim como o técnico do Arsenal, Arsene Wenger.

Inglaterra derrotou a FrançaEfe

O público que lotou o estádio cantou a plenos pulmões a "Marselhesa". O momento estava programado e foi de muita emoção. A organização colocou a letra do hino em telões, para ajudar os anfitriões que não a conhecessem. Do lado de fora, painéis exibiam as palavras "liberté, egalité, fraternité" ("liberdade, igualdade, fraternidade"), lema da revolução francesa. E o imenso arco de Wembley foi iluminado com as cores da bandeira da França (azul, vermelha e branca).

Dois jogadores com relação mais estreita com a violência da semana passada participaram do amistoso. Lassana Diarra, que teve uma prima morta na casa de shows Bataclan, e Antonie Griezmann, cuja irmã escapou com vida do mesmo local, entraram na segunda etapa pelos 'Bleus'. O jogo em si foi apenas morno na maior parte do primeiro tempo, com poucos grandes lances de ataque até o último terço. Os 'Bleus' ficavam no ataque por mais tempo nos instantes iniciais, mas a primeira finalização foi dos donos da casa.

Aos sete minutos, Kane chutou e carimbou a marcação. A primeira tentativa mais concreta da França aconteceu aos 17, com Martial. A promessa do Manchester United dominou pela esquerda, carregou para o meio e bateu para boa defesa de Hart. Como as jogadas de perigo eram escassas, o goleiro Lloris tratou de levar certa emoção à torcida. Aos 28 minutos, o camisa 1 francês recebeu na ponta esquerda de defesa, com liberdade, mas demorou a agir e teve de driblar Kane antes de dar um chutão. Dois minutos depois, o 'English Team' encaixou um bonito contra-ataque com Rooney, que deu uma finta desconsertante em Koscielny e encheu o pé da meia-lua, tirando tinta da trave direita.

A partida enfim esquentou, e a Inglaterra foi ganhando terreno até abrir o placar, aos 38, em chute de ainda mais longe. Alli ganhou no carrinho perto do meio de campo e apareceu na meia direita para receber de Rooney e acertar um lindo chute no ângulo esquerdo, sem qualquer chance para Lloris. O intervalo não diminuiu o ritmo da equipe anfitriã, que marcou o segundo logo aos dois minutos da etapa final, em mais uma pintura. Alli fez mais um desarme e abriu para Sterling, que levantou na área.

Rooney emendou de primeira e superou o goleiro para ampliar. A campeã mundial de 1966 foi se enchendo de confiança, e por centímetros Kane não marcou o terceiro. Fora da área, mas de frente para Lloris, seu companheiro de equipe no Tottenham, o camisa 9 buscou o ângulo esquerdo e quase acertou, aos cinco minutos. O ímpeto ofensivo da Inglaterra foi acabando, mas a França não reagia. Deschamps fez muitas alterações, e uma delas, aos 11, proporcionou um momento emocionante. Lassana Diarra, que perdeu uma prima no atentado à casa de show Bataclan na última sexta, substituiu Cabaye e foi bastante aplaudido.

Quem quebrou a monotonia foi Martial, que protagonizou bonita tabela com Pobga e recebeu de volta de calcanhar, aos 21 minutos. Contudo, o atacante do United chutou em cima de Butland, que entrou no intervalo em lugar de Hart. A França poderia ter diminuído aos 29, mas Griezmann falhou no domínio e desperdiçou o ataque. O jogador do Atlético de Madrid foi lançado com certa liberdade por Coman, mas acabou saindo com bola e tudo. Os ingleses trocavam passes como forma de administrar a vantagem, e a equipe visitante não conseguia ameaçar Butland. A última tentativa foi um arremate de fora da área de Pogba, que o goleiro do Stoke City apenas observou.

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