Por sarah.borborema
Publicado 01/11/2016 14:30 | Atualizado 01/11/2016 14:36

Rio - Como companheiras de clube, elas acumularam títulos sob o comando do técnico Bernardinho e criaram afinidade que é percebida logo que se encontram. Mas agora as líberos Fabi e Juju Perdigão estão em lados opostos. Bicampeã olímpica, a experiente Fabi, 36 anos, segue no Rexona-Sesc, onde disputa sua 12ª temporada seguida. Já Juju, de 25, trocou a equipe 11 vezes campeã brasileira para voltar ao Fluminense, onde iniciou a carreira. Nesta terça-feira, às 21h, na Hebraica, elas se enfrentam no duelo que marca a estreia das duas equipes do Rio na Superliga feminina de vôlei.

"Quando você trabalha em um clube durante muito tempo com algumas pessoas, cria alguns laços. Como a gente trabalha na mesma posição, acabávamos treinando muito mais tempo juntas. E você cria afinidades. A gente está defendendo um time e existe uma disputa pela posição. Mas muito além disso vai a questão da afinidade, mesmo em um ambiente competitivo”, diz Fabi.

As líberos Fabi e Juju agora jogam de lados diferentes da quadraMárcio Mercante / Agência O Dia

Juju conta que no Rexona, onde estava desde 2010, criou amizades que quer levar para a vida toda e que passou a admirar a bicampeã olímpica não só como jogadora. "Óbvio que, quando você fala que vai treinar com a Fabi, significa que vai treinar com a melhor do mundo, vai aprender ali dentro, com a liderança dela. Falo que sou muito fã dela dentro de quadra porque não tem como não ser. Mas, fora de quadra, é muito além. Sempre voltava com ela de carona do treino e aprendi muito", elogia a líbero tricolor.

A disposição de Fabi nos treinos e jogos é uma inspiração para Juju. "Dentro de quadra, ela é incansável e estou tentando levar isso para essa nova fase da minha vida de atleta. Estou realizando um sonho, de poder jogar, ainda mais no clube em que cresci. É maravilhoso ter a chance de jogar efetivamente, principalmente no clube em que conheço todo mundo desde pequena", afirma Juju.

Rexona e Fluminense decidiram o Campeonato Estadual de vôlei no fim de setembro e o Fluminense surpreendeu ao acabar com a hegemonia do rival, vencendo a decisão por 3 sets a 2.

"Além da Juju, tenho uma grande amiga no Fluminense, que é a Sassá (campeã olímpica ao lado de Fabi em Pequim-2008). Meia hora antes de começar o jogo, a gente estava conversando. Mas a gente sabe que, quando começa a partida, cada uma vai lutar pelo seu time", conta Fabi.

Ela destaca ainda o investimento do Tricolor no vôlei. "A vinda do Fluminense engrandeceu muito. Não posso dizer que foi bacana (no Estadual) porque a gente perdeu e talvez aquela derrota tenha ligado alguns sinais de alerta para o início de temporada. Mas o Fluminense jogou muito bem e aproveitou as oportunidades", analisa a bicampeã olímpica.

Após o Estadual, Fabi disputou o Mundial de clubes, nas Filipinas. O Rexona ficou em quinto lugar e ela levou o prêmio de melhor líbero da competição. “Óbvio que eu fico feliz, mas é voltar para cá e treinar para a Superliga. Vamos estrear contra o adversário que nos venceu há um mês. Os desafios continuam e isso é legal”, comenta Fabi.

Juju acredita que a vitória sobre o Rexona no Estadual aumente a confiança do Fluminense para a Superliga. O Tricolor volta a disputar a competição nacional após 25 anos. "A vitória foi motivadora. A gente deu um passo grande em relação aos amistosos que tinha feito antes. Sabíamos que a vitória seria difícil, mas entramos para fazer o nosso melhor e deu certo", diz Juju.

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