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Alison e Bruno dizem que é hora de se reinventar e miram o bi mundial na praia

Campeões olímpicos buscam a motivação para seguirem no lugar mais cobiçado pelos adversários , no alto do pódio

Por jessyca.damaso

Rio - O lugar mais alto do pódio na Rio-2016 foi deles. A vitória contra os italianos Nicolai e Lupo na Arena de Copacabana lotada, debaixo de chuva, coroou Alison e Bruno Schmidt como campeões olímpicos. Agora, eles buscam a motivação para seguirem no posto mais cobiçado pelos adversários. Juntos, viraram a dupla a ser batida, mas seguem se estimulando por novos desafios, como a conquista do bicampeonato mundial, a partir de 28 de julho, na Áustria. Para eles, é hora de se reinventarem.

Alison e Bruno vão tentar o bicampeonato mundial para a dupla%2C em julho%2C na ÁustriaMaíra Coelho/ O DIA

Na Áustria, Bruno e Alison tentarão repetir o feito de 2015, quando foram campeões mundiais na Holanda, vencendo por 2 sets a 1 os donos da casa Numerdoor e Varenhorst. "A gente tem objetivos como time. Neste ano, acontece a Copa do Mundo e nenhum time na história foi bicampeão. A gente está muito motivado. Neste ano não tem classificação para a Olimpíada. Mas a gente quer muito isso e queremos continuar esse caminho até 2020", diz Alison.

Alison e Bruno dizem que é preciso evoluir para se manter no topo do vôlei de praiaMaíra Coelho/ O DIA

O Mamute pode ser tricampeão mundial — ele conquistou o título ao lado de Emanuel, em 2011. "Aquele foi um ano maravilhoso. Eu e o Emanuel ganhamos tudo e chegamos como favoritos em Roma. A Itália é um país onde adoro jogar. Jogamos cada jogo como se fosse uma final, foi uma caminhada incrível. Na decisão, ganhamos do Márcio e do Ricardo, outro time brasileiro. Ali foi a consagração de um time. Entrei para a história com 25 anos, muito jovem ainda, jogando com um atleta bem experiente", recorda Alison.

A conquista ao lado de Bruno, em 2015, também é contada de forma especial: "Quatro anos depois, ao lado de Bruno, eu pude passar um pouco do que aprendi, do que pude sugar do Emanuel. Jogamos na Holanda, contra os holandeses, na casa deles, salvando match points, perdendo o primeiro set de 21 a 12 ... Tudo mostra a superação e o amadurecimento de um time. Todos esses campeonatos, principalmente 2015, me ajudaram a jogar 2016 em casa".

Ao lado de Emanuel, Alison também foi medalhista olímpico, com a prata em Londres-2012. Mas passou o último ciclo ouvindo questionamentos sobre a derrota na final na capital inglesa. "Foram quatro anos de acompanhamento, de trabalho. Muitas pessoas me questionavam que eu havia perdido uma medalha de ouro. Querendo ou não, são perguntas que ficam na sua cabeça. Mas a minha equipe, o Bruno e a nossa psicóloga me ajudaram muito", conta o Mamute.

E foi o que aconteceu: ao lado de Bruno, veio o ouro na Rio-2016. "Eu posso contar um livro da Olimpíada (risos). Mas foi uma situação muito difícil para mim. Muita gente falava que sou novo e teria mais um ciclo. Mas eu queria escrever a história aqui. O nosso time correspondeu. Por incrível que pareça, um dos momentos mais confortáveis para mim era dentro de quadra. Eu estava muito focado. Falaram: 'Que chuva foi essa na final?'. Eu estava tão concentrado que eu não vi essa chuva desabando para me atrapalhar", lembra Bruno.

Entre os novos desafios, está a medalha nos Jogos de Tóquio-2020. "Está tão distante, mas tão perto. Vou para o meu terceiro ciclo e o Bruno para o segundo dele. A gente sabe que vários times novos surgem, que querem estar no nosso lugar. A gente olha com outros olhos, com mais calma, sabe o caminho. Nosso objetivo para 2020 é grande demais. Todos os times brasileiros jogavam uma Olimpíada, quebravam o projeto e começavam um novo. O Ricardo e Emanuel no Brasil fizeram dois ciclos olímpicos juntos, conquistando ouro e bronze. Isso fica marcado para a história. A gente quer continuar nesse projeto. A gente entende que um é necessário para o outro", destaca Alison.

Mas ele sabe que o caminho é longo: "Todos os times querem ganhar do Alison e do Bruno. Estudam muito a gente. A gente tem que aprender coisas novas, estudar mais, se reinventar, sacar diferente. Para continuar no auge, a gente tem que evoluir". Bruno tem o discurso afinado com o do parceiro: "Chegar ao topo é algo muito prazeroso, mas passa rápido. Não é fazer pouco caso. Mas você tem que estar sempre se reinventando com você mesmo. A gente tem isso. Já demos nosso descanso, que a equipe toda queria. Nossa principal função é fomentar a competitividade da dupla, vem aí mais uma Copa do Mundo. O mais legal de tudo é que no Brasil sempre aparecem jogadores novos. E tudo isso faz a gente se motivar, se reinventar, querer fazer tudo de novo. Isso é importante".

A dupla só lamenta que o esporte olímpico no país esteja sendo afetado pela crise após a Olimpíada. "Nós tínhamos seis patrocínios e estamos com três. Isso ganhando os Jogos Olímpicos. Falando por todos os atletas e não só olhando para o nosso umbigo, realmente é muito difícil. A gente conseguiu manter a estrutura, mas são 17 pessoas. Se está difícil para quem foi campeão olímpico, imagina para quem está começando", diz Alison.

"É uma crise generalizada. É pena que a primeira ponta a sentir seja o atleta. Mas a gente é brasileiro e não desiste nunca. Não comecei minha carreira com facilidade, tive o apoio da família, e cheguei onde eu cheguei", ressalta Bruno.

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