Dirigentes são investigados por suspeita de abusos contra atletas de seleção feminina

Jogadora afirmou ter sido estuprada pelo presidente da Federação Afegã de Futebol. Chefe da entidade e membros foram impedidos de embarcar em voo

Por AFP

Keramuddin Karim é suspeito de ter abusado sexualmente de atletas
Keramuddin Karim é suspeito de ter abusado sexualmente de atletas -

Cabul - Cinco dirigentes da Federação Afegã de Futebol (AFF) foram proibidos nesta sexta-feira de deixar o país, após novas acusações de abusos sexuais contra jogadoras da seleção feminina. O procurador-geral do Afeganistão, Farid Hamidi, proibiu o presidente da Federação, Keramuddin Karim, e outros quatro dirigentes da entidade de viajar de avião "após as acusações de agressão a jogadoras da AFF", afirmou um porta-voz do órgão governamental.

Segundo o jornal britânico 'The Guardian', uma das jogadoras declarou ao periódico que Karim a levou a um quarto secreto perto de seu escritório, a ameaçou com uma arma antes de estuprá-la e bater em seu rosto.

"Quando recuperei os sentidos, toda minha roupa tinha desaparecido e havia sangue por todos os lados (...) A cama estava coberta de sangue, jorrava sangue da minha boca, meu nariz e minha vagina", denunciou a atleta, que não quis se identificar. Outra jogadora afirmou que foi ameaçada de ter a língua cortada por Karim.

Contactado pela agência de notícias 'AFP', o porta-voz da AFF, Shafi Shadab, não estava disponível nesta sexta-feira para dar a versão da entidade sobre caso. O procurador-geral suspendeu em meados de dezembro os cinco dirigentes para facilitar a investigação. A comissão de ética independente da Fifa também suspendeu Karim por 90 dias.

A ex-capitã da seleção afegã Khalida Popal, que fugiu do país em 2011 depois de receber ameaças de morte por defender as mulheres do país, declarou ter coletado vários testemunhos de abusos sexuais, ameaças de morte e estupros. Os casos teriam acontecido em sedes da federação, assim como durante uma concentração da equipe na Jordânia.

Há algumas semanas, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, se disse "comovido" pelas acusações, afirmando que não irá tolerar "qualquer abuso sexual", e pediu à justiça que abrisse uma investigação.

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