Eleita seis vezes a melhor jogador do mundo, Marta é garantia de bom futebol na Seleção - Lucas Figueiredo/CBF
Eleita seis vezes a melhor jogador do mundo, Marta é garantia de bom futebol na SeleçãoLucas Figueiredo/CBF
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Rio - Seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo, Marta se emocionou e não segurou as lágrimas durante coletiva, ontem, na Granja Comary, ao traçar um paralelo da primeira vez em que esteve no centro de treinamento da seleção brasileira até hoje. Ela ainda citou outros grandes nomes do futebol feminino no país.

"A gente trabalha para ganhar títulos, algo nítido, oportunidades. Mas voltar aqui na Granja e ver como tudo mudou. Ver que realmente nossa modalidade está crescendo porque a Formiga, há vinte e cinco anos, começou, pela Pretinha, há trinta anos. Não é uma coisa que acontece de um dia para o outro. Para nós que estamos voltadas para essa luta, isso é muito melhor que um título", afirmou.

Marta disputará sua quinta Copa do Mundo, em junho, na França — seu primeiro Mundial foi em 2003. "Primeiro, cansava menos. Isso é nítido. Era um futuro meio incerto naquela época. Não imaginava que tudo isso iria acontecer. A diferença maior é a questão física. Nem sempre vamos dar dez piques. Mas a vontade de vencer é a mesma", compara.

O Brasil está no Grupo C do torneio, ao lado de Austrália, Itália e Jamaica. Questionada se o Mundial é algo que pode fazer falta em sua brilhante trajetória, Marta citou o craque argentino Messi.

"Mas o Messi não entrou na história do futebol? Pelo que me lembro, não conquistou Copa do Mundo. Isso é do brasileiro, cobra muito. Principalmente no futebol. Tem que entrar para ganhar, não pode entrar para competir (...) Em várias competições, sentia que a gente era melhor e não ganhamos. E não é por que não ganhou que não deixa seu nome na história. Não considero que marquei, trabalho para que o futebol feminino permaneça vivo e constante", afirmou Marta.

Aos 32 anos, a jogadora evitou falar em aposentadoria: "Eu já fiz as contas em outras ocasiões. E continuo jogando. Isso não é uma coisa que me tira o foco. Procuro viver um dia de cada vez. Tentando me manter da melhor maneira. Tentando competir em alto nível. Sentindo se dá para levar mais alguns anos. Não vou conseguir jogar tanto como a Formiga (40 anos), mas é uma motivação acompanhá-la nos treinamentos".

Experiente, Marta é uma das líderes da seleção brasileira, com Formiga e Cristiane: "Nossa participação requer também a questão da experiência. Usar isso de forma positiva. Ajudar as meninas que estão chegando agora. A gente faz isso muito bem. A gente precisa que elas (as mais novas) se sintam bem. Contar com Cristiane e Formiga é uma motivação a mais. Importante para a equipe, com lenha para queimar".

Marta também analisou o grupo do Brasil no Mundial da França: "O adversário mais difícil (da fase de grupos) é a Austrália. Sempre fez jogos difíceis com a gente. Da Itália, vi alguns jogos agora. É estilo europeu, bate bastante. A Jamaica é a equipe de que tenho menos informação. Mas é focar na nossa equipe, estar bem. Esse período de treinos é importantíssimo".

 

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