Posse, defesa e criação: o Botafogo de Eduardo Barroca até a parada da Copa América

Treinador afirmou, desde a sua chegada, que objetivo inicial era pontuar; entre altos e baixos, Alvinegro conseguiu cumprir tal meta, mas ainda há espaço para melhora

Por Lance


                        
                        
                    Barroca vai para o seu segundo jogo internacional na carreira (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
Barroca vai para o seu segundo jogo internacional na carreira (Foto: Vítor Silva/Botafogo) -
Eduardo Barroca chegou com um claro objetivo no Botafogo: pontuar. Diante deste contexto, a primeira parte do trabalho do treinador à frente do comando do Alvinegro pode ser considerado um sucesso. Os 15 pontos conquistados pelo time nas nove primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro representam o quarto melhor desempenho do Glorioso nesse mesmo período no torneio no atual século, superado por 2011 e 2012, com 16 pontos, 2013, com 17 pontos, e 2007, com 18 pontos até essa altura do campeonato.

O treinador assumiu o Botafogo em um período irregular, com a demissão de Zé Ricardo, a fraca campanha no Campeonato Carioca e a precoce eliminação na Copa do Brasil. Justamente por isto, Barroca, em um primeiro momento, não colocou sua filosofia de jogo acima da habilidade geral do elenco. Pela falta de tempo, o técnico buscou se adaptar ao sistema em que esteve inserido, e não o contrário.

Posse de bola como norte do esquema
Com pouco tempo no comando do Botafogo, já foi possível entender que a "coragem para jogar" era uma das filosofias do treinador. Tal fala, replicada por Barroca em algumas entrevistas, se tornou um marco para os jogadores. Nas categorias de base, Eduardo Barroca foi marcado pela valorização da posse de bola, mas demonstrou, neste começo de trabalho, que possui alternativas além desse estilo, podendo adaptar a equipe à cenários pouco favoráveis.

Apesar disso, a presença da posse de bola é marcada no Botafogo de Barroca. O Glorioso, de acordo com o site "Footstats", é a quarta equipe em posse de bola no Brasileirão, com média de 55% por partida, e também a que troca mais passes, 4184 no total - 3878 corretos e 306 errados. Neste contexto, Gabriel se destaca: o zagueiro é o jogador que mais acertou passes na competição, 613. Depois dele, Cícero, terceiro no campeonato, acertou 496.

A formação é outro fator bem definido com Eduardo Barroca. O treinador joga em 4-3-3, com Cícero sendo o primeiro volante e fazendo a função de recuar para qualificar a saída de bola. No momento de saída de bola, o meio-campista se junta aos zagueiros e libera o avanço dos laterais, formando um 3-4-3. No ataque, a tática de jogar com três atletas, um pela direita - geralmente Erik -, Diego Souza no centro, sempre saindo da área, e outro pela esquerda.

 

Defesa em alta, mas transições preocupam
Além da valorização da posse de bola, a defesa é outro fator marcante desse Botafogo. Ao lado do Santos, o Alvinegro é o terceiro time do Brasileirão que menos levou gols: sete ao todo - isto, não levando em consideração a partida contra o Palmeiras, que ainda será julgada. No total com Eduardo Barroca, com as partidas contra o Sol de América, do Paraguai, pela Copa Sul-Americana, são nove jogos disputados e sete gols sofridos.

Joel Carli e Gabriel, dupla de zagueiros titular, se destaca principalmente pelo posicionamento dentro da área e o corte de cruzamentos vindos dos lados do campo - cada um possui 47 interceptações pelo alto no Brasileirão até aqui. Em relação ao conjunto como um todo, o Botafogo não pressiona a saída do time adversário com intensidade, mas possui a linha de quatro marcadores atuando em bloco alto - é comum ver os zagueiros perto do círculo central quando o time está com a bola no ataque.

Nesse sentido de atuar com uma linha em uma marcação longa do gramado, o Botafogo sofre com os contra-ataques adversários. A transição defensiva - e também a ofensiva - ainda não lentas e pouco simétricas. Enquanto um lado pode ter uma recomposição qualificada, o outro pode estar desequilibrado, com o lateral do setor não recebendo ajuda de outro jogador. A bola nas costas e os ataques rápidos são desafios que Barroca terá no sistema defensivo.

Meio-campo ainda passa por problemas
É provável que um time que possui apreço pela posse de bola tenha o jogo passando, até de uma forma até exagerada, no meio-campo. O Botafogo de Eduardo Barroca peca justamente no setor. O desempenho sem bola, seja na cobertura de espaços ou na pressão ao adversário, é bom, mas o time ainda carece de criação.

Isso pode ser um dos fatores que expliquem o pouco poder de fogo do Botafogo, quarto pior ataque do Campeonato Brasileiro, ao lado de São Paulo, Fortaleza e Vasco, com apenas oito gols marcados. O ataque, muitas vezes, fica dependente de uma jogada individual dos jogadores de lado de campo. Os atletas de meio-campo não se aproximam ao setor ofensivo, o que resulta em ataques desperdiçados por falta de opção de passe a quem está com a bola.

 

Apesar de alguns gols do Botafogo terem nascidos a partir de uma construção paciente, com a troca de passes na entrada da área, esse fator ainda pode melhorar na equipe de General Severiano, principalmente diante de equipes bem postadas no setor defensivo.

O saldo de Eduardo Barroca é positivo. Acima de tudo, o treinador mostrou uma equipe competitiva e que é capaz de se adaptar durante os jogos - como, por exemplo, no duelo contra o Fluminense: após superioridade do Tricolor no primeiro tempo, o Botafogo adotou postura reativa na etapa complementar, melhorou e saiu de campo com a vitória. A parada da Copa América vai ser essencial para o técnico transformar resultados conquistados em uma melhora do desempenho, como o próprio Barroca afirmou.