Fábio Félix, diretor da AJC, posa com Eduardo Monsanto, presidente do Serrano - Divulgação
Fábio Félix, diretor da AJC, posa com Eduardo Monsanto, presidente do SerranoDivulgação
Por João Vitor Campos*
Rio - O Serrano FC, time de futebol de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, está vivendo um momento complicado financeiramente. O clube diz ter sofrido um calote da empresa AJC Group, que faz gestão de crises e dívidas empresariais. Em março deste ano, a diretoria assinou um contrato de patrocínio master no valor de R$ 120 mil com a empresa, dos quais R$ 80 mil seriam em dinheiro e os outros R$ 40 mil para despesas operacionais, como moradia para os atletas e a inscrição de novos jogadores no campeonato. No entanto, após três meses de acordo, os dirigentes afirmam que nenhuma das parcelas foi paga integralmente como estavam previstas no contrato e que recebeu, até o momento, apenas R$ 5 mil.
O jornalista Eduardo Monsanto, que assumiu o grupo que gere o Serrano em 2016, levou a equipe à segunda divisão do Campeonato Carioca logo em seu primeiro ano de mandato. De acordo com o dirigente, a "falta de palavra" da AJC pode prejudicar a reestruturação do clube. 
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"Assumimos em 2016 um clube com muitas dificuldades financeiras e em descrédito no mercado. Nos organizamos para sermos vistos novamente com respeito e conseguimos. Hoje o Serrano é tido como bom pagador no mercado do Rio de Janeiro, mas tudo o que construímos na últimas temporadas está em xeque pela falta de palavra da AJC", disse Monsanto, em entrevista exclusiva ao DIA.
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Para pagar os atletas, o jornalista colocou à venda um acervo especial do título Mundial do Flamengo em 1981, no valor de R$ 35 mil, que conta com uma camisa especial em comemoração aos 30 anos do título autografada pelos 11 titulares da decisão contra o Liverpool, no Japão.
"Como é um valor alto (35 mil reais), entendo que seja uma compra que pouca gente possa fazer. É até difícil explicar o que sinto em ter que abrir mão de uma relíquia dessas, mas acho que os atletas não merecem ser prejudicados pela falta de compromisso de uma empresa que não cumpriu o combinado em contrato."
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Veja as peças do acervo:

Galeria de Fotos

Acervo histórico do Mundial de 1981 do Flamengo Reprodução
Acervo histórico do Mundial de 1981 do Flamengo Reprodução
Acervo histórico do Mundial de 1981 do Flamengo Reprodução
Acervo histórico do Mundial de 1981 do Flamengo Reprodução
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Perguntado sobre quais seriam as atitudes relacionadas ao clube daqui para frente, Monsanto respondeu de forma honesta e desesperançosa. "Temos grandes empresas na cidade, mas elas preferem investir fora. Temos uma das torcidas mais apaixonadas do interior do Rio, mas o engajamento da população em geral é muito fraco. A maioria só vai quando o time está bem. E não existe mágica em futebol profissional. Sem dinheiro, não há como montar um elenco capaz de brigar pelo acesso. Não é à toa que Petrópolis está fora da primeira divisão do Rio desde 1981."
Eduardo descarta entrar na Justiça, já que acha difícil recuperar o prejuízo, mas tem esperanças de que a solidariedade possa ajudar a melhorar a situação do Serrano. Ele chegou a criar uma "vaquinha online".
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"Já notificamos a AJC, e descobrimos que a fila de gente tentando receber deles é imensa. Dificilmente vamos contornar esse prejuízo. Mas na dificuldade a gente vê coisas boas surgindo, como essa onda de solidariedade que veio na minha direção e na direção do Serrano. Acho que com o crowdfunding vamos conseguir respirar um pouco e honrar os compromissos firmados com os atletas e comissão técnica."
O DIA entrou em contato com a AJC Group para saber o posicionamento da empresa a respeito da situação, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve retorno.
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*Estagiário sob supervisão de Lucas Felbinger