Grosjean sofreu queimadura nas duas mãos, no joelho e pé esquerdos - Reprodução/Instagram
Grosjean sofreu queimadura nas duas mãos, no joelho e pé esquerdosReprodução/Instagram
Por O Dia
Sakhir, Barein - O assombroso acidente no GP do Barein, no domingo, é reprisado pela memória de Romain Grosjean incessantemente. Os 28s7 em meio às chamas após a batida durante uma eternidade na traumática contagem do piloto francês da Haas que focou na imagem dos filhos - Sacha, Simon e Camille - à espera do resgaste. No entanto, confessou, em sua primeira entrevista após a chocante colisão que teve o pensamento invadido pela lembrança de Niki Lauda, piloto austríaco que também foi vítima de uma explosão em 1976.

"Não sei se a palavra milagre pode ser usada, mas em todo o caso, não era a minha hora. Pareceu muito mais do que 28 segundos. Meu visor ficou todo laranja, vi as chamas no lado esquerdo do carro. Pensei em muitas coisas, inclusive em Niki Lauda, e que não era possível acabar daquele jeito, não agora. Não poderia terminar minha história na Fórmula 1 assim. E então, por meus filhos, disse a mim mesmo que precisava sair. Eu coloquei minhas mãos no fogo e eu o senti queimando o chassi. Senti alguém me puxando, então eu sabia que estava fora", disse o Grosjean.
Hospitalizado, o piloto francês tem aliviado os seguidores e fãs do esporte com atualizações de sua recuperação nas redes sociais. Sem a constatação de fraturas, Grosjean sofreu queimaduras nas duas mãos e no pé e tornozelo esquerdos. Internado desde domingo, ele segue em observação, com a atenção da equipe médica focada no monitoramento de seus pulmões, em razão da exposição às chamas e fumaça por quase 29 segundos.

No domingo, Grosjean sofreu o acidente na primeira volta da etapa. O toque no carro de Daniil Kvyat, da AlphaTauri, foi suficiente para que o piloto francês perdesse o controle na curva 3 do circuito. Devido ao violento choque no guard rail, a corrida foi interrompida após a explosão do veículo, que se dividiu ao meio. O resgate levou quase 28 segundos.
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"Tive mais medo por minha família e amigos e obviamente meus filhos, que são minha maior fonte de orgulho e energia, do que por mim. Acho que vai haver algum trabalho psicológico a ser feito, porque eu realmente vi a morte chegando. Mesmo em Hollywood, é possível fazer imagens assim. Foi o maior acidente que já vi na minha vida", disse o piloto da Haas.
'Renascido', Grosjean revelou que tem a intenção de voltar a correr ainda nesta temporada, em Abu Dhabi, mas admite que sua vida não será mais a mesma após o traumático acidente. "Estou feliz por estar vivo, por ver as coisas de outra forma, mas também a necessidade de voltar para o carro, se possível, em Abu Dhabi, para terminar minha história com a Fórmula 1 de uma forma diferente. Foi quase como um segundo nascimento. Sair das chamas naquele dia é algo que marcará minha vida para sempre", disse.

Na próxima etapa, no GP de Sakhir, o francês será substituído pelo brasileiro Pietro Fittipaldi, de 24 anos, neto de Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial. Nesta terça-feira, a Haas confirmou o novo titular de uma das vagas disponibilizadas por Grosjean e Kevin Magnussen: o russo Nikita Mazepin, atual piloto da Fórmula 2.