Lara deixou o Perdenone em março de 2019 e no mês seguinte sofreu um aborto espontâneo Arquivo Pessoal

Por O Dia
Pordenone - No mês dedicado às mulheres, a jogadora de vôlei Lara Lugli está sendo processada pelo ex-clube, o Volley Pordenone, sob a alegação de danos causados pela gravidez da atleta, que não avisou à diretoria a intenção de se tornar mãe. Lara deixou deixou a equipe em março de 2019, quando anunciou a gestação. Após a rescisão automática do contrato, ela sofreu um aborto espontâneo no mês seguinte.
"Se uma mulher engravidar, ela não pode fazer mal a ninguém e não deve compensar ninguém por isso. Meu parceiro e eu sofremos o único dano por nossa perda (o aborto), e todo o resto é tédio e baixeza de espírito", afirmou Lara, em suas redes sociais.
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Na ação, a defesa do Perdenone diz que Lara, ao omitir essa 'informação' da gravidez , violou a boa fé contratual. O caso veio à tona após a reinvindicação da jogadora pelo salário de fevereiro de 2019.
Devido à repercussão do caso, a Associação Nacional de Atletas da Itália se pronunciou. Em uma carta endereçada ao primeiro ministro italiano, Mario Draghi e ao presidente do Comitê Olímpico Italiano, Giovanni Malagò, a entidade cobra uma posição dos líderes evitar a vexatória exposição que mulheres italianas, atletas ou não, estão sofrendo.

"Este caso é emblemático porque mostra que a iniquidade da condição feminina no trabalho esportivo é tão internalizada que não só é considerada correta como anula completamente um contrato legítimo. (...) Nesta iniciativa inescrupulosa reside o verdadeiro escândalo cultural do nosso país, que chegou a nublar a consciência dos empregadores do trabalho desportivo, a ponto de esquecer quais são os direitos fundamentais das pessoas", diz trecho da nota divulgada pela associação.