Publicado 23/12/2021 10:48 | Atualizado 23/12/2021 15:38
Rio - Em 2021, o jogador de vôlei Douglas Souza e a nadadora Ana Marcela expressaram, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o orgulho LGBTQIA+. Em 2014, eram poucos os atletas de esportes de alto rendimento que saíam do armário. Foi em uma entrevista para o BLOG LGBT, do site do Jornal O Dia, que o campeão dos saltos ornamentais Ian Matos, então com 24 anos, quebrou este tabu. Dois anos depois, o paraense quebrou mais um ao se tornar o primeiro brasileiro gay assumido a disputar uma Olimpíada, no Rio de Janeiro.
Se hoje as grandes marcas correm para colar em atletas ligados ao tema da diversidade, em 2014 era tudo mato. Profissionais do esporte eram aconselhados a não expor abertamente a homossexualidade para evitar a fuga de patrocínios. Na conversa bem-humorada com o jornalista Felipe Martins, criador do BLOG LGBT, Ian brincou com a situação. “Não tenho essa preocupação (de perder patrocínio) até porque não tenho patrocínio nenhum. Sou pobre”.

Antes da entrevista, Ian já havia se tornado uma referência do salto no Brasil ao conquistar três campeonatos brasileiros na plataforma de um metro e um na plataforma de três metros. Enfrentou adversários homofóbicos que diziam não querer perder "para aquele viadinho". Derrotar o preconceito foi mais um estímulo na carreira do campeão. “Ser gay no Brasil é ser menosprezado, para você ser no mínimo tratado como igual, uma pessoa "normal", você tem que ser acima da média. Sempre soube que era gay, então, desde muito pequeno, eu sempre me esforcei muito pra ser o melhor em tudo que fazia. Levei isso para os estudos e para o esporte”, contou para o jornalista Felipe Martins, hoje produtor cultural e editor do site “Nosso Orgulho”.
O jornalista lembrou com carinho da entrevista com o atleta e do sentimento de tristeza ao saber da morte do campeão. "Fiquei chocado com a morte do Ian. Nossa conversa foi por telefone e troca de mensagens no Whatsapp. Ele não fugiu de nenhuma pergunta e tratou com naturalidade o que é natural, mas naqueles idos de 2014, ainda era um tabu a ser quebrado no meio do esporte", contou. "Fiquei chocado com a morte dele. Um cara jovem, atleta de alto nível", disse.
O jornalista lembrou com carinho da entrevista com o atleta e do sentimento de tristeza ao saber da morte do campeão. "Fiquei chocado com a morte do Ian. Nossa conversa foi por telefone e troca de mensagens no Whatsapp. Ele não fugiu de nenhuma pergunta e tratou com naturalidade o que é natural, mas naqueles idos de 2014, ainda era um tabu a ser quebrado no meio do esporte", contou. "Fiquei chocado com a morte dele. Um cara jovem, atleta de alto nível", disse.
"A entrevista de Ian ao BLOG LGBT do Dia repercutiu nos principais veículos de comunicação do país e foi fundamental para consolidação de minha passagem no jornal. Na época, eu ainda era colaborador. A matéria abriu caminhos para minha contratação pelo jornal, onde fiquei até 2016. Serei para sempre grato ao Ian por esse empurrão em minha carreira", completou.
Na vitoriosa trajetória, Ian disputou os Jogos Panamericanos de Guadalajara, em 2011. Em 2012, conquistou uma medalha inédita de bronze na etapa dos EUA do circuito mundial de saltos ornamentais. Em 2016, disputou os Jogos Olímpicos do Rio em 2016, o primeiro brasileiro abertamente gay a participar da competição, ficando entre os oito melhores do mundo. Em 2019, em sua última grande competição internacional, disputou os Jogos Panamericanos em Lima.
Ian deixa a vida aos 32 anos e entra para a história por abrir caminhos por mais liberdade no esporte. Para afirmação do orgulho de entrar nas piscinas, nos campos e nas quadras e viralizar sambando em cima da cama, como fez Douglas, sem amarras, pelo direito de ser quem é.
"Eu poderia levar a vida só com as pessoas próximas a mim sabendo da minha orientação sexual. Mas acredito em legado, e que pessoas que estão na mídia são formadoras de opinião. Então, por isso, acho que tenho compromisso de mostrar que ser gay não é um defeito, não é isso que te define. E que você pode ser feliz do jeito que você é". Valeu, Ian. Esse legado é seu.
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